por | 27 Fev, 2025 | Sociedade

«Praça do Bispo» vai ser reaberta ao trânsito

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA…

Os comerciantes tanto andaram e tanto reclamaram que levaram a carta a Garcia, que é como quem diz, foram atendidos. Terão água no seu moinho, ou melhor dizendo, terão carros à porta. Tudo isto vale para dizer que após dez anos de contestação, os comerciantes e proprietários situados numa parte da Avenida Senhor dos Aflitos, quer é conhecida por «Praça do Bispo», terão finalmente trânsito a passar junto às suas lojas. A medida não é consensual na população, mas foi aprovada, também sem unanimidade, pela Câmara Municipal. Beneficiam os comerciantes e as pessoas que gostam de levar o carro o mais próximo possível dos locais de destino. Como alguém diz, “só não levam o carro lá para dentro porque não podem”.

O desejo de criar uma praça sem trânsito, para convívio em cidadania e fruição da ociosidade em público, como o que se vislumbra nas avançadas sociedades europeias, foi imaginada pelo arquiteto António Hermano Neto há dezenas de anos. Por entre alguma contestação, mas também bastante expectativa, o projeto saiu do papel para a Praça, mas na prática foi um flop que se lhe deu. Em entrevista ao nosso jornal, publicada em dezembro, aquele arquiteto lousadense lamentou o insucesso da ideia: “Lamento que a ideia da praça do Senhor dos Aflitos não tenha surtido o efeito desejado, que era a criação de um espaço de convívio cívico e lúdico, que despojado do mobiliário (pérgolas e bancos) acabou por eliminar o objetivo inicial do projeto”, referiu o projetista.

Primeiro retiraram as pérgolas (que nunca cumpriram o seu propósito em pleno), depois o piso (formado por frágeis lages de granito) foi-se partindo e no meio disto quem tirava verdadeiro e regular partido da praça eram os skaters e mesmo estes eram assediados pelas autoridades municipais para se mudarem para o skatepark.

O trânsito vai ser aberto de poente para nascente, ligando a rua visconde de Alentém à rua São Sebastião, onde conflui com o trânsito que vem do lado da Praça Sá Carneiro. Veja-se o desenho a que O Louzadense teve acesso.

A reabertura daquela artéria ao trânsito é parcial. O Município entendeu aprovar uma solução que prefigura o ditado “uma no cravo e outra na ferradura”. Por um lado, atende às reclamações dos comerciantes e proprietários, colocando uma faixa de transito e oito lugares de estacionamento junto aos edifícios. Por outro lado, não abdica do conceito de praça, que fica fechada após o horário de expediente ou laboral e ainda assim mesmo com carros a circular fica espaço para os skaters e outros usos e usufrutos, mantendo-se assim a possibilidade de realização de eventos municipais e outros.

SEM CONSENSO

A proposta escolhida não obteve a anuência de Carlos Nunes, vereador da oposição, que votou contra. Contactado pel` O Louzadense, este justificou que a abertura da praça ao trânsito “contraria todas as tendências nacionais e internacionais, uma vez que as cidades estão a reduzir a presença de automóveis nos centros urbanos, e não a reintroduzi-los”. O autarca sem pelouro acrescentou que “verificamos que foram apresentados três estudos, todos eles prevendo arruamento e a abertura da praça ao trânsito, o que vai contra a lógica atual de promover espaços públicos mais acessíveis e dedicados ao usufruto dos cidadãos”.
Carlos Nunes defende que “a praça, tal como está hoje, oferece um espaço mais inclusivo 

e amplo para a comunidade, e essa característica não deve ser desconsiderada”. Aproveitou a ocasião para referir que “ao contrário de outros assuntos que são decididos sem o conhecimento prévio da câmara, este assunto, curiosamente, foi à deliberação da reunião de câmara. Eu percebo isso do ponto de vista político, mas honestamente tenho muitas reservas, muitas dúvidas sobre esta proposta, que vinca claramente a intenção de abrir a praça ao trânsito”.
A terminar a alusão ao tema, recordou “uma outra sugestão que fiz há algum tempo, de colocar um pilarete automático para limitar o acesso de carros naquele recinto, já com o intuito de criar uma praça que fosse o mais usufruível e sem qualquer tipo de constrangimentos para a população”.

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