A cada dia que vivemos, damos como incerto o desfecho dos conflitos mundiais, que nos afetam indiretamente, vivendo com o receio se o mesmo ainda nos envolverá ou não de forma mais direta. Quando um conflito parece estar a terminar, dois ou três novos começam, assistindo diariamente nas notícias que temos guerras a ser combatidas em quase todos os cantos do globo, que é cada vez mais obtuso e menos redondo.
É realmente um caso bicudo: em pleno século XXI, a moderação foi substituída pelo radicalismo, o diálogo pelo barulho das explosões, a paz pela guerra. Aqueles que geraram filhos no período da guerra fria, talvez fossem lidando com o receio de ver os seus filhos um dia terem que partir para a guerra. Com o passar dos tempos, esse receio foi-se esbatendo, tendo o mundo alcançando uma paz geradora de conforto e despreocupação.
Eu nasci mesmo no fim da Guerra Fria, e cresci com a certeza que certamente nunca precisaria de prestar serviço militar, a não ser que essa fosse a minha vocação. Cresci a considerar que a guerra apenas tinha existido no passado, encontrando-a só nos livros de História, aprendendo que a mesma, por norma, nunca beneficia ninguém. Cresci a achar que a guerra na atualidade era apenas obra de ficção criada pelos homens nos filmes de Hollywood.
Hoje sou Pai, e não tenho a convicção de que os meus filhos possam viver o seu futuro com tanta certeza como eu vivi! Não sendo velho, acho que dificilmente terei que me preparar para de alguma forma combater ou defender os nossos valores de forma mais ou menos militarizada; mas será que os meus filhos terão a mesma certeza?
A guerra evoluiu, é cada vez mais tecnológica e robótica, mas não deixa de ser guerra, até porque continua a matar e a traumatizar aqueles que a combatem. De uma forma ou de outra, não terão as crianças de hoje de aprender a arte da guerra, seja ela mais ou menos mortífera? E quando falo em aprender a Arte da Guerra infelizmente não falo em estudar o livro de Sun Tzu, que apesar de falar de estratégia de guerra, pode trazer ensinamentos para o sucesso individual e coletivo.
Falo da arte que de artística tem muito pouco, que é abstrata, mas precisa no impacto deixado na vida de quem as luta. Só espero estar enganado, e não ter de estar a criar hoje os militares do amanhã.












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