Viver numa Estrutura Residencial para Pessoas Idosas, num Lar residencial ou num Centro de dia, implica deparar-se diariamente com a sensação de abandono e de perda, pelo menos é isto que os idosos muitas vezes sentem quando confrontados com esta realidade.
Quer isto dizer que muitos idosos são obrigados a viverem e morrerem longe de casa e que nem sempre é por culpa dos familiares, mas sim pela ausência de condições das famílias e da sua estrutura que as impossibilita de tratar dessas pessoas que se encontram em fim de vida.
É triste e é infelizmente uma realidade. A maior parte das famílias não têm condições para tratar convenientemente dos seus idosos e enviar estas pessoas para cuidados externos à família é muitas vezes a melhor / única opção.
Desta realidade advém mais e mais problemas associados ao bem-estar do idoso, entre esses problemas está a sensação de abandono vivida pela pessoa na terceira idade e a falta de aconchego num lar que já foi o seu.
É difícil para muitos de nós concebermos que um dia iremos ter de lidar com este assunto, sem fazermos ideia do que nos espera, tanto em termos de cuidadores de pais ou avós, ou mesmo quando chegar a nossa vez de enfrentarmos esta posição.
Numa sociedade em que todos os elementos da família trabalham, onde não há espaço, nem tempo para se ser cuidador informal, onde o mundo gira à volta do dinheiro e do poder de compra, é cada vez mais usual deixar-se de lado o que não se pode ultrapassar.
Ou seja, facilmente há a desvinculação da pessoa idosa, que fica à sua mercê e se vê desamparada num mundo que já não é seu.
Marina Sofia Ferreira
Psicóloga













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