Nascido em Silvares, no ano de 1952, Amílcar Bessa, passou a sua infância na terra natal e, desde muito cedo, viu crescer dentro de si o “bichinho pelos bombeiros”, começando então a frequentar o quartel e tornando-se Bombeiro Voluntário de Lousada.
Quando decidiu ingressar nos bombeiros, ainda era comandante o seu padrinho e foi um dos motivos para se aventurar nesta experiência, admitindo que tudo naquela casa “me maravilhou”.
Em meados de 1965, começou as suas formações para se poder tornar bombeiro: “as condições e recursos usados antigamente não têm nada a ver com os dias de hoje”. A sua evolução foi sendo feita gradualmente, começando por serviços mais leves, “passando depois a entrar mesmo a sério naquela casa”, lembra.
Nos primeiros anos de serviço, apesar da pouca experiência e de ser novato neste meio, Amílcar lembra, com profunda tristeza, um dos acontecimentos mais marcantes da sua carreira: “um incêndio numa fábrica, mais conhecida por fábrica dos tomates, em Casais. Cheguei lá por volta das 22 horas e cheguei a casa já era de manhã”.

Quando se sai para uma emergência, “nunca sabemos o que vamos encontrar, nem quem vamos encontrar, é sempre uma incógnita, temos de estar preparados e mentalizados para o pior, mesmo que não seja isso que vamos encontrar quando lá chegarmos”, explica Amílcar, acrescentando, ainda, que “todos os serviços, independentemente do seu grau de gravidade, nos marcam. Há sempre alguma coisa que fica na nossa memória”.
“Nos primeiros anos a morte era uma situação muito difícil de superar.”
Enquanto jovem bombeiro, afirma que “nos primeiros anos a morte era uma situação muito difícil de superar. Contudo, com o passar dos anos, e com a experiência que vamos ganhando, torna-se algo a que já estamos mais habituados e que no nosso dia-a-dia, enquanto bombeiros, é uma situação regular”.
Depois de longos anos como Bombeiro Voluntário, Amílcar Bessa passou a funcionário, estando 12 anos nesta função, sendo que sete foram como operador central e os restantes esteve no transporte de doentes.
Bombeiros são uma segunda casa
Para o ex-bombeiro, esta instituição é a sua segunda casa: “fiz muitas amizades lá dentro que levarei para a vida. Se voltasse atrás, não mudaria nada”, comenta. Atualmente, guarda no coração a vontade de transmitir o sentimento e amor que tem pelos bombeiros aos seus familiares mais novos, como filhos e netos. “Já tive um filho lá, durante pouco tempo, e por outras razões teve de abandonar, mas não escondo a vontade que tenho por ter lá alguém da minha família”, refere.
Com esta data especial que se aproxima para esta associação, o 95º aniversário, Amílcar Bessa, não deixa passar em branco, deixando, para todos aqueles que são bombeiros, e para os que ainda estão no início desta aventura, umas palavras de entusiasmo e admiração: “hoje em dia a preparação é diferente, têm mais recursos humanos que podem utilizar. E ainda bem que hoje em dia já é assim, ainda bem que houve esta evolução”, finaliza.












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