Elementos Iconográficos na construção | Pedras de Armas da Casa Nobre de Lousada IV | Pedra de armas da Casa da Lama
Pedra de Armas – É um brasão em granito. Escudo peninsular. Elmo gradeado, voltado de perfil para a direita. O escudo encontra-se ladeado por dois motivos decorativos idênticos.1
Arranjo Heráldico: Escudo – Composição: partida. Leitura: afrontados – I – Matos (1) Um pinheiro arrancado, sustido por dois leões. II – Moura (2) Sete castelos postos 1, 2, 1, 2 e 1 esculpiram-se sete torres. Diferença: uma meia brica.

A pedra de armas «Matos e Mouras»2 (sem o timbre, por dificuldades encontradas pelo canteiro na sua elaboração) foi mandada executar e colocar na frontaria da capela pelo proprietário da Casa da Lama. Foi esculpida em 1980, pelo Mestre Pedreiro João Silva, natural do lugar de Roupar, freguesia de Lodares, concelho de Lousada (ascendeu a cem mil escudos o custo da obra). Serviu-lhe de modelo o brasão pintado no teto da sala da autoria de sua mãe, D. Maria Alice Pinto Garcês (1934),3 possuidora de elevada sensibilidade artística, senhora que foi da dita casa pelo seu casamento com o Doutor Augusto Pinto Coelho Soares de Moura (avós do atual senhor da Casa: Francisco Pinto Coelho Soares de Moura).

Documento: CBA (Carta de Brasão de Armas): No escudo do brasão temos as armas passadas, a 8 de outubro de 1743, à avoenga do atual senhor da Casa da Lama, Emerenciana Luísa, «que ella procede, & vem da dita geração, & linhagem dos ditos Mattos, & Mouras. Como filha legítima de Vitoriana maria da Conceição, & de seu Marido Pedro da Sylva Teixeyra neta pella parte materna do Capitão Simaõ Moreyra, & Mattos, & de sua molher Maria Pinta Duarte, bisneta de Simaõ Alvares, & de sua molher Luiza Moreyra, terceyra netta de Balthazar de Mattos, & de sua molher Maria Moreyra». Texto heráldico: «Huã Luzonja partida em palla, na primeyra as armas dos Mattos, que são em campo sanguíneo, hum pinheyro verde com raízes, & perfilado de prata, entre dous leois batalhantes de ouro armados de azul, na segunda as dos Mouras, que saõ em campo sanguíneo, sete castelos de ouro, em três pallas, a do meio com três, & a das ilhargas com dous em cada huã, todos de preto»4

Nasceu a 28/9/1923, em Lagoas (Nevogilde, Lousada), na nobre casa de Valmesio. Filho de Augusto Pinto Coelho Soares de Moura (advogado e proprietário), e de Maria Alice de Castro Neves Pinto Garcês, e morador na Casa da Lama (Lodares, Lousada), da qual foi titular. Casou a 19 de dezembro de 1953 na igreja de Nossa Senhora da Conceição (Porto) com D. Luísa da Cunha Coelho Soares de Moura. Faleceu a 11/2/2011, foi sepultado em jazigo de família (Lodares). Figura insigne da sociedade Lousadense, Senhor da Casa da Lama e herói de guerra (inúmeras vezes condecorado); bravo e valoroso militar; consagrado e distinto aviador que honrou a Pátria.

Percurso Militar: Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; Academia Militar (curso de Aeronáutica); Sintra (Aspirante); Base Aérea de Espinho e a Ota; curso de Estado Maior na Royal Air Force, na Inglaterra; Estado Maior da Força Aérea até 1960, altura em que ficou afeto à Base Aérea de Monte Real; Angola (1960). Futuro destino: Luanda (Tenente-Coronel, radicou-se no Negage (província de Uíge); Chefe do Estado Maior da Força Aérea de Moçambique, como Coronel, tendo sido transferido, para o mesmo cargo em Luanda, em 1963. Regressou a Portugal Continental, passando a comandar a base de Monte Real, Ingressou no curso de Oficial General, após três anos de frequência, desistiu, relegando a respetiva patente. Passou à reserva, fixando-se na sua Casa da Lama, mas regressou a Angola, em missão civil de administrador da companhia de madeiras de Cabinda, durante seis anos. Prestou ainda serviço militar em Braga com funções burocráticas, e, simultaneamente, lecionou Introdução à Economia e Inglês no Colégio Eça de Queirós, em Lousada, concelho onde também presidiu ao Grémio da Lavoura, Adega Cooperativa e Associação Museu-Biblioteca. Para além das condecorações já referidas, recebeu o Papa Paulo VI, enquanto Comandante da Base Aérea de Monte Real (1967), tendo sido agraciado com a Medalha de São Gregório Magno. Em 1999 foi honrado com a Medalha de Prata de Mérito Municipal de Lousada.

Enquanto escritor deu à estampa: Lousada Antiga, Biografia de Bernardino Coelho Soares de Moura, O Segundo Aviso, As Pontas da História e Mucaba; Adão e Eva; um opúsculo sobre a Liga dos Combatentes de Penafiel, a que presidiu e inúmeros artigos no Jornal de Lousada. Foi ainda um destacado interveniente e dirigente do Lions Club de Penafiel.
Para mim foi um grande amigo, para lá das relações de parentesco.
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1 – NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da – o. c., p. 164.
2 – NÓBREGA – Artur Vaz-Osório da – o. c., p. 160
3 – CF. Carvalhos de Bastos, vol. I, p. 261. NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da – o. c., p. 164.
Bibliografia
1 – NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da – A Heráldica De Família No Concelho De Lousada. Aditamento a “Pedras de Armas do Concelho de Lousada” (1959). Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, 1999.
2 – Revista Municipal Câmara Municipal de Lousada N.º 228 Ano n.º 24 – 4.ª série Data setembro 2023.
Documentos Eletrónicos
– https://ultramar.terraweb.biz/CorSoaresdeMoura.htm.
– https://arteepatrimonio.blogs.sapo.pt/42119.html.
– https://burguesinhas.blogs.sapo.pt/1159.html.
– https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/30726/2/tesemestcasanobrev1000074655.pdf.
José Carlos Silva
Professor / Historiador












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