por | 7 Abr, 2026 | Editorial, Editorial

Editorial 161 | Homens Normais

É certo que a intempérie dos últimos tempos tirou um pouco de atenção de uma 2ª volta presidencial que, à partida, seriam favas contadas para António José Seguro, agora legitimado pelos portugueses como Presidente da República.

“Seguro é um homem normal” – dizia Álvaro Beleza no início de dezembro, quando as sondagens eram pouco favoráveis ao candidato que apoiava. Acrescentava ainda: “isto não vai lá com um super-homem”.

Gosto de ouvir Álvaro Beleza, apesar de muitas das vezes não estar de acordo com as suas múltiplas opiniões, mas, neste momento, julgo que não poderia estar tanto de acordo com ele. Não pela questão de Seguro ser um homem normal, apesar de concordar com isso, considerando-o homem modesto, humilde e trabalhador. Concordo, sobretudo, que “isto não vai lá com um super-homem”. E “isto” é o nosso país, a nossa terra, a nossa comunidade.

Mais de que nunca, precisamos de homens e mulheres normais, que coloquem ao dispor dos outros o pouco do melhor que sabem fazer. Homem e mulheres normais que se destaquem pelo impacto das suas ações e não pelo marketing que promovem na realização das mesmas. Homens e mulheres normais que agem silenciosamente, sem precisar de holofotes, com convicção e sobretudo com um espírito de comunidade infindável.

Homens e mulheres moderadas nos valores, que desprezem o populismo e a celeridade com que vivemos cada momento, e que vejam mais longe e que percebam mais longe, catapultando-nos para um patamar societário mais integro e proveitoso para todos.

Num outro quadrante, Lousada despediu-se nestes últimos dias de um desses homens normais, que tive oportunidade de conhecer, e não tendo privado com muita intimidade, privei o suficiente para perceber que na sua normalidade muito fez, tendo criado um impacto tremendo na nossa sociedade local. Joaquim Oliveira, para mim eternizado como “Sr. Oliveira Estofador”, era um homem despretensioso, singelo e labutador.

Homem de palavras sábias, convicto, contou-me o seu passado político, mostrou-me o seu empenho como empresário, apresentou-me o impacto das nossas ações na comunidade, expôs-me o espírito e a união da família, fez-me pensar e acreditar que ainda existem homens bons, fazendo-me querer que:

Fazem muito falta mais homens e mulheres normais a Lousada e ao nosso País!

O Louzadense presta nesta edição uma pequena homenagem a este homem normal e bom, que em vida não tivemos oportunidade de retratar e atribuir o título de Grande Louzadense que tanto mereceu.

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