por Alberto Ribeiro Torres
Candidato da CDU à Câmara Municipal de Lousada
Lousada é um dos concelhos mais jovens do país. Este facto deveria ser motivo de orgulho e de oportunidade, mas a realidade revela outra face: a maioria dos nossos jovens é obrigada a procurar trabalho fora do concelho ou até a emigrar. Os que ficam enfrentam salários baixos, contratos precários e enormes dificuldades para conquistar autonomia. O maior obstáculo chama-se habitação. A especulação imobiliária e a escassez de oferta fazem disparar os preços, tornando incomportável a compra ou o arrendamento.
No final de 2024, o preço médio dos apartamentos em Lousada já ultrapassava os 1.500€/m2 — um aumento de 19% em apenas um ano. Como podem os jovens sair de casa dos pais ou constituir família nestas condições? A este problema junta-se outro, crónico: Lousada continua a ser um dos concelhos com menor rendimento per capita da Área Metropolitana do Porto. Com salários baixos e precariedade laboral, os jovens de hoje correm o risco de serem ainda mais penalizados no futuro, inclusive no acesso às pensões. Estamos a criar uma geração condenada a viver pior do que a anterior.
É verdade que a Câmara anunciou algumas habitações em freguesias como Vilar do Torno, Boim, Nevogilde, Sousela e Meinedo. Saudamos cada passo positivo, mas não podemos esquecer que, em mais de 35 anos de governação, pouco foi feito para enfrentar este problema estrutural. Também não se ouviram críticas ou propostas sérias do PSD, o único partido da oposição com assento na Assembleia Municipal. Do lado do Governo, foi anunciado o projeto “Hans Isler”, com 45 habitações de renda acessível no centro de Lousada. O projeto foi aprovado, mas o concurso nunca saiu do papel. É legítimo perguntar: perderam a voz os candidatos do PS e do PSD? Exigir o cumprimento destas responsabilidades não custa nada aos cofres municipais, mas pode mudar o futuro do concelho.
Enquanto a construção privada avança, os preços continuam fora do alcance da maioria. Sem respostas estruturais, os jovens e os lousadenses com maiores fragilidades económicas continuarão sem alternativas. A construção de habitação em Lousada, está destinada aos que mais podem ou para os endinheirados que vêm de fora do Concelho. É por isso que a CDU defende uma solução concreta: a criação de uma Cooperativa de Habitação, com participação da Câmara Municipal, dos empresários e dos cidadãos de Lousada. Só com medidas estruturais, transparentes e participadas será possível garantir habitação digna para todos e assegurar que o futuro da juventude em Lousada não seja apenas uma promessa adiada.














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