COMO ESTÁ O COMÉRCIO EM LOUSADA? – A rua Santo António perdeu posição
FLÁVIO ABREU
Nos últimos anos, Lousada tem vivido um crescimento visível, com a vila a refletir as necessidades do desenvolvimento moderno. Esse crescimento, especialmente nas zonas periféricas, tem influenciado fortemente a dinâmica do comércio local, algo que, como arquiteto, tenho acompanhado com atenção.
O comércio tem vindo a sofrer alterações devido às opções de ordenamento, moldando a forma como vivemos e interagimos na vila. O centro de Lousada, com o seu traçado tradicional, tem sido afetado por um aumento habitacional significativo e criação de novas infraestruturas viárias. A expansão urbana tem deslocado o comércio para as periferias, resultando numa maior dependência do automóvel e diminuindo o fluxo pedonal.
As novas áreas comerciais, com melhor acessibilidade e estacionamento, têm atraído consumidores para fora do centro histórico, enfraquecendo as zonas mais tradicionais. A Rua Santo António, foi, durante muito tempo, o coração pulsante do comércio de Lousada. Como parte integrante da malha urbana, esta rua representava o centro da vida económica e social da vila. Lojas, cafés e serviços localizavam-se aqui, criando uma verdadeira centralidade. Contudo, com a expansão da vila e a criação de novas infraestruturas viárias, a Rua Santo António perdeu a sua posição privilegiada.
A concentração de comércio em zonas mais acessíveis e com maior capacidade de estacionamento tem dificultado a manutenção do dinamismo que outrora caracterizava esta rua. Como arquiteto, acredito que a revitalização da Rua Santo António deve ser encarada de forma estratégica e integrada. Para recuperar a centralidade da rua, é essencial apostar em intervenções na pavimentação, iluminação e mobiliário urbano, criando um ambiente acolhedor e propício à circulação pedonal.
A mobilidade também é um ponto chave: repensar o estacionamento de curta duração e melhorar as ligações com transportes públicos pode ajudar a atrair novamente consumidores e comerciantes para o centro histórico. Além disso, a circulação ciclável pode ser uma forma eficaz de reverter a dependência do carro e dinamizar o espaço. A dinamização do comércio pode ser estimulada com incentivos fiscais e apoio a novos negócios. A instalação de lojas inovadoras, espaços de coworking e serviços de proximidade não só ajudariam a revitalizar a rua, mas também atrairiam um público diversificado. A reabilitação do património, com a adaptação de fachadas e a requalificação de edifícios devolutos, é igualmente fundamental. Este processo de recuperação permite manter a identidade histórica da vila, ao mesmo tempo que a adapta às necessidades contemporâneas. Eventos sazonais, mercados temáticos e atividades culturais podem contribuir para atrair visitantes e dar um novo fôlego ao comércio local. A reconversão de espaços comerciais desocupados em habitação, por exemplo, não só traria novos residentes, mas também criaria uma nova dinâmica urbana, gerando um ciclo de revitalização contínuo.













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