FC de Romariz: quatro décadas de história

O FC de Romariz tem mais de quatro décadas de história, essencialmente feitas de vitórias e de conquistas. Tudo começou com um sonho assente na paixão pela prática do futebol. Num belo domingo de outono, no largo de Romariz, onde se costumavam juntar, um grupo de rapazes decidiu que a sua terra deveria ter um espaço para que os jovens pudessem jogar futebol, pois não fazia sentido jogarem noutros clubes da zona. Decidiu-se logo ali formar uma direção, onde figuravam os nomes Armando, Rodrigues, António D’além e o Carvalho. Mais tarde, porque não estavam presentes, foram contactados outros senhores: o Couto, o Adriano, o Álvaro, o Luz e o Freire, que formaram a primeira direção.

O campo: o presente que transformou o sonho em realidade

O sonho, aliado à vontade, tornou-se, assim, uma realidade. A doação do terreno do campo de jogos pelo senhor Menezes, um filho da Terra, foi um presente precioso. Este benemérito era, segundo Agostinho Cunha, atual presidente do FC de Romariz, natural de Silvares, um homem “com ideias já bastante evoluídas para o seu tempo”. O grupo de rapazes começou então a meter mão à obra, literalmente, e o que era mato passou a terreno e depois a campo de futebol. Foi com as próprias mãos que deram corpo ao sonho e assim fizeram nascer um espaço digno onde se pudessem juntar os jovens. Jovens que se tornariam adultos e que formariam ali uma grande família, graças a esse espaço comum, onde eram habituais os encontros para as famosas almoçaradas e jantaradas no fim de jogos, ou de festas de santos populares.

Foi nesse ambiente que o Futebol Clube de Romariz nasceu, no dia 18 de outubro de 1977. Do nascimento do clube à conclusão do campo de futebol, foi um instante. Ainda indefinidos quanto à cor do equipamento, uns acudiam pelas cores do FC do Porto, outros pelas cores do SL Benfica. Nenhum saiu vencedor. Ficou decidido que seriam o amarelo e o azul as cores dominantes do clube e do equipamento. Surgiu, assim, o clube que conhecemos hoje.

“Uma grande família”

Após vários altos e baixos, com organizações de torneios, participações ocasionais em campeonatos concelhios, campeonato de futebol amador da AFP, “o clube cresceu e continuará sempre a crescer, com a ideia de família na sua génese, pois foi através desta ideia que foi possível a sua criação”, vaticina Agostinho Cunha, que pertenceu às primeiras equipas que participaram no campeonato amador da AFP, corria a época de 1991/92. Mais tarde, já em 2010, integrou a equipa de veteranos e foi convidado a constituir a direção do FCR, o que aconteceu em 2011.

A aposta do novo presidente foi na formação: “Optamos por algo que trouxesse o nome de Romariz enquanto clube ao conhecimento de outros concelhos, através do desporto, apostando na formação”, conta. O balanço desta aposta é positivo, mas, ao longo dos últimos oito anos, não têm faltado a “persistência, o crer e a responsabilidade”, salienta.

Futebol feminino em grande

▲Equipa senior feminina do FC de Romariz

O futebol é a modalidade principal do clube, não só masculino, mas também feminino, verificando-se um aumento de atletas de ano para ano. O presidente explica que a aposta no futebol feminino surgiu por parte de “um grupo de miúdas que queriam treinar”. Foi, então, disponibilizado um treinador e, mais tarde, surgiu a competição: “Neste momento, temos três escalões: sub 15, na AF Porto, sub 19 e seniores, no campeonato nacional”, refere.

É evidente que a aposta passa também pelo futebol sénior masculino, que justifica toda a aposta na formação.

Sendo um clube com muito dinamismo, apresenta despesas consideráveis e, portanto, as dificuldades financeiras fazem-se sentir: “As despesas são muitas, água, luz, gás, tratamentos clínicos, transportes e manutenção de equipamentos desportivos”, salienta. Quanto aos apoios, “esses não existem ou são poucos. Temos muitos compromissos com os jovens que pertencem ao clube e não sinto que isso seja importante na nossa comunidade empresarial”, sustenta Agostinho Cunha. Diz que o FC de Romariz se esforça por contrariar o facto de os jovens sem apoio social e familiar serem deixados à sua sorte. “Trabalhamos para que isso não aconteça. Com a ajuda do município, vamos travando todo e qualquer desvio dos nossos jovens, sempre perto e vigilantes”, refere.

Atualmente, o clube goza de melhores condições para a prática desportiva, pois foi contemplado com um campo sintético, que poderá ser decisivo para o sucesso futuro.

O presidente deixa ainda um apelo a todos para que “nos apoiem na nossa caminhada para a formação de jovens com valores e regras na sociedade, que respeitem o esforço e o tempo despendido por todos os que trabalham dia a dia neste projeto. Todos temos a responsabilidade de respeitar aqueles que contribuíram no passado para o que somos hoje”, remata.

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