por | 8 Dez, 2023 | Finanças, Opinião

SENTIMENTO ECONÓMICO: OPTIMISMO OU REALISMO

Estamos a chegar ao final do ano e, urge efectuar uma aferição do mesmo e perspectivar o futuro.

O ano de 2023, para além do aumento das taxas de juros, a continuação da Guerra na Ucrânia e a nova Guerra no Médio Oriente entre outros efeitos, sentimos o aumento do custo de vida quando vamos às compras – mesmo que seja só o cabaz de compras essencial – pelo efeito da inflação ou quando pagamos a prestação dos empréstimos bancários.

A Comissão Europeia produz o Indicador de Sentimento Económico (ESI), com base num inquérito dirigido a empresas de diversos sectores de actividade (indústria, serviços, comércio, retalho e construção), bem como, aos consumidores da União Europeia e releva as expectativas dos consumidores e dos empresários em relação à economia.

O ESI apresenta valores superiores em Portugal do que na Zona Euro, eventualmente porque os portugueses andavam protegidos numa bolha artificial de optimismo, ainda que relativo, dado que o indicador apresentou na maioria dos meses valores inferiores a 100, o que reflecte um sentimento económico abaixo da média.

O sentimento económico foi-se deteriorando ao longo de 2023, sendo esta tendência mais significativa em Portugal (decréscimo de 8%) do que na Zona Euro (decréscimo de 6%), o que resultou numa convergência do ESI-Portugal e do ESI-Zona Euro nos últimos meses de 2023.

Olhando mais em pormenor, podemos verificar que Maio foi um mês de ajustamento do ESI. Face ao mês anterior, o indicador caiu 2,5% na Zona Euro e 3,2% em Portugal. Esta diminuição deveu-se à correcção por parte da oferta, tendo sido a indústria a primeira a mostrar-se receosa quanto ao futuro próximo, dado que, em termos de confiança, os consumidores não se deixaram abalar, apesar das taxas de juro elevadas, o que pode ter sido compensado por níveis baixos das taxas de desemprego e os aumentos salariais entretanto verificados.

A tendência decrescente e generalizada do ESI aponta para uma desaceleração económica na Europa. Eventualmente, estarão aqui, plasmadas as notícias menos favoráveis para 2024? Ou os portugueses estão mais realistas?

As perspectivas de consumo moderado (resultante do elevado custo de vida), o fim da medida IVA Zero no cabaz de alimentos no final de 2023 e o abrandamento do crescimento económico português em 2024, acompanhado de (mais) uma crise política, não se vislumbra um ESI optimista para 2024.

Espero estar enganado!

Ricardo Luís

Contabilista e Consultor de empresas 

* Escreve mediante o antigo acordo ortográfico

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