por | 9 Set, 2025 | Uncategorized

Banco Montepio contesta Plano de Recuperação da Adega

ADEGA EM BOLANDAS EM TEMPO DE VINDIMAS

A situação económica e financeira da Adega Cooperativa de Lousada motivou a elaboração de um Plano Especial de Recuperação, supervisionado por um administrador nomeado pelo Tribunal. Há um milhão de euros em dívidas, mas aquele plano de revitalização foi aprovado pelo Tribunal. Contudo, um dos principais credores, o Banco Montepio, interpôs um recurso de contestação. Enquanto isso, a época das vindimas está a decorrer e os sócios da Adega têm perspetivas de receber o dinheiro das suas uvas ali entregues este ano, devido à entrada em cena de um privado que vai explorar as instalações e equipamentos da Adega.

Em plena época de vindimas, a vida da Adega Cooperativa de Lousada continua em bolandas. Numa reunião de associados para definir o plano de entrega de uvas desta temporada de vindimas, os ânimos exaltaram-se e o presidente da Direção apresentou a sua demissão do cargo. Alguns sócios presentes nesse encontro disseram que estavam na disposição de assumir uma Comissão Administrativa em caso de demissão da Direção. Um desses associados, Rui Freire, disse ao O Louzadense que “infelizmente não se concretizou essa oportunidade de dar um rumo novo à Adega Cooperativa, pois o presidente da Assembleia Geral, Eng.° Morais Fernandes, não aceitou a demissão do Eng.° Couto dos Reis, presidente da Adega, alegando que há eleições dentro de três meses”.

Outro associado que esteve presente na referida reunião, e pediu anonimato, disse que “a Adega bateu no fundo, com um milhão de euros de dívidas e muito dificilmente se vai reerguer com esta Direção e este tipo de atuação”.

A época de vindimas está a decorrer e os sócios da Adega não recebem o dinheiro das suas uvas desde 2022, o que constitui uma importante fatia da dívida global. Mas uma estratégia foi encontrada por aquela entidade vinícola lousadense: concessionou as instalações e os equipamentos a um privado que vai explorar a recolha de uvas dos associados. Desta forma parece que estão dadas garantias de que, desta vez, os produtores de uvas vão receber o valor da respectiva venda.

“Isto só mostra que a Adega não tem capacidade de funcionamento e com esta concessão à exploração privada, perde oportunidade de fazer receita para fazer face ao imenso déficit que está a estrangular a Adega”, referiu Rui Freire. Este insistiu que “continua a haver um grupo de associados que estão dispostos a lutar pela sobrevivência desta emblemática instituição lousadense”.

BANCO ALEGA IRREGULARIDADES NA APRESENTÇÃO DO PER

O Plano Especial de Recuperação apresentado pela Adega ao Tribunal Judicial da Comarca do Porto Este (Amarante) foi aprovado, mas está a gerar contestação. Um dos opositores é o Banco Montepio Geral, que é credor da Adega Coopertiva de Lousada em cerca de 220 mil euros. Num recurso à homologação daquele Plano, a que O Louzadense teve acesso, a entidade bancária refere na contestação que “não se conformando com a douta sentença homologatória do PER proferida nos autos, vem dela interpor o competente recurso, o qual é de Apelação”. Refira-se que um recurso de apelação é um instrumento jurídico para contestar uma sentença de um juiz de primeira instância, permitindo que um tribunal superior reexamine a decisão. O banco em sede de elaboração do PER e respetiva votação de credores votou contra a viabilidade da Adega e pede a sua insolvência.

Na base daquela contestação está “a votação apresentada pelo Administrador Judicial Provisório na medida em que, qualquer votação que tenha ocorrido, não incidiu sobre a versão final do Plano de Revitalização depositada no tribunal a 4 de Julho”.

Por conseguinte, acrescenta a contestatária que “mal andou o Tribunal a quo ao aceitar o computo dos votos emitidos em momento anterior à junção da versão final do Plano de Revitalização”. Ou seja, o banco alega que os credores votaram um documento que não aquele que foi enviado ao Tribunal. Até à hora de fecho desta edição não conseguimos obter o parecer dos dirigentes da cooperativa acerca destes factos.

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