por | 11 Jun, 2019 | Opinião

O sistema público de educação em Portugal

Este espaço de opinião sobre a Educação em Portugal é, para mim, um desafio ao mesmo tempo aliciante e temerário. Aliciante porque me dá a oportunidade de escrever sobre uma temática que é muito cara e sobre a qual tenho imensas opiniões consolidadas, até porque a educação é o centro da minha vida profissional há mais de vinte e cinco anos. Mas é, ao mesmo tempo, um exercício que envolve alguma temeridade, uma vez que dele resulta sempre a incerteza sobre o interesse que as minhas opiniões podem ter para os leitores deste jornal. Isto é, escrever ou falar sobre educação é algo que aprecio particularmente e que faço sem qualquer dificuldade, só espero que os meus textos sejam suficientemente interessantes para justificar, em primeiro lugar, a vossa leitura e para justificar, por extensão, o convite que os responsáveis de “O Louzadense” me fizeram.

Antes, porém, de avançar com quaisquer considerações sobre os assuntos mais quentes da educação em Portugal, convém que nos entendamos sobre uma questão básica, que nem sempre é conhecida ou considerada por muitos comentadores, jornalistas e políticos, quando lhes é conveniente por este ou por aquele motivo.

Essa questão básica é percebermos com rigor a que realidade nos referimos quando falamos do “sistema público de ensino básico e secundário em Portugal”, no qual se incluem todos os alunos das escolas públicas portuguesas. Ora, aqui ficam dois números desse sistema (fonte PORDATA): mais de 1.300.000 (um milhão e trezentos mil) alunos frequentam todos os dias úteis as nossas escolas públicas, os quais são orientados por mais de 125.000 (cento e vinte e cinco mil) docentes, fazendo deste sistema, de longe, o maior serviço público que o Estado presta aos cidadãos deste país. Mas se estes números impressionam, devem impressionar ainda mais o tipo de responsabilidades que, nos últimos anos, recaíram sobre os docentes, umas por força da vertigem legislativa dos sucessivos governos e outras por força das circunstâncias para as quais as sociedades ocidentais estão a ser empurradas. Na realidade, para além da lecionação das respetivas disciplinas (Português, Matemática, Inglês, Geografia, História, etc…, etc…etc…), os docentes portugueses têm sido chamados a desempenhar uma multiplicidade de outros papéis, sobretudo como resposta aos grandes problemas do nosso tempo. Isto é, tem sido desenvolvido, em relação a imensas questões, o seguinte raciocínio: se há um problema sério, a resposta tem de começar pela Escola. O que tem a sua lógica, já que a educação é “a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo”, como disse e escreveu Nélson Mandela. E eu subscrevo sem qualquer reserva. O que está em causa é que os problemas são cada vez mais e maiores e os docentes é que ficam com a responsabilidade de educar as novas gerações para os enfrentar e ultrapassar da forma mais conveniente. Por isso é que nas escolas, para além dos curricula das diferentes disciplinas, também se desenvolvem atividades de Educação Ambiental, de Educação Financeira, de Educação Cívica, de Educação Cultural, de Educação Sexual, etc… etc… etc…

É, portanto, sobre esta realidade gigantesca, que envolve um número colossal de pessoas todos os dias, e profundamente exigente e complexa que me proponho opinar nas próximas edições, esperando, desde já, a compreensão de todos para a natural e assumida parcialidade de um professor que vai escrever sobre educação.

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