por | 24 Abr, 2025 | Editorial, Editorial

Liberdade

É inevitável, neste momento, falar em dois temas: a morte do Papa Francisco e a liberdade trazida ao nosso país pelo 25 de abril. Cruzar as palavras liberdade e Papa Francisco é tão habitual, que o exercício de refletir sobre elas torna-se fácil.

O Papa Francisco foi um homem livre, com a sua ousadia e irreverência, tomou posição e enfrentou os mais poderosos dizendo o que pensava, sentia e vivia. Deixa como legado a procura da paz e a tentativa de tornar “todos, todos, todos” verdadeiramente livres. Ensinava, até, que não seria possível haver paz onde não havia liberdade de pensamento, de expressão e respeito pela opinião dos outros.

Ser livre, verdadeiramente livre, é sentir esta paz que permite a cada um manifestar a sua vontade, argumentar a sua forma de conceção do mundo e revelar aquilo que sente e pensa.

Acredito que era este o ideal de liberdade que nos trouxe o 25 de abril de 1974. Foi este o ideal de liberdade pelo qual aprendi e fui educado. Mas será que hoje, passados 51 anos, somos verdadeiramente livres? Será que poderemos dizer que vivemos verdadeiramente em paz?

Partilho que me faz espécie sentir membros da nossa comunidade esquivar-se de partilhar a sua opinião porque “nunca sabemos de quem podemos precisar”. O que tem uma coisa a ver com a outra?  Porque julgam que, por partilhar uma opinião, estariam a comprometer o futuro caso essa opinião fosse contrária à opinião de alguém? Principalmente se esse alguém tem algum “poder”. E quem tem esse “poder” não deveria servir todos de igual forma, partilhem ou não da sua opinião? Valerá a pena inibirmo-nos em “troca” de uma maior simpatia por parte de alguém?

Causa-me, também, muita estranheza a não tolerância de opiniões críticas sobre assuntos que a “massa” considera que não podem ser criticados. Extremar quase ao ponto de “se não estás connosco, estás contra nós” é simplesmente um ultraje aos valores da liberdade que abril nos trouxe.

Felizmente, não temos todos que gostar do mesmo. É até positivo que haja opiniões diferentes sobre o mesmo assunto: poderá fazer-nos crescer, melhorar e consolidar aquilo que possamos pensar e fazer. Importa, então, cultivar esta forma de vivermos em sociedade. Este é o momento!

É o momento de promover a paz, vivendo a liberdade que abril nos prometeu! É o momento de cumprir o legado dos homens livres de 1974 e dos dias de hoje. 

É assim que pel`O Louzadense encaramos o nosso trabalho, sendo nos últimos 6 anos uma referência de liberdade. Parabéns a todos quantos contribuíram para este sucesso. Parabéns ao O Louzadense pelo seu 6º aniversário. 

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