por | 23 Jun, 2020 | Sociedade

Armando Oliveira continua em forma aos 63 anos

Paixão pelo atletismo

Os seus limites são “ser feliz e fazer os outros felizes”. Apesar de centrar a sua vida no coração, aos 63 anos, continua a não dar tréguas aos músculos. Falamos de Armando Oliveira, atualmente aposentado.

Foi bombeiro durante 26 anos e o desporto sempre fez parte da sua vida. Praticou futebol e hóquei em campo, mas é o atletismo que permanece na sua vida. Ao longo de 44 anos, fez mais de 56 maratonas e mais de 400 meias-maratonas.

Apesar da paixão pelo desporto, a vida profissional na construção civil nunca o ajudou a cumprir planos de treino. “Desde muito pequeno comecei a trabalhar na barragem da Régua e só podia vir a um treino e a priori eu nunca poderia ser um grande atleta”, conta. Por isso, optou por um desporto que lhe permitisse maior liberdade de treino, por não requerer o trabalho de equipa: o atletismo.

Ser bombeiro foi uma honra

Ser bombeiro foi também uma das suas paixões e uma grande honra. Mas também nesse campo teve dificuldades em ir mais além por dificuldades em fazer formação. “Dei oportunidade aos mais jovens, mas acho que vou ser bombeiro até morrer”, declara.

Aos 19 anos, abandonou o futebol, para começar a correr, mas continuou a praticar hóquei em campo: “Foi quando se formou a ADL, com o falecido Manuel Afonso, o senhor Dâmaso”, lembra. “O atletismo é das melhores modalidades, pode ser praticada a qualquer hora, não precisa de pavilhão, não precisa de companhia, bastam umas sapatilhas e uns calções”, refere, acrescentando que é uma modalidade barata.

Quando completou 20 anos, teve de cumprir o serviço militar, durante o qual treinava. Foi ainda na recruta que chamou a atenção do comandante do esquadrão, em Abrantes, que era major: “Contactou-me a mim e a outro colega para começarmos a correr pela equipa do quartel e pela equipa de Abrantes e aí mais força e resistência ganhei”, conta.

Pioneiro na modalidade, Armando Oliveira esteve na formação dos Runners, tendo incentivado muitos jovens a seguirem a modalidade: “Chamam-me capitão com carinho. Sou o padrinho de muitos que agora estão no atletismo e tem sido motivante e estimulante”, comenta.
Este atleta orgulha-se do currículo conseguido “às suas custas”. “Nunca recebi um tostão de ninguém”, afirma. Contou, no entanto, com a mulher, que o apoiava incondicionalmente, quando chegava a casa cansado, no final do dia, na altura em que trabalhava na zona da Foz, como empresário. Conseguiu pôr a esposa a correr, mas por pouco tempo, já que ela optou pelas caminhadas.

Ao lado de grandes figuras do atletismo

Assume que a corrida para si é um vício e nem as lesões o fizeram desistir. Como complemento e para não “massacrar” muito o joelho com a corrida, pratica agora também BTT, sendo um dos fundadores do Clube Lousada BTT. “Lousada BTT é um clube que me dá muito orgulho. É muito bem dirigido e faz muita publicidade a Lousada. É uma honra muito grande pertencer a este clube, com 15 anos e muitos praticantes. Dali saíram vários atletas que hoje andam na competição, como o Taipa e o Miguel Moura”, menciona.

Apreciador da adrenalina, sempre gostou das grandes corridas, como a S. Silvestre, que o faz sentir a amizade da “família do atletismo”. “A mim dava-me um gozo participar com os campeões do mundo e ser amigo deles! O António Pinto, a Manuela Machado, os irmãos Castro, a Aurora Cunha, a Rosa Mota, etc. Por todo o lado, eles clamavam-me o bombeiro de Lousada e tinha um gosto enorme de ver essas ilustres vedetas mundiais”, menciona.

Participou em mais de 20 maratonas, depois de o médico lhe dizer essa prova acabara para ele

Contrariando todas as previsões médicas que, em 1999, o colocavam fora das maratonas, devido a um problema grave no tendão de Aquiles originado num jogo de hóquei, Armando recuperou e correu já mais de vinte. “O António Pinto e a Rosa Mota, na altura, a treinar-me no Parque da Cidade no Porto insistiram que eu teria de recuperar. O António convidou-me para ir à maratona de Londres, onde ele conseguiu o record do mundo e eu consegui o meu record pessoal, 2h 53 m”, recorda.

Mesmo com a Covid 19, Armando não deixou de fazer os seus treinos: “Lembrei-me de fazer uns treinos seguindo a rota das capelas e igrejas de Lousada. Em qualquer capela ou igreja, paramos e depois seguimos em frente”. Correr do Sr. dos Aflitos à Santa Rita foi um projeto que reuniu recentemente 15 amigos e no qual também participou. Refere” que foram 34 kms com um percurso mais difícil do que o da maratona, pois este é plano”.

Lousada, “símbolo do atletismo”

Armando reconhece que hoje o atletismo é uma modalidade prestigiada, ao contrário do que acontecia no passado: “Antigamente tinha de treinar na estrada, o que era perigoso e era maltratado por quem passava”, conta. Graças às condições criadas para a prática da modalidade, “Lousada é um símbolo do atletismo”, o que torna a vida de um Runner: “É uma pista espetacular. Aconselho quem gostar quem puder a ir treinar para aquela pista. Já se vê muita gente a treinar e eu tenho um orgulho muito grande. No meu tempo, não tinha com quem treinar, tinha de treinar sozinho. Hoje já não sou jovem e, com o meu ritmo, também é mais difícil ter companhia. Mas é muito bom”, afirma.

Orgulhoso do seu concelho, garante que não consegue estar mais de uma semana fora de Lousada: “Se eu tivesse de morar noutro concelho, teria certamente uma depressão ou morria. Quando está alguma coisa mal, até me custa criticar, pois gosto muito da vila de Lousada”.

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