A Keep It House é um projeto novo em Lousada. Não nasceu de um plano de negócios nem de uma ambição comercial. Nasceu onde nascem muitas ideias com alma: entre amigos, colunas de som ligadas e conversas longas com banda sonora.
O LOUZADENSE – Contem-nos sobre o surgimento deste projeto…
KEEP IT HOUSE (KiH) – Tudo começou por volta de 2015, durante a passagem pela faculdade em Bragança, quando um grupo de amigos de Lousada — ligados pela música e pela vontade de criar algo próprio — deu os primeiros passos num projeto digital independente. A KiH surgiu como uma plataforma de descoberta musical, focada em dar visibilidade a artistas com temas originais vindos de todo o mundo. Nesta entrevista a O LOUZADENSE os seus membrois falam das origens e desenvolvimentos deste projeto. A KiH produzia conteúdos audiovisuais próprios, criando vídeos originais que combinavam música eletrónica e imagem, com edição feita internamente. Cada lançamento era uma peça de identidade, onde a equipa dava vida visual a cada som, de forma criativa e pessoal. Foi nessa fase que surgiu o nome Keep It House — uma escolha simples, mas carregada de significado. Era uma referência direta ao estilo musical que nos movia, mas também um manifesto de intenções: manter o som com identidade, manter o processo artesanal, manter tudo “em casa” — verdadeiro, próximo, feito com gosto e com alma. O nome ficou — e tornou-se parte da essência do projeto.
Com o fim do percurso académico e o regresso a Lousada, os três fundadores originais seguiram rumos diferentes. Apenas um permaneceu na terra, mantendo viva a chama da KiH através de algumas festas pontuais, maioritariamente em formato clubing. Durante este período, a KiH entrou numa fase adormecida — não desapareceu, mas manteve-se discreta, à espera do momento certo para voltar com força.
Esse momento chegou quando um novo elemento vindo da Covilhã, agora a viver em Lousada, trouxe consigo uma ideia que encaixava de forma natural: misturar música eletrónica com gastronomia num formato de experiência sensorial completa. Foi da fusão dessas duas visões que nasceu o conceito Keep It House X Cooking.
Mas este renascimento da KiH não se esgota nesse formato — foi o clique que reacendeu a vontade de fazer mais, fazer diferente, e voltar às origens com novas ideias. Desde então, a KiH tem vindo a explorar club nights, experiências culinárias, festas ao ar livre e outros encontros, sempre com a mesma base: boa música eletrónica, espaços com alma e gosto genuíno por criar momentos que ficam na memória.
O LOUZADENSE – Em que consiste a KiH e que influências tiveram para avançar?
KEEP IT HOUSE (KiH) – somos um coletivo cultural que nasce da amizade, da partilha e de uma paixão comum pela música eletrónica, pela cultura independente e por experiências com significado.
Não seguimos fórmulas, criamos eventos com alma, desenhados à medida de cada espaço, de cada público e de cada momento.
A grande influência sempre foi o que nos inspirava enquanto ouvintes e participantes, as festas que deixavam marca, os projetos independentes que faziam diferente, os espaços que nos faziam sentir em casa. Tudo aquilo que, ao longo dos anos, nos tocou de forma mais autêntica, desde labels DIY que descobríamos online até encontros underground em que o som, a estética e o ambiente estavam em perfeita sintonia.
As primeiras ideias surgiram ainda durante a faculdade, em Bragança, quando começámos a explorar a produção de conteúdos audiovisuais ligados à música eletrónica. Esse espírito de descoberta, de criação e de partilha está na base da KiH até hoje.
Não somos só promotores de eventos, somos pessoas que procuram criar momentos com identidade, onde a música é sempre o ponto de partida, mas nunca o limite.
Cada evento que fazemos é diferente, pode ter gastronomia ou não, pode ser ao ar livre ou num clube, pode ser de dança ou mais intimista. O que interessa é que tenha intenção, estética, e uma ligação emocional com quem participa.
O LOUZADENSE – Quem faz parte e o que desempenham?
KEEP IT HOUSE (KiH) – A equipa da Keep It House é feita de uma combinação improvável e afinada de pessoas que, à partida, não tinham a música no seu percurso profissional, mas encontraram nela um verdadeiro refúgio de paixão.
Temos um engenheiro eletromecânico que transforma a cozinha num laboratório criativo, um engenheiro de energias renováveis que mantém a energia das festas, e um data engineer que equilibra dados e música eletrónica — um deles produz há quase uma década, com faixas já na Antena 3.
Juntam-se uma médica veterinária, organizadora do maior congresso ibérico da área, e um médico de família sempre pronto a receitar boa disposição.
E claro, o nosso homem do aeroporto: trabalha no Porto, mas está sempre pronto a levantar voo connosco — e não é só pelas malas.
A Keep It House é feita deste núcleo, mas vive muito para além dele. Contamos com uma rede de amigos e colaboradores que se juntam quando faz sentido: artistas visuais, designers industriais, engenheiros informáticos e até pais com muita experiência, sobretudo em lembrar que no tempo deles é que era. E talvez até fosse. Mas agora é Keep It House.
O LOUZADENSE – Os eventos do tipo Sunset e outros do género estão na moda e a chegar a Lousada cada vez mais? É um dos vossos objetivos?
KEEP IT HOUSE (KiH) – Não fugimos às modas, mas também não nos deixamos definir por elas. A verdade é que o formato sunset, tal como outros eventos ao ar livre mais descontraídos, encaixa naturalmente na nossa forma de estar: música em boa companhia, espaços com personalidade e aquele instante em que a luz, o som e o ambiente se alinham e fazem tudo valer a pena.
Se está na moda? Está.
Mas seguir modas nunca foi o nosso objetivo. O que nos move é criar momentos com identidade.
Lousada está mais do que pronta. O que falta é quem ouse fazer diferente.
Queremos sunsets com substância. Onde a música é boa, o ambiente é cuidado, e cada detalhe foi pensado para que cada pessoa se sinta parte de algo. Não é só festa, é cultura, é estética, é proximidade.
Se tiver um pôr do sol, melhor. Se tiver nevoeiro, também serve. O que importa é que é KiH. E isso muda tudo.5.
O LOUZADENSE – Quando é a estreia e que tipos de eventos estão a pensar fazer?
KEEP IT HOUSE (KiH) – A estreia da KiH aconteceu no mundo do clubbing, com uma série de festas organizadas pela KiH ou em colaboração com outros coletivos. Foi assim que começámos a ganhar presença na cena local, criando noites com música eletrónica de qualidade e uma proposta cuidada.
Com o tempo, a KiH foi evoluindo e explorando novos formatos. Fizemos festas no Pelourinho Rooftop em Lousada, e edições especiais na Fábrica da Biga, também em Lousada — entre elas, a edição de Carnaval dedicada ao Brasil e a “Tokyo Edition” com comida tradicional japonesa, integrando música e gastronomia de forma mais orgânica.
Além disso, lançámos uma série de episódios no nosso canal, onde experimentamos o lado mais criativo, como aquela edição em que criámos um prato enquanto tocávamos um set 100% improvisado, juntando música e cozinha numa mesma improvisação ao vivo.
Quanto ao futuro, temos muitas ideias e projetos em cima da mesa. Já fizemos propostas e estamos à espera das respostas. A vontade está toda cá, só nos faltam as asas para voar.
O LOUZADENSE – Que tipos de música tem o vosso projeto?
KEEP IT HOUSE (KiH) – A música na KiH é essencialmente eletrónica, com um foco especial em estilos como o house, tech house e techno, géneros que se interligam naturalmente e que trazem uma energia envolvente, tanto para quem gosta de dançar como para quem aprecia a riqueza sonora e as camadas que estes estilos oferecem.
O nosso objetivo é criar uma experiência musical autêntica e distinta, que desafie as escolhas mais convencionais e que abra espaço para descobertas. Valorizamos a qualidade e a originalidade em cada seleção, construindo sets que acompanham o espaço e a energia do público, sem recorrer a fórmulas previsíveis.
Sabemos que há quem prefira estilos mais populares e com outra abordagem sonora, e essa diversidade é sempre bem-vinda. A KiH é um convite para quem quer experimentar algo diferente, para expandir horizontes e para viver a música eletrónica num registo mais pessoal e aprofundado.
Por isso, criámos um espaço aberto a todos, onde o som é curado com atenção e respeito, e onde cada evento é uma oportunidade para explorar novas sensações e criar memórias que vão para além do habitual.













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