O mais antigo estabelecimento comercial de Lousada
A Ourivesaria Neto celebrou 160 anos de existência. Criada a 1 de Janeiro de 1864, mantém-se como referência de reputação nos ramos da ourivesaria, da relojoaria e da ótica. O seu fundador foi Serafim da Silva Neto, que abriu essa atividade comercial na freguesia de Santa Margarida, instalando-se mais tarde, no século XX, na Vila, no edifício que faz esquina com a Rua da Constituição e o Largo da Esperança, ou seja, mesmo de frente para a rua Afonso Quintela. Aquando do falecimento do fundador, o negócio foi herdado pelo seu filho, Joaquim da Silva Neto, pai de António Manuel da Silva Neto, cuja gestão foi decisiva para a afirmação da Ourivesaria Neto como estabelecimento de renome.

Durante cinco décadas, António Manuel da Silva Neto liderou a Ourivesaria fundada pelo seu avô, imprimindo reputação e profissionalismo no comércio de bens e serviços de ourivesaria e relojoaria, assim como no ramo da ótica, a partir de 1973. A óptica iniciou a atividade com o Sr. António Bessa, que ainda hoje colabora com a empresa e é atualmente a ótica lousadense com mais anos de vida.
António Manuel da Silva Neto casou com Maria Rosa Ferreira de Magalhães e foi pai de duas filhas, Margarida Maria Magalhães da Silva Neto e Maria Teresa Magalhães da Silva Neto. Foi avô de quatro netos: Alexandra, Gonçalo, Bernardo e Manuel.

Era bastante bairrista e não ignorava apelos de apoio de algumas coletividades, que no seu tempo eram primordiais nesta Vila, designadamente a Banda Musical de Louzada, pela qual nutria simpatia e um carinho especial. A relação de amizade entre ele e a filarmónica local proporcionou por exemplo, que a mesma tivesse atuado na comemoração do centenário da Ourivesaria Neto, em 1964, num evento de grande impacto social e comercial em Lousada e de que é exemplo uma das fotografias que aqui publicamos.

É de referir que esse acontecimento foi motivo para a primeira reportagem fotográfica na imprensa local, tendo o Jornal de Louzada, pela primeira vez, dado à estampa várias fotografias do evento.
Nessa edição do jornal local lê-se: “No dia 1 de Janeiro de 1964 as cerimónias comemorativas do Centenário começaram com uma Missa, às 12 horas, na Capela do Senhor dos Aflitos, em sufrágio dos antecessores: Serafim da Silva Neto, Joaquim da Silva Neto e D. Maria Carneiro Neto Leal”.
De seguida “foram inauguradas as novas instalações, sitas na Praça da República, tendo o Sr. António Manuel da Silva Neto solicitado ao Presidente da Câmara, Joaquim Burmester Malheiro, que procedesse à abertura simbólica da porta. A este ato compareceu de surpresa a Banda Musical de Louzada, que interrompeu a sua atuação noutro local, para ir abrilhantar a iniciativa de um reconhecido amigo e apoiante da filarmónica lousadense, como era o Senhor António Manuel da Silva Neto”.
Após a abertura, “o Reverendo de Silvares, Padre António de Sousa, procedeu à bênção das instalações. No estabelecimento tinha sido colocada uma fotografia do proprietário antecessor e foi feita a oferta de uma riquíssima salva de prata, na qual estavam gravados os nomes dos funcionários. Entre os cerca de 200 convidados encontravam-se as pessoas de maior destaque no concelho e dos concelhos vizinhos, que participaram no copo de água. Ali usaram da palavra em discurso o Presidente da Câmara, o Vigário da Vara e o Engº António da Silva Neto. O Grémio de Comerciantes do Porto associou-se às comemorações do Centenário, atribuindo uma distinção de mérito por tão honroso e significativo aniversário”, refere o Jornal de Lousada.

No livro «Louzadenses, Volume III» (2013), de José Carlos Carvalheiras, está o testemunho de Ramiro Gomes e António Maria Bessa Ferreira, dois funcionários históricos desta casa comercial, nos serviços de Ourivesaria e de Ótica. Ambos dizem que António Manuel foi “mais que um patrão, foi um pai, um padrinho, um guia, um mentor, enfim foi tudo”.
Atualmente, o legado da Ourivesaria Neto pertence a Margarida Neto e a gestão, à sua filha Alexandra Neto de Barbosa Mendonça, quinta geração, segundo a qual a empresa passa por uma fase de renovação e reposicionamento, centrada nos pilares que sempre a orientaram, confiança, qualidade e know how e aposta na produção própria para ser competitiva e diferenciadora. A contribuição de todos os colaboradores que passaram pela empresa foi essencial para a transmissão do conhecimento de geração em geração até aos dias de hoje. Esta é a base que sustenta a empresa que, associada à aposta constante na formação e atualização processos, fazem dela uma referência no mercado de ourivesaria em Portugal.














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