Celebrar 25 anos de advocacia é assinalar um percurso de dedicação, coragem e compromisso com a justiça. Para Isabel Malheiro de Almeida, advogada há um quarto de século, esta profissão representa muito mais do que uma escolha de carreira: é uma missão de vida marcada pela defesa dos direitos das pessoas.

Curiosamente, a vocação nem sempre pareceu evidente aos seus próprios olhos. Embora desde pequena ouvisse frequentemente que tinha “jeito para ser advogada”, a adolescência levou-a noutra direção. “A minha vontade era aprender línguas estrangeiras”, recorda. Durante anos, imaginou-se intérprete, fascinada pela comunicação entre culturas e idiomas. Porém, o destino acabaria por conduzi-la a outro caminho. Foi no dia em que entrou na Faculdade de Letras que tomou a decisão que mudaria a sua vida: trocar o percurso inicialmente pensado pelo curso de Direito. A perspetiva de seguir uma carreira ligada ao ensino, para a qual sentia não ter vocação, ajudou a clarificar a escolha.
Hoje, Isabel Malheiro de Almeida não se imagina noutra profissão. A advocacia tornou-se parte da sua identidade e uma paixão consolidada ao longo do tempo. O fascínio pelo Direito reside, sobretudo, na sua constante transformação e diversidade. “A advocacia, e por consequência o Direito, tem áreas fascinantes. O maior fascínio desta profissão é a sua mutabilidade, ou seja, o poder trabalhar-se em áreas distintas”, explica.
Mas, acima de tudo, existe um propósito que atravessa todos os ramos do Direito e que dá sentido ao seu trabalho diário: a defesa das pessoas. “O meu maior gosto é poder lutar pelos direitos das pessoas”, afirma, sublinhando uma motivação que permanece intacta após 25 anos de exercício profissional.
Numa profissão frequentemente sujeita ao escrutínio público, Isabel Malheiro de Almeida adota uma visão equilibrada. Considera que, como em qualquer área, existem bons e maus profissionais, não sendo a advocacia exceção. Ainda assim, acredita que a imagem da profissão tem vindo a melhorar. “Hoje há maior consciência do papel fundamental dos advogados na sociedade e na defesa dos direitos, liberdades e garantias das pessoas”, refere.
Ao longo de duas décadas e meia, muitos processos deixaram marcas pessoais e emocionais. Especialmente na área do Direito da Família e das Crianças, os casos têm um impacto inevitável. Entre os episódios que mais a marcaram, destaca um que permanece vivo na memória: o caso de duas crianças que, há muitos anos, foram raptadas pela mãe e levadas para outro país — uma situação particularmente delicada e emocionalmente exigente.
Feito o balanço destes 25 anos, Isabel Malheiro de Almeida fala de um percurso claramente positivo, ainda que exigente. Para si, a advocacia é uma profissão “viva”, reservada a quem tem coragem para enfrentar injustiças e defender aquilo em que acredita. “A advocacia não pode ser exercida por quem não tem coragem de erguer a voz contra as injustiças. Por isso é a mais nobre das profissões”, afirma. Contudo, reconhece também os desafios crescentes da área, onde a resiliência se tornou uma característica indispensável.
Passados 25 anos, permanece a mesma determinação: lutar pela justiça, dar voz a quem dela precisa e continuar a acreditar no valor humano do Direito.













Comentários