por | 26 Abr, 2020 | Opinião, Sociedade

“Estive para lhe dizer que estava lá fora o poder no povo e que este estava na rua…”

Capitão Salgueiro Maia face à exigência de Marcello Caetano entregar o poder a um oficial-general. in Capitães de Abril – Editorial de Notícias

Muitas têm sido as celebrações, evocativas do nosso sentimento de pertença comunitária, que temos vivido neste tempo de exceção, sejam elas de cariz religioso, histórico, familiar ou societário. Assim será também a celebração do dia da liberdade que, paradoxalmente, se fará com as restrições impostas pelas atuais circunstâncias.

Esta ironia, subjacente ao facto da grande maioria de nós se ver obrigada a celebrar o dia da liberdade no recato do seu lar (polémicas políticas de parte), é mais um dos inúmeros wake up calls que o mundo nos tem endereçado desde o início do nosso confinamento social.

Não deixa de ser curiosa a forma como os contextos e as premissas, nas quais assentamos as nossas vidas, mudam de forma tão extraordinária e vertiginosa, permanecendo, no entanto, tão estranhamente imutáveis.
Na madrugada de 25 de Abril de 1974 o apelo oficial do MFA também foi no sentido dos habitantes de Lisboa se “recolherem a suas casas”. Por estes dias esse apelo ressoa não só na capital, mas um pouco por todo o país e a efusividade com que os lisboetas desobedeceram às recomendações dos militares há 46 anos, é hoje substituída pelo amplo cumprimento das recomendações da DGS.

Mas, apesar da nossa liberdade de circulação e movimentos se encontrar restringida, isso não significa a imposição de uma suspensão das liberdades que adquirimos em Abril, afinal, parafraseando Saint-Exupéry “só há uma liberdade: a do pensamento”.

Por isso se torna ainda mais essencial a data que este ano celebramos, não só porque as circunstâncias nos obrigam a refletir e dar valor às mais simples manifestações de liberdade (como um passeio ou um abraço), mas também porque a emergência que vivemos conseguiu por estes dias, tal como há 46 anos atrás, unir todas forças políticas e instituições governativas num esforço concertado e patriótico contra um inimigo comum sem cor partidária ou bandeira. Uma ode àquilo que nos une como lousadenses, portugueses e humanidade, em detrimento daquilo que politicamente nos possa separar. Nenhuma força política é demasiado grande para vencer esta guerra sozinha ou pequena demais para que o seu contributo não seja decisivo. Todos os partidos (impulsionadores de novas ideias ou fundadores da democracia), entre eles o CDS, labutam todos os dias, local e nacionalmente, propondo e alcançando as melhores soluções possíveis para Portugal.

De igual modo, o projeto que deu vida ao Louzadense celebra também nesta data o seu primeiro aniversário. E que melhor manifestação de liberdade intelectual poderíamos querer? Um projeto da terra, para dar expressão às gentes da terra!

Pessoalmente, sou um filho inegável do Portugal pós Abril, pós-revolucionário, pós integração europeia, pós contemporâneo e digital. Não conheço outra realidade senão a liberdade, mas hoje dou por mim a pensar no privilégio de escrever sem constrangimentos intelectuais, para um jornal sem censura, num país livre.

Dirijo por isso, em meu nome e de toda a Comissão Política Concelhia do CDS-PP Lousada, uma calorosa saudação aos impulsionadores e promotores deste fórum que cumpre este 25 de Abril o primeiro daqueles que, certamente, serão muitos anos de livre exposição de ideias e notícias desta bela terra que é a nossa Lousada.
Bem hajam!

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