por | 31 Mar, 2025 | Espaço Cidadania

Bairrista e defensor das tradições

«O SENHOR SILVA DAS PASTELEIRAS»

Seja de pasteleira (bicicleta antiga) ou de auto-caravana, este lousadense adora viajar. Já percorreu Portugal de lés a lés e onde vai diz com orgulho que é de Lousada. É um bairrista que gosta de enaltecer a sua terra. Foi dele a ideia de um dos eventos mais peculiares e típicos da nossa terra, o Desfile de Pasteleiras, que ocorre na tarde de sábado da Festa Grande. Embora praticamente aposentado da vida profissional, José Silva continua ligado ao ramo agrícola, que também é uma tradição, cada vez menos praticada, mas que ele procura incentivar.

O «Senhor Silva», natural de Silvares, é uma pessoa muito querida em Lousada. Isso não se deve apenas ao seu caráter prazenteiro e simpático. Deve-se sobretudo ao que ele faz em prol da localidade e das suas tradições, mas também das associações. Esteve mais de vinte anos nas lides do Clube Automóvel de Lousada.

Através da vida profissional sempre se ligou à natureza. Teve os primeiros empregos em serrações, primeiro em Sobrosa (Paredes), depois na serração da Feira, na Vila de Lousada e também nos Ferreiras, de Silvares.
Issso foi na sua fase de jovem adulto. Depois dedicou-se a um ramo que viria a ser a sua especialidade: produtos para agricultura e pecuária. São duas práticas que estão a cair em desuso. Começou na loja Magalhães, em Silvares e depois de trabalhar muitos anos nas rações e afins da família Ferro, ao lado da Farmácia Fonseca, José Silva e os filhos instalaram-se por conta própria. Fundaram a Casa Agrícola Três Silvas, situada em frente aos Correios de Lousada.

O seu filho Germano é quem gere a firma, com ajuda do irmão Tó Silva. Mas o negócio está fraco. “As pessoas agora compram tudo, querem tudo pronto e feito”, refere este filho. Mas ressalva que “quando veio a pandemia o negócio das sementes e dos adubos estiveram em alta porque as pessoas estavam em casa e dedicaram-se muito a cultivar a terra e a criar animais”.

Também a comida para animais de criação, para consumo doméstico, está em queda há muito tempo. “As pessoas agora gastam mais em comida para cães e gatos que para coelhos e galinhas”.

As suas atividades de passatempo dão muitas alegrias a José Silva. Uma delas é a organização de passeios e concentrações de pasteleiras, as bicicletas antigas de que ele tanto gosta.
“Certo dia, ao participar numa concentração dessas em Guimarães, eu gostei tanto que decidi implementar isso em Lousada e os convites e interessados apareceram de todos os lados” e por causa do sucesso disso já o convidaram várias vezes para ir à RTP e até foi à Bolsa de Turismo de Lisboa.

A concentração de pasteleiras no sábado da Festa Grande em Honra do Senhor dos Aflitos é algo que o orgulha e anima. O evento começou com algumas dezenas de participantes e já vai com mais de duas centenas. Mas o que gosta em especial nesta prática é “o rigor com que as pessoas se apresentam vestidas, recriando profissões de antigamente”. Neste aspeto, o senhor Silva deu o exemplo ao vestir-se de carteiro, profissão que antigamente se desempenhava de bicicleta.

PAIXÃO POR AUTOCARAVANISMO


“Até já vieram ter comigo pessoas de outras localidades para eu ajudar a organizar eventos destes e nós lá vamos, os aficionados das pasteleiras de Lousada, ajudar a implementar isto”. Um desses casos sucedeu em Celorico de Basto, que abraçou esta tradição.

Na vida particular de José Silva é de assinalar que celebrou 65 anos de idade nesta segunda-feira e comemorou com uma das suas atividade prediletas: passear.

Além das bicicletas pasteleiras, as auto caravanas são outra paixão a que José Silva se dedica. Ele e a sua esposa Alice já percorreram os quatro cantos de Portugal tripulando um veículo desses, desde 2019, ano em que aderiram a esta atividade. “Falta só conhecer quatro ou cinco concelhos”, afirma. É uma forma de conviver com outros aficionados deste tipo de turismo, que está em grande expansão.
“Em Lousada faz falta uma ASA, ou seja uma Área de Serviço de Auto caravanas”, chama a atenção este lousadense. Defende que apoiar este tipo de turismo seria certamente muito bom para o nosso concelho e para a região, sobretudo para a Rota do Românico, já que os praticantes de autocaravanismo são pessoas que gostam de cultura e gostam de conhecer monumentos e rotas de turismo. Diz quem sabe e quem já tem prática no fomento de um fenómeno turístico de grande impacto como são as pasteleiras.

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