A informação é avançada por Hugo Lopes, diretor executivo do Agrupamentos de Centros de Saúde (ACeS) Vale do Sousa Norte, que esteve presente, esta manhã, na visita de António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, às novas instalações da Unidade de Saúde de Lustosa, que funciona na antiga Escola Básica de Bouça-Cova, disponibilizada pela autarquia.
Durante a visita de António Lacerda Sales às instalações da Unidade de Saúde de Lustosa, Hugo Lopes, diretor executivo do ACES, revelou que o Centro de Saúde desta freguesia “foi o primeiro grande problema a solucionar com que me deparei aquando da minha tomada de posse”. Até à data, explicou, tinham sido realizados várias tentativas de resolução, mas sem sucesso.

“Era necessário a criação de um edifício que tivesse ótimas condições para a instalação de uma unidade de prestação de cuidados de saúde primários e foi isto que conseguimos: um edifício com um pé extraordinário, excelentes condições de luminosidade e com o equipamento necessário para a prestação de cuidados de qualidade”, confirmou.
O diretor executivo relembrou que “Lustosa e os utentes há muito que mereciam esta obra”, no entanto, a maior dificuldade ainda está nos recursos humanos. “O ACeS do Vale do Sousa Norte sempre foi um dos que mais dificuldades teve no que respeita aos recursos humanos, tínhamos uma carência de 100 profissionais. Podemos dizer que neste momento temos os quadros praticamente preenchidos”, afirmou.

A transferência para a nova Unidade de Saúde aconteceu em 2020, durante a pandemia: “tivemos de abandonar o edifício antigo, porque não tínhamos condições do ponto de vista de circuitos que nos levassem a poder atender os utentes perante um pico da pandemia”, lamentou.
Quanto ao futuro, salientou que o objetivo passa pela criação de uma Unidade de Saúde Familiar (USF), que “ambicionámos que seja a ‘USF São Tiago, que está neste momento em processo de criação e acreditamos que muito em breve poderemos ter esta unidade em funcionamento, neste modelo que garante um grau de acessibilidade e disponibilidade para a população maior”.

Já a partir do dia um de setembro, os recursos humanos em falta estarão “todos integrados”, nomeadamente os médicos que faltam à equipa e que “irão sustentabilizar aquele que será princípio de trabalho desta unidade funcional”, garantiu o diretor executivo.
Obra “muito ansiada” pela população
Também Pedro Machado, presidente da Câmara Municipal, defendeu que esta era uma obra muita ansiada, mas que “tardou a sua execução”, referindo que esta requalificação é “um bom exemplo das parcerias entre a administração central e local”.
“No dia oito de abril de 2011, procedemos a um protocolo, na altura, por mim, enquanto vice-presidente da Câmara e por Pimenta Marinho, à data, vice-presidente da ARS e homologado pelo secretário de Estado, à data, Manuel Pizarro. Infelizmente, esse protocolo não teve sequência, porque dois meses depois tivemos um novo governo que não deu seguimento a esse protocolo. Já foi com o atual primeiro-ministro que conseguimos concretizar este objetivo”, lamentou.

A obra foi lançada pelo município, com a comparticipação do Ministério da Saúde e é, segundo o autarca, “um investimento que nos deve dignificar a todos, porque conseguimos dar um destino útil a uma obra que estava e continua a ser destinada para as associações locais, mas sendo esta uma das necessidades da comunidade faz todo o sentido que instalássemos neste espaço um centro de saúde, porque o que existia não tinha as mínimas condições”.
Porém, acredita que “ainda há problemas de saúde a resolver” e os cuidados dos doentes não covid-19 “foram deixados para trás”. No entanto, “esse trabalho está a ser feito, iremos recuperar e queremos ter uma unidade de saúde familiar a curto prazo”, garantiu.

Tendo em conta que Lousada é um dos concelhos que não perdeu população, defende a “construção de um centro de saúde na zona oeste e uma unidade com Meios Complementares de Diagnóstico como: Medicina Dentária, Consultas de Nutrição, Psicologia, Saúde Maternoinfantil e Análises e outros exames de diagnóstico (Raio X, TACs, etc) de forma a retirar pressão dos Hospitais”, manifestando total colaboração com o Ministério da Saúde.
Esta Unidade de Saúde resulta de um investimento que ronda os 320 mil euros, fruto de investimento do Município de Lousada e da ARS Norte. Foram efetuadas obras no edifício e arranjos exteriores.
A autarquia comparticipou com mais de 38 mil euros e a ARS Norte com perto de 280 mil euros. A infraestrutura é composta por dois pisos, com elevador, modo a facilitar o acesso de todos os utentes aos serviços.
No 1.º piso, para além da receção e da sala espera, a unidade contempla três gabinetes médicos, um gabinete de enfermagem e duas salas de tratamento. Neste piso localizam-se, ainda, a parte técnica e as instalações sanitárias para os utentes.
O 2.º piso é composto por um gabinete médico e outro de enfermagem. A US de Lustosa contempla as áreas de saúde materna e saúde infantil, divididas em duas alas da unidade com um gabinete médico e um gabinete de enfermagem, em cada uma delas.
“Edifício representa trabalho de proximidade”
António Lacerda Sales, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, começou por destacar que esta é uma visita de “grande importância, pois o edifício representa um trabalho de proximidade à comunidade. Ninguém pode esquecer que os cuidados primários de saúde são fundamentais e quanto mais próximos, mais e melhores são as oportunidades de sucesso”.

Acrescentou, ainda, que a visita “é o reconhecimento público ao contributo da autarquia, bem como da sociedade civil e das forças vivas da região que esta infraestrutura esteja a funcionar. Por isso, eventos como este têm particular simbolismo, na medida em que, após um período difícil e desafiante os profissionais de saúde, nomeadamente de Lousada, respondem ainda com resiliência”.

Para o Secretário de Estado Adjunto, “a pandemia mostrou que só ultrapassamos os obstáculos quando trabalhamos lado a lado. O papel dos Municípios, e de todos os agentes envolvidos, foi extremamente importante. E esta é uma das lições que devemos retirar desta crise sanitária”.
















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