por | 17 Ago, 2021 | Espaço Cidadania, Sociedade

Luís Costa: uma história de superação 

Nasceu em Guimarães, cresceu em Lustosa e viveu grande parte da sua vida em Freamunde. Luís Costa, de 49 anos, é um empresário de sucesso e, apesar das conquistas no mundo empresarial, com a criação da marca “Artbel”, a saúde pregou-lhe uma partida que lhe mudou a vida. 

Luís Costa nasceu em 1972, em Guimarães, onde viveu até aos sete anos, na freguesia de Moreira de Cónegos. Aí, mudou-se para Lustosa até completar 20 anos e seguiu caminho no serviço militar. De regresso a casa, uma paixão levou-o até à França, onde esteve emigrado durante uns tempos. Quando voltou a Portugal, acabou por se fixar na cidade de Freamunde, em Paços de Ferreira. 

Define-se como uma pessoa que gosta de fazer coisas e de “meter-me em tudo”. “Não sei se é uma virtude ou um erro, mas a vontade de fazer é muita. Nunca fui uma pessoa de ficar à espera. Sou do tempo em que nada era fácil”, explica. 

“Fui para a tropa com 20 anos e saí com 21. Andei na Escola Prática de Cavalaria de Santarém. Foi uma experiência espetacular e só me apercebi anos mais tarde. Quando lá estava só pensava em vir embora. Com o passar dos anos, percebi que era uma aprendizagem”, conta. 

Para além do espírito de camaradagem, refere que “ficamos com uma grande capacidade de desenrasque. A internet não era um dado adquirido nem para qualquer um. Os telemóveis eram uma utopia. Foi uma fase bonita, apesar de tudo. Tinha de apanhar muitas boleias, muitos comboios e o dinheiro não abundava. Mas fiz boas amizades”. 

“Em 2011, tinha seis funcionários e trabalhava na Prosegur. Trabalhava de noite na Prosegur e de dia tinha a minha empresa.” 

A sua infância nem sempre foi fácil e, com apenas 16 anos “já fazia faturação e contabilidade. Já vendia e comprava”, lembra. Já vendeu materiais de construção, trabalhou na ‘Prosegur’ e já fez de tudo um pouco. “Em 2011, tinha seis funcionários e trabalhava na Prosegur. Trabalhava de noite na Prosegur e de dia tinha a minha empresa. Acabei por vir para os cosméticos e mobiliário por acaso”, refere o empresário. 

“Como tinha muito tempo livre, decidi vender e comprar cosméticos. Em 1999, comecei a vender cosmética profissional porta-a-porta, depois vendia para as revendas, mais tarde inseri os acessórios de cabeleireiro. Posteriormente, comecei a vender mobiliário e a criar a própria linha”, recorda. 

 Em 2006, nasce a marca “Artbel”, o ponto alto da sua carreira profissional e que, hoje, é uma referência no mercado. Apesar da pandemia, a empresa não parou e adaptou-se, seguindo outros caminhos. “O setor dos cabeleireiros estava maioritariamente fechado, então viramos para o mobiliário de lojas de roupa, bares e restaurantes. É um plano b, tivemos de alargar para este mobiliário, mas a nossa matriz são os cosméticos e é o que me prende mais”, revela Luís Costa. 

Doença mudou a sua vida 

Em novembro de 2002, aconteceu aquilo que considera “a maior fatalidade” da sua vida. “Estava a sair para trabalhar e as forças começaram-me a faltar. Dei entrada no Hospital de São João, no Porto, e, depois de muitos exames, foi-me diagnosticado um cancro, estado cinco, um Linfoma de Hodgkin. Fiz 36 sessões de quimioterapia e 25 vezes radioterapia, foi uma fase muito difícil”, lembra. 

“Ainda hoje tenho um sentimento de gratidão por quem encontrei no hospital. Tive muita sorte, as terapias que fiz resultaram muito bem, tive muito amigos a apoiar-me. A Susana, a minha companheira também me ajudou muito, e a minha irmã, que esteve ao meu lado todos os dias de quimioterapia, mesmo a chorar esteve ao meu lado. Convenci-me de que não ia sobreviver e vi as pessoas como se fosse a última vez”, recorda. 

“Quem passa por estas doenças acaba por ficar com uma abordagem da vida totalmente diferente. No fundo, foi uma escola.” 

Os tratamentos duraram cerca de dois anos e, hoje, passados 20 anos, sente-se “bem”. Acredita que quem passa por estas doenças “acaba por ficar com uma abordagem da vida totalmente diferente. Se me perguntassem, até aquele dia, se era uma pessoa feliz, eu se calhar pensava antes de responder, mas eu era e não sabia. Dava tudo por adquirido, desde a família, o trabalho, a saúde. A partir daí comecei a ver as coisas de maneira diferente. No fundo, foi uma escola”. 

Depois de ultrapassar esta fase menos boa da vida, “encarei como se estivesse a viver pela segunda vez. Mudei totalmente. Fiquei como uma gratidão muito grande pela classe médica e por isso é que sempre que posso contribuo para as causas sociais. É essencial ajudarmos e não podemos lembrar-nos deles só quando estamos mal e isso foi uma das coisas que aprendi com a doença”, alerta o empresário. 

Solidário e com muitos sonhos 

Na vida associativa, foi membro da Juventude Social Democrata de Lousada (JSD) e foi presidente das Festas “Sebastianas”, de Freamunde, em 2018. Além disso, colabora com diversas causas sociais como os Bombeiros Voluntários e Cruz Vermelha Portuguesa. 

Apesar de ser um empresário de sucesso, os planos não ficam por aqui e pretende fazer muito mais, como exportar nas plataformas comerciais internacionais e criar o seu próprio projeto de produção de vinho. 

“Para quem estava no limiar da morte e a viver a vida no fio de uma navalha, foi uma motivação para voltar a vencer e faço questão de deixar esse agradecimento a todas as pessoas que me ajudaram.” 

O ponto mais alto da sua vida, excluindo o nascimento dos seus filhos, “foi quando o médico me disse ‘podes solicitar os exames para fazer o controlo, mas não há data marcada’. Para quem estava no limiar da morte e a viver a vida no fio de uma navalha, foi uma motivação para voltar a vencer e faço questão de deixar esse agradecimento a todas as pessoas que me ajudaram”, revela. 

No empreendedorismo, não há empresário sem clientes e colaboradores e, por isso, “quero agradecer aos meus clientes que sempre confiaram em mim sem me conhecer e a todos os meus colaboradores, que são da minha família”, refere. 

Questionado se gostava de ter feito alguma coisa diferente, não hesita: “gostava de ter seguido as empresas que o meu pai tinha de materiais de construção. Apesar de gostar muito dele, nunca me identifiquei com a forma dele pensar, mas uma das ambições que tinha era continuar com esse projeto”. 

Em aberto, deixa a possibilidade de abraçar um projeto na política: “hoje com a maturidade que tenho e a visão diferente da vida que criei, acho que já teria capacidade para colaborar. Gostava de ajudar aqueles que não podem fazer-se ouvir”. 

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