por | 5 Fev, 2020 | Opinião

“Não há nada permanente, excepto a mudança.” Heráclito de Éfeso

O mês de Janeiro do novo ano de 2020 foi um mês decisivo para a direita tradicional do nosso país. Ambos os partidos, que até agora preencheram o espectro político de direita em Portugal, fizeram passar as respectivas presidências e direcções pelo crivo democrático dos seus militantes. Nos dois casos os resultados demonstraram que a natureza da vida consiste na mudança e não na estagnação.

PSD, numa inédita segunda volta das suas directas, aposta em renovar a solução de rotura e transformação que Rio operou nas fileiras do partido, processo que tinha iniciado aquando da sua eleição como presidente e que havia quebrado com uma parte substancial da herança “passista” do PSD.
Este fim de semana, num Congresso impróprio para cardíacos, o CDS seguiu uma metodologia similar. As bases do partido revoltaram-se contra o poder instalado e a estratégia falhada e elegeram Francisco Rodrigues dos Santos para seu novo líder. Rodrigues dos Santos representa a necessária pedrada no charco que poderá fazer o partido e o país abandonar o entorpecer ingénuo em que se encontra estagnado. Com perigos crescentes à direita e à esquerda, esta era a tão necessária injecção de adrenalina que o paciente desesperadamente precisava.

E como é óbvio, em democracia, estas mudanças não foram golpes palacianos imaculados. Foram batalhas democráticas aguerridas, das quais muitos saíram afastados. Mas a mudança é isso, de outro modo, não se chamaria mudança e a história está cheia de exemplos que o comprovam. As potências europeias esqueceram-se disso em 1814, quando exilaram Napoleão pela primeira vez. Quando o imperador regressou de Elba, recuperou o trono por exaltação dos seus antigos veteranos de guerra, enviados por outros para o deter. As novas lideranças de PSD e CDS inteligentemente afastam esse risco, revitalizando fileiras e nomeando fiéis oficiais. Afinal, só assim terão a necessária tranquilidade e segurança para se dedicarem por completo a desconstruir o ideário socialista que hoje, tão eloquentemente, mantém o país sob hipnose.

Com esta autêntica revolução, ocorrida nas mais antigas casas da direita portuguesa, rompem-se em definitivo os poucos vínculos que ainda restavam de Passos e Portas. O tempo dirá, como em tudo, se para melhor se para pior. Certo é, que ambos os partidos aparentam uma força renovada capaz de estancar o esvaziamento à direita e promover o seu crescimento.
Para quem achasse o mês de Janeiro aborrecido, aqui ficou a prova de que o início de ano pode ser tão intenso como qualquer outra época politicamente activa.

O início da nova década já vai fazendo, assim, jus à frenética mudança dos “loucos” anos vinte do século transacto. Tal como no passado, também hoje se vai gradualmente rompendo com os paradigmas do passado, construindo presente e perspectivando futuro.

Que novas mudanças se avizinham? Veremos.

Comentários

Submeter Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos recentes

Alunos desenvolvem projeto sobre Neuroplasticidade – capacidade cerebral

Os alunos do 12.º E (Diana Leal, Matilde Pacheco, Maria Moura, Margarida Ribeiro e Guilherme...

Entrevista Exclusiva com Fabien Pailler: “Ganhar em Lousada seria uma enorme surpresa, mas o futuro promete”

O Campeonato da Europa de Rallycross vai ter todos os focos apontados a Lousada no próximo fim de...

João Silvestre: “Temos um grupo que pode surpreender neste campeonato”

O novo treinador da AD Lousada, em entrevista exclusiva ao Louzadense, antevê o arranque da...

AMBIENTE & PATRIMÓNIO, POR ERNESTO GONÇALVES

A POUPA — A ave com uma crista de guitarrista punk-rock Há aves que até podem passar...

Segurança de cosmética: a conta que polícias e cidadãos estão a pagar

Durante décadas, a política de segurança pública em Portugal foi marcada por uma progressiva...

Entrevista: Cafi Sousa, do Inferno das Febras e a estrela americana Chris Lembrach

Esta é uma breve entrevista centrada na componente política, que está fortemente presente nos...

Paula Teles prepara álbum que mistura Rock e Fado

A vocalista Paula Teles, a artista lousadense com maior atividade no panorama rock e metal do...

Artista Leonor Afonso expõe na Contextile 2026

Uma jovem artista de Lousada apresenta em Guimarães uma obra inspirada no stress e na ansiedade...

Vindimas 2026: Adega Cooperativa de Lousada já definiu calendário para entrega de uvas

Campanha arranca a 1 de setembro e prolonga-se, previsivelmente, até 25 de setembro, com a receção...

Casais e o Seu Lado Lunar

Há lugares que se descrevem pela geografia. Outros, pela história. Casais, porém, pertence ao raro...

Siga-nos nas redes sociais