Nasceu em Lousada, em 1979, onde permaneceu até ao final da escola primária. Com 42 anos, vive para Deus e em função de Deus, tocando no coração dos fiéis. Desde 2019, é pároco no Bairro da Boavista, em Lisboa.
Nascido na vila portuguesa do distrito do Porto, Lousada, no ano de 1979. “Foi em Lousada que cresci e fiz os primeiros anos da escola”, introduz o Padre Ricardo Freire. Entrou no ensino primário, frequentando a antiga Escola dos Bombeiros, ainda os seus pais habitavam em Lousada. Todavia, já no final dos quatro anos obrigatórios, os seus progenitores haviam-se mudado para Beire, no concelho de Paredes.
A mudança de uma terra para a outra, apesar de tão próximas, não fez com que o P. Ricardo abandonasse o sentimento que nutria pela vila das camélias. Embora, literalmente, o tenha feito, a ligação que mantinha com esta não permitiu que lhe perdesse o afeto.
Destaca a tranquilidade e a serenidade como duas características intrínsecas de Lousada, após tantos anos de ausência física. “Ainda hoje me dá gosto seja caminhar pelas ruas de Lousada, seja passar apenas de carro”, afirma o Padre. O grande simbolismo deste para com a sua terra de nascença é representado pelo batismo.
Infância
Segundo o P. Ricardo daquilo que hoje se conhece como infância, a do mesmo fica eternamente ligada a Lousada. Os amigos feitos neste tempo de ingenuidade, permanecem nos dias de hoje.
Apesar de nunca ter trabalhado na área da agricultura, é proveniente de uma família ligada ao campo, possibilitando-lhe uma liberdade diferente. Vivia à semana com a sua avó e o contacto com os primos que residiam a poucos metros abaixo, na Quinta de Pinheiro, permitiu uma infância sempre relacionada ao ambiente rural. De acordo com o mesmo, “Lousada juntava o ambiente urbano ao rural muito rapidamente, sendo essa mistura muito boa.”.
Considera que os ingredientes que fizeram a sua infância feliz foram, essencialmente, a família, a escola, os amigos e os dois meios acima referidos.
“Desta infância alegre faz parte uma ligação muito grande ao Senhor dos Aflitos, em Lousada e, mais concretamente, à pessoa de Padre Emílio Ramalho Vieira da Silva.”, afirma. Assume que a sua escolha pela vida sacerdotal se prendeu pelos modelos que observava em criança. O seu intuito, nesta fase de vida, era ser um Padre como o Padre Emílio sendo a sua inspiração. Conforme dito, a sua vocação surgia quase da imitação deste.
Hoje em dia, além de Padre exerce também a atividade de professor. E, da mesma forma, que seguiu um modelo para enveredar pelo caminho de Deus para lecionar aconteceu o mesmo. A paixão pelo ensino surgiu com a sua professora primária, Maria José, que segundo o P. Ricardo, colocava nas aulas todo o empenho necessário o que o fazia querer ser como ela no futuro.
“Ironia do destino escolhi a via sacerdotal, mas depois o ensino havia de vir-me parar às mãos, podendo conjugar essas duas dimensões”, conclui.
Formação
Entrou no Seminário, em Rio Tinto, quando tinha 12 anos. Neste, começou a sua formação religiosa, permanecendo até ao último ano do 3º ciclo. “Posso dizer que depois de entrar no seminário nunca tive uma crise de dizer que ia embora, de desistir”, confessa o Padre. O facto de ter escolhido uma via muito específica dentro do sacerdócio motivou a que questionasse o caminho escolhido, se deveria ser padre de uma diocese, mais ligado às paróquias, ou ficar ligado a uma congregação, como aconteceu. “Quando não nos colocamos em causa é muito difícil que possamos saber se é esse rumo que desejamos na nossa vida”, sustenta.
No que diz respeito ao secundário, frequentou-o em Coimbra no Seminário da sua Congregação e, logo após estes anos, mudou-se para Aveiro. Começou a formação Teológica, a sua trajetória universitária, na Faculdade de Teologia em Lisboa. Iniciou a sua Licenciatura em Teologia, 1º grau canónico, em 1998 e concluiu-a em 2005. Passado um ano, rumou a Itália, especificamente, à cidade de Roma onde frequentou o Pontifício Instituto Bíblico de Roma, concluindo a Licenciatura canónica, 2º grau, em Sagrada Escritura.
O facto de ter crescido num ambiente que era típico das zonas mais rurais de Portugal deu-lhe a ideia que a obtenção de um curso superior era sinónimo de uma qualidade de vida melhor. E, foi justamente no Seminário, que segundo o P. Ricardo, os Padres fizeram-lhe compreender que todos os indivíduos são necessários na sociedade. “Um professor é importante, assim como, um carpinteiro”, salienta.
Considera que todos os estudos realizados foram fundamentais, sobretudo, para que conseguisse conhecer em profundidade tudo aquilo em que acredita. “A teologia ajuda-nos a pensar a realidade à luz daquilo em que acreditamos”, afirma o Padre.
O seu campo de estudos estendeu-se ainda às línguas consideradas mortas. Numa primeira fase, ao Latim e, mais tarde, ao Grego e ao Hebraico. Teve o prazer e gosto de ensinar estas duas últimas línguas quando vivia na cidade do Porto.
Missão em Moçambique
Na altura da sua ida para o Seminário, tinha bastante presente a noção devido ao medo sentido, que jamais seria missionário. Apesar do receio que carregava, embarcou dois anos depois para Moçambique. A escolha deste destino deveu-se ao contacto com missionários que estavam lá e também a uma pessoa de família. Dado isto, na hora de optar por um estágio, escolheu esta terra em vez da Madeira, do Porto ou de Madagáscar, igualmente possíveis escolhas. “Pedi com alguma ingenuidade e quase a desejar que não atendessem ao pedido de ir para Moçambique em missão.”, confessa o P. Ricardo.
Nos dois anos que esteve em Moçambique, trabalhou nas missões e, sobretudo, esteve ligado ao ensino. Lecionou na Escola Básica Industrial do Gurúè, na Alta Zambézia, que formava jovens eletricistas, mecânicos, serralheiros, entre outros. Ensinava matemática e assumiu funções de diretor pedagógico da mesma escola.
A apreensão e o pânico deram lugar à serenidade e, atualmente, procura manter contacto com os seus alunos de então graças às novas tecnologias, nomeadamente, às redes sociais. “Além da relação que se estabelecia a nível escolar, estabeleceu-se também uma relação de amizade que perdura até hoje”, remata o P. Ricardo.
Missão Sacerdotal
O Padre Ricardo Freire foi ordenado padre no ano de 2006, mas nunca trabalhou como pároco até 2019.
De 2006 até 2010 estudou em Roma e, foi durante esse tempo, que fez uma espécie de Erasmus. Consistiu num intercâmbio entre a sua Universidade de Roma e a Universidade Hebraica de Jerusalém, onde habitou cerca de quatro meses. Após isto, regressou a Portugal e esteve no Porto três anos. No entanto, voltou novamente para Roma. Este regresso foi com o propósito de estudar num curso de formadores de Seminários e para continuar com os estudos na área da Sagrada Escritura.
“Quando saí de Roma porque desejei e também porque me foi pedido fui chamado a ser pároco de São José do Bairro da Boavista, em Lisboa”, afirma o P. Ricardo.
Cargo de professor
Lecionou na Faculdade de Teologia, no Porto e em Braga entre 2010 e 2013, e em Lisboa entre 2019 e 2020 algumas disciplinas na área da Sagrada Escritura. “Lecionar acaba por ser uma segunda forma de exercer o sacerdócio que não se limita à celebração de sacramentos, sobretudo à celebração de missas, mas tem também esta dimensão de difundir aquilo que acreditamos.”, conclui o P. Ricardo.
Projetos futuros
Apesar de ainda não ter terminado os estudos, a parte final, o doutoramento, tem bem claro para si que um dia gostava de o finalizar.
O Padre afirma que Lousada é a terra do seu afeto, a terra onde cresceu e a terra onde se revê significativamente. A Igreja do Senhor dos Aflitos, na vila, ficará para este marcada como um lugar onde se sente bem e como diz, “em casa”.
“O meu projeto é estar disponível para aquilo que for o projeto de Deus para mim.”, conclui o Padre Ricardo Freire.





























Gostei muito de saber que o Padre Ricardo Freire é natural de Lousada, distrito do Porto. Também sou dessa linda terra, mais propriamente da freguesia de Aveleda. E também sou quase contemporânea do Padre António Emílio Ramalho Vieira da Silva que, já seminarista, ia à escola primária de Macieira onde fez o ensino primário, e ajudava a professora, que também foi minha durante 4 anos. Bons tempos! Fazia-o quando ia para férias do Seminário.
O Padre António Emílio está há vários anos internado no hospital de Lousada, onde já fui visitá-lo e penso que me terá reconhecido, quando lhe falaram no meu nome. Os nossos pais eram amigos.
Eu também sou religiosa do SC de Maria e vivo em Lisboa.