por | 26 Abr, 2020 | Canto do saber, Opinião

25 de Abril, Celebrar a Liberdade – Celebrar O Louzadense

Quarenta e seis anos passados sobre a revolução de 25 de Abril, a efeméride tende a esbater-se com outras e muitos são aqueles que advogam que poucos ligam a esta data, como acontece com muitas das outras. É um feriado, um dia para desfrutar do ócio e portanto a sua celebração perde significado, sobretudo para as gerações que nasceram depois.

É sempre possível valorizar ou desvalorizar, os argumentos surgem sempre a escudar opiniões mais ou menos avalizadas, mas opiniões por si só, não definem o carácter de quem a emite, mas sim as ações, de modo que as opiniões só se tornam definidoras de carácter quando acompanham as ações. As ações por seu turno valem pelo valor final atingido. No caso do 25 de Abril foi o supremo dos valores – a Liberdade.

É este valor que permite ter todo o tipo de opiniões, mesmo as que são contra a Liberdade. Só a reposição deste direito já merece uma celebração. Celebração no sentido do relembrar.

Não apelidei esta reposição de conquista, porque o processo de conquista não terminou e necessita de renovação praticamente diária.

A Liberdade a que me refiro, não é aquela em sentido absoluto, a de se fazer tudo o que passa pela cabeça de cada um. É antes a possibilidade de mantermos a nossa individualidade humana dentro da comunidade (no sentido mais lato do termo) de acordo com as regras da melhor convivência. Deste modo os traços de dominação deverão ser aqueles estritamente necessários à vida comunitária e que contribuam para a distinção entre a existência e a falta de Liberdade.

Nos tempos que correm, as pessoas tendem cada vez mais a abdicar da sua Liberdade em prol da sensação de segurança. Resvalam perigosamente para as malhas de uma dominação assente no politicamente correto e na transparência, que tende a dissolver a individualidade do ser humano e a nivelar todos numa igualdade que nos torna a todos numa massa informe que de humano ou natural nada possui. Nestes tempos, o sublinhar, bem forte, deste princípio, o da Liberdade, é absolutamente fundamental para que mantenhamos a nossa essência de seres humanos. Não esqueçamos que sem princípios, nada somos mais que máquinas. Máquinas que funcionam de acordo com um algoritmo imaginado por alguém com o objetivo da máxima eficiência. A vida do ser humano não se deve resumir à eficiência, a contemplação é necessária, é o que torna a vida bela e apetecível.

Por tudo isto o 25 de Abril como símbolo tem de ser celebrado, sobretudo de forma a ser entendido como epíteto deste valor fundamental.
E não, não venham com a treta de que os jovens não se interessam. Pessoalmente tenho o exemplo contrário desde logo porque há um ano se encheu um auditório com mais de 100 jovens, muito jovens, que ouviram atentamente um dos protagonistas da revolução, o Coronel Vasco Lourenço e que no fim aplaudiram o conhecimento transmitido. Há bem pouco tempo, num almoço de menos jovens, em que por razões várias o meu filho também esteve presente, várias histórias sobre o estado novo e a luta pela Liberdade foram contadas na primeira pessoa. Talvez inquinado pelo estereótipo do “jovem a quem nada disto interessa” dei, com alguma estupefação, com o meu filho a dizer-me “ isto sim, isto é que nos deve ser contado e não aquelas coisas em história ou celebrações pomposas”. A minha fé nos jovens, ao contrário de muitos, é muito grande, confio neles e na sua fome de verdadeiro conhecimento.

Leva-me o 25 de Abril, a confiança nos jovens e no conhecimento a outra efeméride que se comemora na mesma data, a do nascimento há um ano do jornal O Louzadense. Vinte cinco de abril de 2019, data da sua 1ª edição, marca o nascimento de um projeto, que tem como apanágio o princípio da Liberdade. Um projeto que tem dado voz a atores da sociedade lousadense que até aí não a faziam ouvir, pelo menos desta forma. Ao fazê-lo tem contribuído para mostrar que Lousada possui massa crítica para promover debate construtivo e dessa forma fazer evoluir a comunidade no seu todo.
Isto é construir cidadania.

Isto é trabalhar em e pela Liberdade!
Viva o 25 Abril! Viva a Liberdade! Parabéns ao “O Louzadense”!

1 Comment

  1. José Soares de Albergaria

    Muito bem. Mesmo, muito bem. É sempre um gosto ler-te. Inteligente narrativa, propósito cidadão, atitude pedagógica e crença naquilo que importa e é importante. A fé nos jovens é uma das tuas imagens de marca, assim como o respeito em igualdade com que brindas os velhos. Viva O Louzadense! Abraço fraterno, com Abril dentro para prepararmos o Maio. J. Albergaria

    Reply

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