Numa terra longínqua onde os emojis governam e os likes são moedas de troca, vive o temido Gestor de Redes Sociais. Imagine, caro leitor, um ser híbrido, metade humano, metade algoritmo, com um smartphone acoplado ao braço e um sorriso digital estampado no rosto.
Pois é, esse mesmo! Esse ser curioso que, entre todos os seus afazeres, passa grande parte do seu dia num labirinto de timelines, numa busca constante por mais um post e uma catapulta de partilhas nas diferentes páginas que gere. Um ser curioso, talvez predestinado para o cargo, pois a sua obsessão pelo reconhecimento social faz dele um ser com dedos ágeis, que deslizam sobre o teclado do seu smartphone com tal intensidade, quanto o anseio de obter um milhão de likes.
O Gestor de Redes Sociais é um mestre na arte de iludir o tempo e os mais distraídos. Ele domina o idioma dos memes e fala fluentemente em emojis. É o rei das conversões. Para ele, cada like é um troféu e cada partilha é um tesouro para o seu ego. Enquanto o mundo real lida com problemas mundanos, como a falta de emprego qualificado ou de transportes coletivos ou de habitações, ele enfrenta desafios épicos como responder a comentários, ativar avatars e bloquear trolls ressentidos.
Mas, caro leitor, tenha cuidado! O Gestor de Redes Sociais dispõe de um exército de séquitos obstinados a defenderem a sua honra e conquistarem os seus objetivos, nem que para isso recorram a jargões digitais e a estratégias de adulteração ou de combate aos comentários alheios desfavoráveis. Os incautos que tentam penetrar no seu domínio ou se aventuram a postar um comentário com um conteúdo mal estruturado são rapidamente devorados pela fera algorítmica.
Na próxima vez que colocar um like, comentar ou partilhar uma publicação, lembre-se do Gestor de Redes Sociais. Ele está lá a ver quem o faz, a identificar como o faz e a quantificar quantos o fazem. A forma como o faz pode ainda ser razão para ir espreitar o seu perfil, e procurar saber quem são os seus amigos e quantos o seguem.
Na verdade, temos todos de ajudar esse ser, dando-lhe o alimento que procura, mas com o cuidado suficiente para não cair no seu encanto, cometendo o risco de perder-se nas profundezas do algoritmo, onde não haverá volta substantiva, apenas a superficialidade enganosa dos likes.













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