A maior turbina eólica do mundo

RAFAEL PEIXOTO TRABALHA NOS EUA

Chama-se Rafael Peixoto, nasceu há 28 anos na vila de Lousada e formou-se em engenharia mecânica, “porque sempre gostei de perceber como as coisas funcionam, desde pequeno já desmontava os brinquedos”. Depressa se entusiasmou pelos conhecimentos da física e da termodinâmica. As energias são o seu foco maior de interesse atual em termos profissionais. Isso levou-o para uma multinacional nos Estados Unidos, onde se encontra a trabalhar no mar, onde está instalada a maior base de produção de “energia limpa” do mundo.

O jovem que aqui trazemos hoje confessa-se muito curioso, sempre pronto para adquirir conhecimento e por isso estuda muito. Fez licenciatura em engenharia mecânica, no ISEC, estagiou na Renault, em Cacia (Aveiro) e depois fez mestrado em sistemas energéticos, na Universidade de Aveiro. Desde agosto de 2023 é Comissionador de Turbinas Eólicas.

“Assim que entrei nesta área profissional, sabia que o meu trabalho me levaria para fora de Portugal. Quando entrei nisto, trabalhei seis meses em França, em Saint Nazaire mais precisamente, e agora trabalho nos Estados Unidos, no parque offshore de Vineyard Wind”, esclarece Rafael. Trata-se de um “parque eólico no mar, que se situa em águas federais dos EUA, no Oceano Atlântico, na área de arrendamento OCS-A 0520 designada pelo Bureau of Ocean Energy Management”, pormenoriza o jovem, acrescentando que isso se situa “a cerca de 13 milhas náuticas ao sul de Martha’s Vineyard e Nantucket, Massachusetts”.

Rafael Peixoto

Trabalha para um consórcio internacional da Copenhagen Infrastructure Partners e da Iberdrola, com uma empresa subsidiária da Avangrid Renewables. Naquele empreendimento é produzida “energia limpa” e não fóssil, capaz de alimentar o gasto diário de mais de 400.000 casas.

“É uma turbina gigante, que faz parte do processo de descarbonização, situa-se no maior parque eólico marítimo dos Estados Unidos, com a maior turbina do mundo atualmente em funcionamento, que se chama Haliad X”, afirma.

Concretamente, o seu trabalho começou “após a finalização da instalação da máquina e resumidamente consiste em efetuar todos os processos, testes, configurações e resolução de problemas necessários, o meu trabalho acaba quando a mesma entra em produção”.

Turbina eólica

Acredita que o hidrogénio é o futuro

De momento, “como estou offshore cada dia trabalhado equivale a um dia de descanso, em termos práticos a cada 3 semanas de trabalho tenho duas e meia em casa”.

Com isto passa bastante tempo em Portugal: “a cada três semanas estou em Lousada, no entanto quando estive em França não era assim, passava mais tempo fora e não foi nada fácil, com saudades de casa, da família, dos amigos, todas as minhas relações interpessoais ficaram mais difíceis”.

“Só quem passa algum tempo fora sabe o que é viver longe; é espetacular a experiência de viver num local e numa realidade completamente diferente, recomendo e encorajo toda a gente fazê-lo, pois creio ser importante para o nosso crescimento pessoal, mas é bastante mais difícil do que parece”, exclama o jovem. Por vezes, “o desejo dum simples pão seco dos nossos ou um café expresso trazem tanta saudade…”.

Numa outra perspetiva, Rafael diz que “ir para fora faz-nos perceber os pontos em que nós, Portugueses como comunidade, somos bons e no que temos que melhorar” e declara que “uma coisa importante a salientar é que temos de começar a valorizar a nossa ética de trabalho; já trabalhei com pessoas do mundo inteiro e ainda não encontrei melhores trabalhadores que os portugueses, mas somos sempre os mais mal pagos”.

Falando do seu futuro: “eventualmente, quero trabalhar em Portugal, mais especificamente na área solar fotovoltaica, que é uma área que me desperta bastante interesse. Mas neste momento estou a gostar bastante do desafio que estou a ter, e estou a obter conhecimento que certamente me irá ser bastante útil no futuro”.

Assegura que quer manter-se “na área das energias renováveis e tecnologias que possuam a possibilidade de melhorar o mundo em que vivemos”.

Mas revela que está convicto de que um dia vai passar para outro ramo desta área. Está na energia eólica, quer experimentar a energia fotovoltaica, mas acredita que o futuro energético da Humanidade está no hidrogénio: “acredito que daqui a uns anos o hidrogénio será indispensável, principalmente para nós, europeus”.

Rafael Peixoto

Comentários

Submeter Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos recentes

Equipa de Shinkyokushin conquistou seis pódios

O WIBK Dojo Verdadeiro Espírito, do lousadense Paulo Rente Silva marcou presença no Torneio...

Atleta de Lousada convocada para Jogos do Eixo Atlântico

A jovem Daniela Pereira, natural da freguesia de Pias, em Lousada, foi convocada para integrar a...

"Talvez seja por isso que gosto tanto das nascentes. Porque, ao contrário dos rios, que toda a...

Campeões Nacionais de Natação Adaptada

Os atletas lousadenses do clube Lousada Século XXI estiveram em grande evidência no Campeonato...

A bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, Paula Franco, foi uma das convidadas do...

Forte internacionalização do Inferno das Febras

O Inferno das Febras regressa ao Parque de Lazer e Merendas de Casais, em Lousada, nos dias 28 e...

O treinador penafidelense João Paulo Guedes Silvestre, de 36 anos, é referido por várias fontes...

Protocolo para projeto de turismo cultural assinado entre a CCDR-N e Vidas em Cena

A Associação Vidas em Cena, de Lousada, está entre as dez entidades culturais da Região Norte...

A celebração dos 100 anos dos Bombeiros Voluntários de Lousada constitui um momento de...

Na passada semana, Portugal assistiu a algo que deveria ser praticamente impensável numa sociedade...

Siga-nos nas redes sociais