por | 24 Abr, 2026 | José carlos Silva, Opinião

Carlos Nunes foi eleito líder do PSD/Lousada a 28 de fevereiro. Herda um partido arredado do poder desde 1989 – longos 36 anos na oposição. Não vai ter tarefa fácil. Terá quatro anos para delinear um projeto alternativo ao PS/Lousada e convencer os lousadenses de que é uma alternativa credível. Carlos Nunes, na minha modesta opinião, é a figura do PSD/Lousada mais bem preparada para suceder ao carismático Leonel Vieira.

Este último, assim como outras figuras preponderantes da família laranja, já atingiu a condição senatorial. Carlos Nunes é, pois, aquele que reúne mais condições para se postar como líder da mudança. Carlos Nunes tem um desafio espinhoso pela frente, daí ter de posicionar o partido que lidera numa realidade política a que não pode fugir – ultrapassar a sina de mais de três décadas sem conhecer a vitória em eleições autárquicas. Para o concretizar tem de delinear um projeto vencedor no curto e médio prazo, obedecendo a uma estratégia mobilizadora e clara; investir na captação e mobilização dos abstencionistas; atrair o eleitorado jovens (redes sociais); renovar o partido com quadros oriundos da sociedade civil; conquistar e potenciar os setores mais dinâmicos do concelho (económicos, culturais e sociais) e finalmente, munir-se de uma máquina comunicacional profissional, eficaz, rigorosa e mobilizadora.

Há fatores externos que podem beneficiar o projeto alternativo delineado ou a delinear. O fator do partido Chega: basta que em 2029 triplique os resultados eleitorais de 2025 e que mantenha o apetite de os alienar à esquerda. Há também outro fator: os eleitores abstencionistas, que têm aumentado eleição após eleição. O partido que conseguir mobilizá-los poderá obter um melhor resultado eleitoral. Pela leitura e análise dos resultados eleitorais de 2021 e 2025, o Chega tem sido o mais eficaz neste exercício.

Por outro lado, o PS, em 2025, obteve uma votação similar à de 2021, apesar do acréscimo de eleitores inscritos e da diminuição da abstenção. No mesmo contexto, de referir que o PSD regressou à sua posição natural, em número de votos, de percentagem e mandatos (Câmara Municipal). Vide «O Efeito do partido Chega» – série de artigos publicados em parte no «O Louzadense» e no seu todo nas redes sociais e páginas do meu perfil (Facebook). É evidente que existirão (existem) outros fatores imponderáveis que poderão influenciar todo o processo estruturante do projeto alternativo de conquista do poder, que será delineado. Liturgia política que será cumprida.

O óbvio ululante: nada de sonhos ou de ilusões, apesar da evidência de que quem «Não sonha não constrói.» Portanto, pés bem assentes na terra e nunca ceder à tentação de desviar-se do objetivo delineado: ser poder. Porque «ser poder» é o desafio para quem é líder de um partido. E depois de o obter: mantê-lo.

Diário, 6 de março de 2026.
José Carlos Silva

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