Os segredos da «Broa de Lousada»

Era jovem quando uma vizinha lhe ensinou a fazer broa de milho. Os segredos e truques, foram guardados na memória de Maria Albertina, mais conhecida por Tina Martins. “Não tenho nada escrito, é tudo a olho e já vai da prática de muitos anos”. A temperatura do forno, o tempo de levedura, as doses dos ingredientes, é tudo resultado da prática de muitos anos. Na semana passada ganhou o primeiro prémio do concurso de broas de milho na AGRIVAL, Feira Agrícola do Vale do Sousa. “Agora até aparecem pessoas de fora do concelho a comprar”, revela.

Em Lousada há bons produtores «particulares» de broa de milho. É a «broa caseira», assim chamada para se diferenciar da «broa industrial», que é produzida pelas padarias. Uma dessas broas foi premiada na semana passada na Agrival. Fomos falar com a produtora, para saber que segredos guarda e quais são as características que fazem da sua broa uma das mais procuradas.

A arte da cozinha não tem segredos para esta lousadense de Boim, que aprendeu essas lides desde muito cedo na Casa da Fonte. Ali serviu na cozinha e na lavoura para Maria Margarida Castro Meireles Machado, irmã do Bispo D. António Meireles. Esteve lá dos 11 anos até ser adulta. Mais tarde, empregou-se num restaurante da Vila de Lousada.

A receita foi aprendida “de cabeça, sem escrever nada”, a partir dos ensinamentos de uma antiga vizinha, que era conhecida por Miquinhas Salverainha, que vivia no lugar da Ameixoeira, em Boim.

Maria Albertina revela que atualmente produzem “uma média de 50 broas por dia”. Admitem que a fama que a broa está a ganhar pode aumentar esse número.

Para as broas estarem no mercado de manhã cedo, ela e o seu marido, Manuel Ribeiro, têm que se levantar de madrugada. À sexta-feira e ao sábado levantam-se ainda mais cedo que nos outros dias, pois a produção é maior. “Às 3 horas da manhã estamos a pé para começar a preparar as coisas”, diz Maria Albertina. Diz que pelos santos populares a procura aumenta bastante. “É uma broa muito procurada para convívios de famílias e passeios de amigos”, acrescenta a padeira.

Albertina e Manuel dizem que não há propriamente segredos mas sim “uma prática que se ganha ao longo dos anos” e que permite fazer tudo sem seguir nenhuma lista ou nenhuma receita. “É tudo mais ou menos a olho, conforme o que é habitual fazer”, acrescenta. A temperatura do forno é um dos aspetos mais importantes, mas nem mesmo aí estipulam uma temperatura exata. “É conforme sentimos o calor, assim como o tempo de levedura, que se calhar é o mais importante de tudo e é outra coisa que não é medida com relógio, é conforme a prática que já tenho”, refere Maria Albertina.

REGISTAR A PATENTE DA «BROA DE LOUSADA»

A broa em questão tem várias particularidades que a fazem tão apreciada e isso decorre da qualidade dos ingredientes. “Um dos segredos é o milho que usamos e que é produzido por nós, nos nossos campos”, declaram. Na sua propriedade existem todos os apetrechos para o cultivo, apanha do milho e respetivo tratamento e armazenamento, até à moagem final. Também a parte da preparação e produção da broa está repleta de meios e materiais para uma produção em série. Até há poucos anos, “era tudo (feito) à mão, mas com o aumento das encomendas tivemos que introduzir maquinaria”.

Pode não haver nada escrito, mas o sistema está bem montado e rotinado para produzir «a melhor broa de Lousada». Isto é dito assim por ter sido a broa que venceu o concurso referido. Ainda não tem nome, “mas estamos a pensar batizar a nossa broa e dar-lhe um registo oficial”, dizem Albertina e Manuel.
Lembram que, há oito anos, “no tempo da doutora Cristina, ex-vereadora da Câmara de Lousada, já ganhamos um primeiro lugar do concurso de broas, que ela organizou numa feira de produtos locais em Lousada”. Nessa ocasião foi dada a Albertina e Manuel a sugestão de registar o seu produto como «Broa de Lousada». Dizem que “talvez seja esse o nome oficial que lhe vamos dar”.
A afamada broa está à venda no mercado da Cooperativa Agrícola de Lousada e outros estabelecimentos comerciais de Lousada. “Estamos a expandir aos bocadinhos e já temos entregas em Felgueiras e estamos a ver uma possibilidade de colocar também em Penafiel”, dizem os produtores.

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