Paulo Rodrigues aponta a falta de estrutura do clube para a crise na AD Lousada

No dia 25 de outubro, após uma Assembleia Geral da AD Lousada, em que não apareceu nenhuma lista, Paulo Rodrigues, mais conhecido por Joca, assumiu a comissão administrativa do Clube. Desde que assumiu o cargo, o Lousada conseguiu apenas uma vitória, dois empates e onze derrotas.

Atualmente, o AD Lousada, que milita na série 2 da divisão de Elite Pro Nacional da AF Porto, ocupa o último lugar, com 8 pontos, a 11 pontos do Barrosas, a última equipa “fora da linha de água”. A acontecer o pior, o Clube verá além desta equipa a equipa Sub 25, que subiu no ano passado, descer de divisão.

Conversamos com Joca, que admitiu que o balanço “não pode ser positivo”, mas considera que a forma como o clube estava não permitiu ir mais além: “Apesar de, para o exterior parecer que estava tudo bem, na realidade estava longe de estar bem”, sustenta.

As razões para o insucesso encontra-as na “falta de estrutura”: “São várias equipas, mas está muito apoiado na equipa sénior, nos resultados da equipa A. É por aí que as coisas rolam”. A mudança passa por “ter elementos capazes, que suportem a atividade de um clube como o AD Lousada, por sentir que existe alguém lá para apoiar os atletas, pois eu quando cheguei os atletas estavam completamente abandonados”, conta. Joca lembra que chegou em novembro e a equipa nem uma vitória tinha, “consequência de muita coisa mal feita, o que se repercute na classificação”.

O que correu mal foi “um projeto que estava pensado há muitos anos, que na teoria seria ótimo, mas na prática, sem organização, acabou por claudicar e daí estas possíveis descidas”. Joca refere-se à formação, área em que são necessárias mudanças: “Acho que deve haver uma mudança. Temos de apostar sobretudo na qualidade e não na quantidade”, sustenta.
Para além disso, considera importante rever a sustentabilidade do clube, que “não pode só viver das receitas da Câmara”, refere. Faltou, segundo este dirigente, trabalho para angariar apoios de empresários e patrocínios: “Passado uma semana, verifiquei que esse trabalho não estava feito”, diz. “A época começou em julho, eu só peguei no clube em novembro. Ninguém semeou nada e, quando não se semeia, não se colhe”, continua, acrescentando que tentou inverter a situação, “mesmo com dificuldades, e semear o máximo”.
Joca sente que não é de agora o voltar de costas ao clube por parte dos adeptos. E avança com os motivos: “É evidente que falei com muitas pessoas e algumas sentiram que o projeto teria algo diferente, mas, mesmo sendo algo diferente e mais credível, as pessoas estão com o pé atrás em relação ao Lousada”, defende.

Crescimento não sustentado

Relativamente ao trabalho desenvolvido na presidência de Sandro Sousa, considera-o muito bom, mas não sustentado: “O clube renasceu das cinzas e chegou até esta divisão, mas foi um crescimento não sustentado. Penso que ele foi demasiado ambicioso. Percebo a ideia, mas colocou o clube numa situação complicada pelo abandono, pois ele não estava sustentado, não tinha o apoio das empresas, nem das pessoas. O afastamento popular, inclusive de todos os clubes à volta, tornou o clube muito difícil de sustentar e muito frágil”, diz.

Realça, contudo, que, quando chegou ao clube, o plantel tinha as contas em dia. “Mas foi muito por causa da questão da Câmara, que pagou. Entre julho e novembro não se fez nada e o início de época é muito importante, o clube esteve adormecido até novembro”, descreve.

Sobre Sandro Sousa está fora da direção: “Pensei que me poderia ajudar em termos contabilísticos. Mais tarde, achei que não era correto nem era o ideal a sua continuidade”, explica.

Entraves dificultam trabalho

Joca refere que assumiu a direção numa altura em que havia um vazio, com intenções de ajudar o Clube, mas sente que lhe estão a dificultar a vida: “O problema é que há muitas pessoas que me estão a dificultar a vida e estão a tentar fragilizar-me, mesmo diretores. Não percebo o porquê, pois eu fui para ajudar e servir o clube”, desabafa. E vai mais longe: “O que sinto é que há pessoas que estão lá para se servir do Clube, eu estou para servir o clube. Tenho tido prejuízos pessoais e profissionais porque acredito no clube”.

Entre pessoas que quiseram que saísse e outras que poderiam tê-lo substituído, mas nunca avançaram, nunca houve uma solução em que pudesse confiar sem prejudicar o Clube: “Essas pessoas acabaram, num momento decisivo, por fragilizar ainda mais o clube. Se me aparecesse alguém credível que eu achasse que poderia ajudar, tê-lo-ia entregue a uma nova direção”, garante.

Se todos remassem para o mesmo lado, Joca acredita que o Clube seria fácil de gerir. Realça que o Clube tem condições, apoios e é a maior associação do concelho. “Eu não vejo as razões de estar assim tão frágil e não me refiro só a nível dos resultados”, afirma.

Atualmente à frente da Comissão Administrativa, Joca sucedeu a Jorge Fernandes, que esteve pouco tempo à frente do Clube. “Esse período prejudicou muito o Lousada. Perdemos pontos na secretaria e foi por falta de organização. É impensável acontecer isto numa divisão como esta”, diz.

Falta de meios financeiros dificultam ação

Até ao final da época, Joca tem a responsabilidade da gestão, que considera mais abrangente do que aquilo que a maior parte das pessoas pensa: “Obviamente, o adepto comum só olha a perder ou ganhar ou subir ou descer, mas eu tenho de estar preocupado com o outro lado da gestão. Uma das funções de uma comissão administrativa é não deixar buracos para o futuro. O objetivo é que o clube chegue ao fim com as contas regularizadas”, refere.

Para organizar e estruturar o Clube, Joca teve de contratar pessoas que o ajudassem, uma vez não possuía conhecimentos suficientes do futebol a este nível. “Alguém em que eu confiasse e que tivesse conhecimento do futebol atual nestas divisões”, diz. Admite que as coisas não correram bem, mas o problema é outro: falta de capacidade financeira: “Facilmente contratávamos 10 jogadores, mas é preciso pagá-los. Tivemos jogadores que saíram por um ou outro motivo, tentamos contratar e não conseguimos”, conta.

Joca não está certo de que o vão deixar terminar a época, estando convencido de que querem dificultar o seu trabalho. “Sinto essa oposição”, diz. “O Clube pensa muito como há 30 anos, não se atualiza, não se tentou adaptar ao mundo que vivemos, ou nos adaptamos ou morremos e há pessoas que não se querem adaptar”, diz. “Este é o chamado ano zero, é preciso mesmo refletir sobre o futuro deste clube: o que se pretende, o que se quer, esta é a hora certa”, conclui.

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