por | 17 Dez, 2024 | Íris Pinto, Opinião

Descriminalização das Drogas em Portugal: Uma Mudança de Paradigma e Impacto na Saúde Pública

Portugal, durante o regimento de António Salazar, era um país não colaborante com as mudanças das sociedades ocidentais, nem com as tendências culturais, pelo que o uso de drogas não era muito notado no nosso país até ao final da década de 1970 (Domosławski, 2011). As políticas de drogas foram alteradas, deixando de ser considerado crime. O foco passou a ser mais preventivo e criaram-se intervenções de saúde pública. Este modelo de descriminalização ainda é proibicionista, no entanto, é uma realização de proibicionismo de uma forma totalmente diferente, sendo muito inovador. Antes da descriminalização, maior parte das mortes de HIV eram associadas ao uso de drogas, ou seja, pela transmissão derivada da partilha de seringas não higienizadas. Os utilizadores referiam que bastava limpar a seringa em água e que, deste modo, já não havia problema em partilhar as mesmas. Ainda não existia qualquer tipo de informação e ajuda para estes utilizadores. Atualmente já há acesso a prevenção, informação e ajuda, disponibilidade e distribuição gratuita de seringas novas e higienizadas. Desta forma, é diminuída a probabilidade de partilha, intensifica a possibilidade de falar sobre estas questões e sobretudo permite reduzir riscos e retirar alguma pressão e inquietude colocada nos utilizadores, possibilitando escolhas mais saudáveis (Martins, 2013).

Presentemente, são realizadas avaliações psicológicas aos utilizadores de drogas, abordando várias temáticas que se prendem com o consumo de droga, especificamente no que concerne à idade, grau de dependência, tipo de substâncias e, por último, frequência e objetivos do consumo, alertando para a necessidade de uma intervenção multinível que compreenda vários fatores (Mendes et al., 2019).

Íris Pinto
Psicóloga

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