Tipologias – XV | Elementos Decorativos I
Os elementos decorativos, concebidos quase sempre em granito, são primaciais para o jogo da composição das fachadas e são indicadores exteriores de equilíbrio, de ordem e de dignidade, dado que «estes elementos ornamentais têm, vezes sem conta, na determinação compositiva das fachadas, onde podem tornar-se tão importantes ou mais importantes do que os componentes estruturados.»1 Aparecem colocados em pontos-chave da fachada da casa: frontão, capela e escadaria; e também surgem espalhados pela fachada e torre.

quadrifólios na fachada, acrotérios a sobrepujar a cornija, porta moldurada e de lintel
bilobado, janela moldurada e de lintel curvilíneo, uma fachada representativa de elementos
decorativos. Crédito: Casa de Juste. Em: https://www.facebook.com/casadejuste/?locale=pt_PT
Da análise das casas nobres verificou-se o uso frequente de ornatos: acrotérios/cordas/bolas/conchas/pingentes/pinhas/cruzes/flores/florão/frisos em losangos, quadrifólio, hexafólio, polifólio, carranca/urnas/fechadas/abertas/figuras de convite/ volutas/esfera armilar/merlão/folhas de acanto.
Há elementos que se encontram no coroamento das pilastras, engrandecem o conjunto edificado e auxiliam a delinear linhas de força «acentuando ritmos e direções significativas:”2 pináculos, pirâmides, urnas fechadas ou abertas e figuras de convite. As formas sinuosas, onduladas, e dilatadas das bolas, dos fogaréus e das pinhas contrastam com as formas geométricas das pirâmides. Assim, enquanto uns elementos destacam as formas naturalistas, outros tentam imprimir relevo às linhas verticais, conferindo imponência à casa. Também na base das pilastras aparecem volutas a decorá-las, de que é exemplo a Casa da Bouça. As volutas podem ainda ornar os pedestais das cruzes, como é visível na capela da casa do Ribeiro.

Os vãos apresentam, normalmente, moldura com lintel curvilíneo, exceção para a casa de Juste, com portada de lintel bilobado de arco crescente, na fachada Oeste e janela a Norte de lintel também bilobado. Ainda nesta casa, duas portas mostram incisões geométricas no lintel, tal como as colunas do alpendre exibem incisões medievais. Na parte terminal das escadarias surgem, por vezes, volutas, pináculos, fogaréus ou vasos, como podemos encontrar nas casas da Argonça, Renda, Bouça, Outeiro e Valteiro. Na face deste elemento arquitetónico também é usual aparecer expressão ornamental, como se nos depara em Valteiro.



Escadaria das casas de Argonça, da Renda e do Valteiro: volutas, pináculos e vasos, respetivamente, na parte terminal.
Existem também exemplos de esculturas nas casas, como em Argonça – quatro esculturas de granito, de vulto redondo, representando as estações do ano; no muro do portal que antecede o do terreiro, em Pereiró e Outeiro, integradas em edículas, estando a segunda enquadrada por uma concha. Na casa da Bouça encontram-se estatuetas no jardim.




Jardim da Casa da Bouça: Rios Tejo e Douro, e Primavera e Inverno. Créditos: Rosa Maria Oliveira.
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1 – QUINTÃO, José César Vasconcelos – Fachadas de Igrejas Portuguesas de Referente Clássico. Porto: Edição da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto. 2005, p. 34.
2 – ALCOFORADO, Diogo – A Igreja dos Terceiros do Carmo: Contribuição para uma leitura da sua fachada. Separata da Revista de História. Porto: Edição do Centro de História da Universidade do Porto. vol. III, 1979.
Obras consultadas:
1 – ALCOFORADO, Diogo – A Igreja dos Terceiros do Carmo: Contribuição para uma leitura da sua fachada. Separata da Revista de História. Porto: Edição do Centro de História da Universidade do Porto. vol. III, 1979.
2 – OLIVEIRA, Rosa Maria – Portões e Fontes do Concelho de Lousada.
Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, 2003, p. 63.
3 – SILVA, José Carlos Ribeiro da – As Capelas Públicas de Lousada. Seminário de Licenciatura em História-Variante Património. Universidade Portucalense Infante D. Henrique (Policopiada). 1997.
4 – SILVA, José Carlos Ribeiro da – A Casa Nobre no Concelho de Lousada, FLUP, 2007.
5 – QUINTÃO, José César Vasconcelos – Fachadas de Igrejas Portuguesas de Referente Clássico. Porto: Edição da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto. 2005.
José Carlos Silva
Professor / Historiador












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