Paisagem Protegida do Sousa Superior debatida por todos

Na sexta-feira, dia 29, foi apresentado, na Biblioteca Municipal, o projeto de criação de uma Paisagem Protegida para o Sousa Superior, no seguimento do que tem sido a estratégia ambiental implementada no concelho.

O Vale do Sousa Superior é um território com elevado valor ambiental, de relevância para a conservação da natureza e para a promoção do património cultural. Desta forma, o executivo iniciou um processo de criação de uma Paisagem Protegida para o Sousa Superior.

Assim, vai ser desenvolvido, ao longo dos próximos meses, um processo participativo cujo objetivo passa por receber contributos da comunidade para o diagnóstico, estratégia e propostas de ação e gestão.

Para José Carlos Mota, professor na Universidade de Aveiro, este desafio é “interessante e estimulante” para a comunidade. O professor destaca as vantagens da colaboração das pessoas na apresentação de propostas e possível implementação de ideias: “Permite assim que este território seja partilhado e apropriado por estes cidadãos. Queremos que seja um território de pessoas, de práticas e de vivências”. Admitindo que ainda não conhece o território, salienta a qualidade do trabalho da autarquia neste âmbito, considerando-o “notável”: “Pelo esforço qualidade e profundidade de trabalho de investigação do conhecimento do território. É o primeiro sinal de posicionamento e de capacidade para poder transformá-lo. Conhecer o que temos para a partir daí pensarmos ter outros futuros. É uma sorte o município ter esta capacidade técnica, mas também política. Nem todos os autarcas têm coragem para abrir este processo participativo, é algo que deve ser valorizado”. Para José Carlos Mota, a reação muito “positiva” por parte das pessoas presentes “foi um excelente pontapé de saída”.

“Valorizamos os nossos recursos naturais, as nossas potencialidades, mas estamos também a posicionarmo-nos para o futuro” – Pedro Machado

Para o autarca Pedro Machado, esta é mais uma “etapa de uma estratégia de alguns anos”, cujo mérito tem sido reconhecido: “Temos várias atividades inseridas na sustentabilidade, e também estava prevista a criação no nosso território de uma paisagem protegida. Estamos a falar de uma área que corresponde a cerca 12% do território concelhio, acima da meta europeia para esse fim, que são 10%”.

Quando questionado sobre os principais objetivos do projeto, o autarca releva a valorização dos recursos naturais do concelho e as suas potencialidades, sendo importantes para o futuro do concelho e da região: “Cada vez mais os fundos comunitários para recursos naturais estão confinados às áreas protegidas. Vamos concluir este processo atá ao final do ano. Queremos que haja proximidade, inclusive com as freguesias, para que ninguém fique excluído deste processo de auscultação pública. Após isto, vamos procurar convencer os nossos municípios vizinhos a aderir a jusante e a montante para que, de facto, toda a área entre a foz e a nascente do rio Sousa fique abrangida pela área protegida. Passamos a ter massa crítica para incluir toda esta zona na rede natura. Com isso, podemos reforçar o investimento nesta área. Este é um grande desígnio que temos pela frente”, conclui Pedro Machado.

“Uma iniciativa com muito potencial”

Sara Ribeiro, uma jovem estudante lousadense, considera a iniciativa “boa, com grande potencial”. A jovem espera que as pessoas adiram a este projeto: “Melhorar é sempre bom. Dessa forma, teremos um mundo bem melhor. Enquanto jovem, pretendo começar a participar mais nestas atividades. Participei na greve pelo ambiente e fiquei feliz por em Portugal ter havido uma resposta muito boa. O futuro somos nós e cabe-nos também procurar melhorá-lo. Foi muito bom”, diz.

Apostar na educação ambiental é apostar no futuro dos nossos jovens

Foi com uma apresentação de cerca de 10 minutos que o vereador Manuel Nunes resumiu todo um trabalho de seis anos, um trabalho com muitos números, muitas horas, muitas pessoas, um verdadeiro “partir pedra”: “Em dez minutos, condessamos um trabalho destes 6 anos, que é gigante, gigantesco, e este esforço só é tangível quando olhamos para as imagens e para os números, percebendo dessa forma o que já foi alcançado. Lousada nesta matéria não tinha nenhum percurso feito. Em tão pouco tempo conseguimos chegar até aqui. Desejamos que este caminho não seja interrompido e, sobretudo, que seja continuado, pois não há espaço para seguir outro caminho que não este”.

Para Manuel Nunes, a criação da paisagem protegida do Sousa superior é mais uma etapa deste projeto: “Hoje foi a abertura formal do processo participativo para explicar por que chegamos até aqui, e informar as pessoas das vantagens e dos problemas associados a uma paisagem natural. Foi um momento de participação cívica e de envolvimento da comunidade naquilo que é a decisão sobre o seu futuro próximo. Há dois valores positivos, o económico e o da qualidade de vida, que acresce por termos uma área protegida”. O valor económico foi exemplificado com o mel, que, produzido numa área protegida, “terá um valor superior”. O valor ambiental também foi destacado pelo vereador: “Ninguém quer viver com problemas ambientais próximos de casa. Queremos qualidade de vida, abrir portas e janelas, ter uma vista magnífica e espaços verdes…”

Para a concretização destes desígnios, é importante a educação ambiental: “No ensino, introduzimos uma nova vertente, a educação ambiental, que é um projeto âncora, porque o projeto Bioescola trabalha inserido na história, na literatura, na matemática, nas ciências…”  O vereador esclareceu que todas as áreas podem trabalhar a educação ambiental: “O que estamos a dizer aos professores é que podem trabalhar o ambiente sem prejudicar o currículo normal dos alunos. Foi um  sucesso este projeto. Foi uma dinâmica que se foi criando, que faz com que milhares de alunos todos os anos sejam abrangidos por este projeto”, conclui.

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