ANTERO TEIXEIRA LEITE
Este cristelense foi chefe dos bombeiros profissionais do Porto, foi autarca e fundador do Cristelos SC, foi motorista dos idosos da Santa Casa, e nesses cargos realizou projetos e viveu momentos inesquecíveis. Mas também assistiu a dramas e sentiu a frustração de não poder fazer mais. Agora, com 65 anos, está aposentado e olha para o futuro com vontade de fazer o que ainda não foi feito. Um campo de jogos na sua freguesia é uma falta que lhe causa desgosto, mas enquanto há vida há esperança…
Nos Bombeiros Sapadores do Porto (BSP) atingiu o posto de Chefe Operacional, o cargo mais alto a que um bombeiro pode almejar. “Acima disso há os cargos de comando, que são atribuídos por nomeação a oficiais de engenharia militar”, esclarece Antero Teixeira Leite, que ao longo da carreira naquela entidade teve quatro comandantes. Por inerência do seu cargo, apareceu várias vezes aos microfones de reportagens televisivas, algumas das quais em direto, aquando de ocorrências alarmantes. Por isso, num café ou noutro local público de Lousada ouvia-se então “olha o Antero na televisão”.
Entrou para os BSP com 22 anos e ali permaneceu durante quatro décadas. Viveu dramas e glórias, que o marcaram para a vida. “Ver uma criança carbonizada atrás dum móvel onde se tentou esconder das chamas no incêndio duma habitação do Porto, foi das coisas mais duras que eu tive que enfrentar”, conta, com um certo travo na voz.
Das alegrias vividas também relata algumas, principalmente vividas nos Jogos Olímpicos dos Bombeiros, onde foi campeão por diversas vezes. “Fui a vários países representar Portugal nos jgos internacionais de bombeiros, precisamente por ter vencido as provas nacionais”, declara o antigo soldado da paz. Uma dessas deslocações foi a Berlim, por altura da queda do Muro e de lá trouxe uma pedra daquele símbolo do separatismo das duas Alemanhas entretanto unificadas.
Por cada dia de trabalho tinha dois de folga, o que lhe permitia dedicar-se ao voluntariado. “Fiz muito serviço público, pois uma das coisas que mais gosto na vida é trabalhar para o bem dos outros” e nesse sentido fez parte da Junta de Freguesia de Cristelos, como secretário, na presidência de Jorge Simão. “Fizemos muitas inovações”, lança com satisfação e orgulho, enumerando entre isso “o transporte escolar, que foi pioneiro e a partir dali as outras juntas começaram a fazer o mesmo” e recorda também que foram “os primeiros a organizar passeios para idosos, com um almoço digno de uma boda”. Entre esses destaca as idas ao arraial minhoto do Santoinho, fomos a Santiago de Compostela, viagens que ficaram na memória de muita gente”.
Mas o que mais o “encheu de orgulho, foi o projeto arrojado que tivemos, com a construção de uma cantina e refeitório escolar”, coisa difícil de levar por diante, mas que foi uma realidade. “Havia crianças que passavam mal e aquela refeição na escola era uma boa ajuda para o seu sustento”, explica Antero, que destaca o caráter voluntário de todos os que trabalhavam naquele serviço promovido pela Junta.

UM SALVAMENTO IN EXTREMIS
De entre os feitos enquanto autarca sublinha igualmente “o melhoramento que se fez na Senhora da Conceição, que à altura era um local descuidado e sem grande interesse, mas a partir da nossa intervenção ganhou importância e dignidade na freguesia”.
Apesar de todo esse regozijo, Antero lamenta “não ter conseguido realizar alguns projetos que eram muito úteis e continuam a fazer falta à freguesia, um deles o campo de futebol, que foi um dos meus propósitos quando fui presidente do Cristelos SC. Até tínhamos o terreno apalavrado mas entretanto fomos demovidos da ideia pois o mesmo foi preciso para construir a escola atual”.
O sentido cívico e altruísta levou-o também à Associação Ao Encontro das Raízes, no Bairro Dr Abílio, onde “no meu tempo fizemos coisas inovadoras para a época, como o parque infantil e as instalações da associação, que albergam várias valências de apoio social”.
Entre as memórias que gravou desses tempos incluem vivências durante o serviço de motorista dos idosos do lar residencial: “a Santa Casa tinha um pequeno autocarro e convidaram-me para o conduzir nos passeios que programavam. Levei-os várias vezes à praia, a museus do Porto, ao Gerês, à Senhora dos Remédios, em Lamego, e muitos outros locais”.
Numa dessas viagens, os seus conhecimentos de socorrismo foram postos em prática e salvou “um idoso de morrer asfixiado por um caroço de ameixa”, com recurso à «manobra de Heimlich».













Comentários