No coração de Lousada, uma família numerosa desafia os padrões convencionais ao procurar um equilíbrio invejável entre trabalho, vida familiar e viagens eco-friendly. Composta por Luísa Novais, Renato Luís e os seus quatro filhos, a família possui uma abordagem única para enfrentar os desafios diários e abraçar uma vida repleta de aventuras e laços familiares fortalecidos.
Em uma entrevista exclusiva, a família compartilhou as suas habilidades para conciliar o trabalho e a vida familiar, revelando como o desporto é o verdadeiro cerne, fortalecendo os laços e criando memórias inestimáveis.
Luísa Novais, de 41 anos, e Renato Luís, de 46 anos, residem em Lousada – vila onde o amor começou a florescer. “Quando éramos jovens foi o desporto que nos ligou, na medida em que nos cruzamos nas Piscinas Municipais de Lousada”, contam.
Ingressaram no ensino superior e aquando da conclusão tomaram a decisão de unirem-se – casar. A vida enquanto casal iniciou e, hoje, têm 4 filhos: Gonçalo, de 16 anos; Bernardo, de 12 anos; Francisco, de 8 anos e Martinho, de 6 anos. “Nenhum foi programado”, referem. De acordo com Luísa, após a primeira cria, jamais achavam que iriam voltar a ser pais porque sempre gostaram de organização e arrumação – tarefas difíceis com filhos. Contudo, os meninos foram surgindo.
Luísa é professora de educação física no ensino básico e, ainda, no ensino superior e Renato encontra-se na Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa na área do desporto e da educação. No fundo, o desporto é a verdadeira espinha dorsal de um estilo de vida harmonioso e, mais à frente, poderá verificar-se.
“A minha vontade era ter mais filhos, mas o Renato após o quarto filho disse que chegava”, refere Luísa. E, neste seguimento, refere a inversão de papéis pois na maioria das famílias é precisamente o contrário que acontece – a mãe não quer e o pai quer. Porquê? Porque, de forma geral, as mulheres participam mais nas tarefas de casa – situação que não acontece nesta família.

“A base é o facto de fazermos as mesmas coisas, ou seja, nem eu sou limitada em algumas tarefas ditas de homem e nem o Renato é limitado em algumas tarefas com conotação feminina”, clarifica Luísa a partilha de responsabilidades. Partilha esta que traduz-se nas necessidades e nos gostos, ou seja, que jamais assenta nos géneros.
Luísa e Renato fazem as mesmas coisas, permitindo-lhes uma flexibilidade em adaptarem-se às dificuldades e necessidades do dia-a-dia. Além do mais, os exemplos que os seus pais lhes deram foram fundamentais para adotarem esta postura com uma naturalidade fora do comum. “Eu sou filho de emigrantes e, muitas vezes, era eu que fazia ou acabava a preparação da refeição. Aliás, assisti ao meu pai a cozinhar”, conta Renato.
Desta forma, o casal acredita que os filhos vão estar bem preparados para o futuro pois assistem à desmistificação de preconceitos que estão enraizados na sociedade portuguesa. Questionados acerca de estratégias de conciliação da vida familiar com a vida laboral, de imediato, referem que não existem estratégias definidas. De que adianta fazer um planeamento semanal se diariamente pode ser adulterado? Questão que os encaminha a uma gestão diária para não entrarem em stress ou preocupações desnecessárias.
Estas políticas devem-se à simplificação e praticidade que operam no dia-a-dia pois foi algo que aprenderam no desporto – o cerne destas. “Somos pessoas práticas que nos leva, por conseguinte, a simplificar”, declaram.
Para além do referido, o casal realiza as atividades com os filhos. “Quando eram mais pequenos lembro-me de ir, muitas vezes, a pequenos seminários com eles ao colo”, conta Renato. Um exemplo que estende-se até aos dias de hoje pois, de acordo com este, pratica atividade física num ginásio com o Bernardo (12 anos) e os filhos mais novos (8 e 6 anos) acompanham-nos. No fundo, é importante deixar claro que os filhos não devem limitar aquilo que os pais desejam fazer.
“Se os pais não levam os filhos desde sempre nas saídas, eles não vão aprender a estar. Aliás, existem pessoas que nos questionam acerca do facto de os nossos filhos saberem estar numa mesa e a resposta é simples: porque sempre foram, mas não quer dizer que sempre se portaram bem”, reforçam.
As ambições desta família não param por aí. Inspirado pela preocupação com o meio ambiente, Renato decidiu incorporar a bicicleta elétrica na sua vida para facilitar as idas para o trabalho. Contudo, a bicicleta não surgiu por acaso e tratou-se de um processo progressivo. “Comecei a questionar algumas questões relacionadas com a sustentabilidade e a deslocação e, assim sendo, verifiquei que o meu horário laboral permitia-me dispensar a viatura móvel como meio de transporte”, explica Renato.
Primeiramente, começou a ir para Penafiel – cidade do seu local de trabalho – de autocarro e apercebeu-se dos custos-benefícios associados a este. De que adianta andar preocupado com as alterações climáticas e não mudar os hábitos? O que é certo é que Renato encontrou uma alternativa para contribuir para a sua pegada ecológica e, ainda, reduzir financeiramente a deslocação.
“Eu pagava 40€ de autocarro, com a possibilidade de utilização de segunda a domingo”, conta Renato. Além disto, a utilização do respetivo meio de transporte permitiu-lhe usufruir de certas coisas para as quais não tinha tempo, como ler. Passado algum tempo desta primeira decisão, começou a verificar que havia uma oferta muito grande de bicicletas elétricas.
Algumas questões inquietaram-lhe no início: será que a distância interfere? / será que chego transpirado ao escritório? … por estas inseguranças optou por falar com algumas pessoas da área que esclareceram todas as dúvidas, sendo que a bicicleta elétrica surge precisamente com a função de simplificar a vida dos demais.
Numa fase inicial, fazia a deslocação do centro de Lousada para Meinedo de bicicleta elétrica e depois apanhava o comboio para Penafiel. Até que se apercebeu da possibilidade de fazer a deslocação diretamente em pouco tempo e assim foi. “Demoro 35 minutos para o trabalho e 45 minutos para casa”, afirma.

Há 3 meses que tudo começou e, de acordo com o próprio, a experiência está a ser incrivelmente prazerosa e agradável. Este meio de transporte ecológico e eficiente permite-lhe explorar novos horizontes e proporciona-lhe momentos inesquecíveis de união com a natureza. Desta forma, não hesita em recomendar a outras famílias o uso da bicicleta elétrica mas salienta que é necessário não existir estigmas quanto a este tema.
“Vivemos numa sociedade com muitos dogmas e tenho-me apercebido disso, ou seja, as pessoas ridicularizam um bocadinho as coisas que saem do dito normal”, salienta Renato.
No final da entrevista, foram pedidos conselhos a esta família numerosa. Renato adianta que “havia alguém que dizia que os pais só têm 18 verões com os filhos, mas eu não preciso de esperar pelos meus 22 dias de férias para ser feliz com a minha família”. Por sua vez, Luísa procura salientar que o trabalho, a família e o lazer são tópicos que devem ser conciliados para que a dinâmica familiar funcione.
“Vivemos um dia de cada vez e desengane-se quem ache que não erramos no dia-a-dia, porém, decidimos encontrar uma simbiose e equilíbrio em tudo”, findam.













Muitos Parabéns, por esse estilo de vida tão interessante e saudável
Estou certa que os vossos filhos vos vão ficar eternamente gratos, por essas opções de vida!
Só vos posso desejar uma vida longa e sempre feliz.
Um abraço amigo.
Adriana Pais
Muitos Parabéns, por esse estilo de vida tão interessante e saudável
Estou certa que os vossos filhos vos vão ficar eternamente gratos, por essas opções de vida!
Só vos posso desejar uma vida longa e sempre feliz.
Um abraço amigo.
Adriana Pais