O Município de Lousada acaba de embelezar ainda mais a sua recheada vitrine de troféus e menções dos mais diversos âmbitos, nomeadamente no Desporto e no Ambiente. O mais recente foi verdadeiramente uma surpresa e veio da Federação Nacional dos Apicultores (FNAP). A entidade que promove em Portugal a produção de mel organiza, desde 1996, o concurso anual ERVAS POR CORTAR, ABELHAS A TRABALHAR, e que nunca foi atribuído a um Município do distrito do Porto. Por isso, a atribuição do galardão a Lousada foi uma surpresa e engrandeceu ainda mais a vitória lousadense neste concurso.
A autarquia lousadense já era conhecida pela sua prática ambiental amiga das abelhas, mas agora será ainda mais. O departamento do Ambiente do Município já costumava retardar ao máximo o corte das ervas daninhas e das plantas silvestres nos jardins públicos e rotundas, nos canteiros e parques, para que proporcionassem alimento e matéria-prima às abelhas na sua labuta nas colmeias. Mas agora levou para outro patamar essa colaboração com a Natureza e deixou crescer as ervas e plantas nos telhados dos edifícios públicos.
Os Paços do Concelho exibem na parte superior da frontaria avantajadas espécies da flora para municiar os buliçosos insetos no seu afã laborioso da produção do viscoso e dulcíssimo néctar. Tal decisão foi decisiva para o júri da FNAP atribuir o prémio a Lousada.
Num mundo onde o jardim perfeito ou o telhado aparado ainda é tratado como símbolo máximo de respeito próprio, há um pequeno exército de plantas humildes a pedir… um bocadinho de calma com o corta-relvas, com as tesouras e com os ancinhos. As chamadas “ervas daninhas”, como dentes-de-leão, serralha ou trevo, são, na verdade, das primeiras a florescer no início da primavera, oferecendo néctar e pólen numa altura em que o menu floral ainda está longe de ser variado. Para as abelhas, isto não é detalhe: é literalmente a diferença entre um pequeno-almoço reforçado e um jejum forçado.
E não são só as abelhas melíferas que agradecem. Abelhas nativas e outros polinizadores — menos mediáticos, mas igualmente importantes — encontram nestas flores espontâneas um recurso precioso. Ou seja, aquele “mato” que tantas vezes é visto como negligência pode, afinal, estar a funcionar como uma espécie de cantina comunitária para insetos trabalhadores.
A lógica estende-se ao próprio conceito de jardim. Trocar um relvado uniforme por alguma vegetação espontânea não é sinal de desleixo, mas antes um contributo direto para a biodiversidade. Mais espécies de plantas significam mais vida, mais equilíbrio — e, ironicamente, menos monotonia verde.
Com a chegada de março e abril, meses em que as abelhas despertam e voltam à atividade, a recomendação é simples: deixar a relva crescer um pouco mais pode ser um gesto pequeno para quem olha da janela, mas é um verdadeiro plano de sobrevivência para quem anda a zumbir cá fora. Afinal, às vezes, cuidar da natureza começa por… não fazer nada.













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