FORMAR FUTEBOLISTAS E HOMENS (PARTE 2)
O histórico União Desportiva de Lagoas (UDL) é antigo não apenas em existência, mas também na formação de jogadores de futebol. Atualmente, este clube tem 130 atletas nas camadas jovens, aos quais acrescem os graúdos da equipa de Masters (com 26 atletas) e 24 nos Seniores. Os jovens estão distribuídos pelas categorias de Juniores, Juvenis, Iniciados, Infantis, Benjamins, Traquinas e Petizes. O presidente do clube diz que a falta de um campo sintético e de uma sede social, colocam em perigo o futuro das camadas jovens.

O presidente da coletividade, Rogério Morais, considera que o UDL tem todos os escalões em bom destaque. “Não é fácil andarmos a treinar e jogar em instalações que não são nossas e termos que nos sujeitar aos dias e horários disponíveis, consideramos que devido às várias contrariedades, estão todos com bom desempenho”, refere o dirigente, que se refere à adversidade de ter um campo pelado que demora em ser sintético.
Os diretores que chefiam os respetivos escalões são quase todos da freguesia de Nevogilde e o presidente sublinha que “são pessoas com muitas capacidades, desde Técnicos de Suporte Básico Vida (DAE), coordenadores de segurança e pessoas especializadas em formação”. São pessoas “que se movem pelo dever social cada vez mais importante de tirar as crianças da frente dos computadores, televisões, telemóveis e poderem fazer desporto”, declara Rogério Morais.
A falta de instalações próprias tem sido um tema recorrente em torno do União Desportiva de Lagoas. “Não termos instalações para treinar nem jogar e não temos sede social, que como sabemos é uma fonte receita importante para fazer face às despesas inerentes a um projeto destes”, lamenta Rogério Morais.
O dirigente lagoense manifestou o seu desagrado por esta situação que se arrasta há algum tempo: “abandonamos as nossas instalações visto que o Município se comprometeu iniciar as nossas futuras instalações e até à data não estamos a ver qualquer movimentação em relação a isso”.
Olhando para o futuro do clube, Rogério diz que “as expectativas são muito más, pois estamos desde início da época a treinar em campo alugado visto que não tivemos espaço para que nossos escalões treinassem no Complexo de Lousada”, disto resulta que “o orçamento passa dos 13 mil euros e as receitas são poucas”.
Explica que os dirigentes do UDL tiveram “uma reunião com o Município e pelo que tínhamos falado, as obras começariam em finais de 2024, mas estamos em fevereiro e o nome do Lagoas foi mencionado para ter novas instalações”.
Era sabido entre os dirigentes do clube que este seria “um ano muito difícil a nível financeiro e desportivo, mas tínhamos que dar a cara e ir à luta para se poder ter novas instalações, uma coisa temos a certeza não temos condições para andar outra época com casa às costas”.

GERIR CONFLITOS, CRIAR HARMONIA
O futebol feminino já foi uma aposta na UD Lagoas. O presidente da coletividade afirma com satisfação: “fomos a primeira associação no conselho a ter futebol feminino, entre as épocas de 2012 e 2016, em que disputamos campeonatos da Liga de Futebol Amador de Penafiel, em Futsal e Futebol 11”.
A satisfação é ainda maior quando fala dos títulos conquistados: “tivemos êxitos muito importantes para a coletividade e depois decidimos que era tempo de oficializar o futebol feminino e entramos entramos com os escalões de Juniores e Seniores nos campeonatos da FPF nas épocas 2016 a 2019”.
A falta de instalações e do campo obrigaram a acabar com os escalões femininos “porque tínhamos que treinar e jogar no Complexo de Lousada e para os treinos só tínhamos horários de treino a partir das 22 horas, o que era impensável, pois tínhamos atletas a estudar”.
Numa altura em que a época vai praticamente a meio, o balanço desportivo é positivo: “de um modo geral todos os escalões estão a fazer uma temporada dentro das nossas expectativas, mesmo tendo em conta aquilo que já referi que é a dificuldade de andar com a casa às costas”, repetiu Rogério Morais.
“Também não posso deixar passar em claro as más arbitragens, que nos têm prejudicado em todos os escalões”, lamentou o dirigente.
Trabalhar com camadas jovens não implica só lidar com as crianças e os jovens, pois os pais ou encarregados de educação também são interlocutores do clube. Daí decorrem muitas dinâmicas, algumas das quais menos boas.
O presidente do Lagoas diz que “como em todos clubes, temos situações delicadas porque, por vezes, por falta de saberem o que se passou na semana de treino ou porque têm outro tipo visão, os pais querem que os filhos joguem a todo custo”.Gerir conflitos e promover a harmonia são prioridades para o clube, pois como o presidente sublinha, “a nossa missão principal é formar atletas e cidadãos para o futuro e nem sempre aquilo que por vezes alguns pais querem é o mais correto”, afirma.













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