As superstições e os ensalmos III

Continuando com mais alguns ensalmos e “talhamentos”:

“TALHAR AS BICHAS (lombrigas)”: – Esfregam-se as costas da pessoa com vinagre e vão-se fazendo Cruzes com a mão direita, de cima para baixo e da esquerda para a direita à medida que se vai dizendo: – “S. Silvestre nove filhos tinha. De nove ficaram oito, de oito ficaram sete, de sete ficaram seis, de seis ficaram cinco, de cinco ficaram quatro, de quatro ficaram três, de três ficaram dois, de dois ficou um, de um ficou nenhum. Por S. Silvestre quanto eu faça tudo preste. Fique este menino(a) sem bichinhas nenhumas”. (Esta ladainha tem de ser dita nove vezes, sendo sempre acompanhada das Cruzes feitas com a mão) – in. Ipsis verbis – VILA DE LOUSADA (Subsídios para a sua monografia) – Levantamento realizado pela Coordenação Concelhia de Lousada da Direcção Geral da Extensão Educativa – 1989.
“TALHAR A “OLHEIRA” OU NÉVOA NA VISTA (Belida)”: – Com um carvão que se vai apagando lentamente (brasa), e fazendo Cruzes diz-se a seguinte ladainha: – “Vai o sol e vem a lua, lua que vem cá buscar? – Névoa e a olheira que aqui se vai talhar, com sol das marinhas e folha do canavial, com o poder de Deus e da Virgem Maria que névoa e olheira sairia?!…” (no final reza-se um Pai-Nosso e uma Avé-Maria).
TALHAR O QUEBRANTO: – O quebranto (fraqueza, debilidade – “mau olhado/feitiço”) que por vezes dava muitas dores de cabeça, era “talhado” com uma malga (tigela) com água, e, conforme se rezava a ladainha que se segue, ia-se deitando uma brasa lá dentro por cada reza feita: – “(nome da pessoa) Deus de fez, Deus te criou, Deus te desassombre quem te assombrou!…“ (repetia-se três vezes e rezava-se no final um Pai-Nosso e uma Avé-Maria). Se as brasas fossem ao fundo era quebranto, se não, não era quebranto.
TALHAR O “VENTRE CAÍDO” (dor de barriga): – Principalmente nas crianças que apareciam muitas vezes com dores de barriga, a “curandeira” deitava a criança despida em cima de uma cama e esfregava azeite morno sobre a barriga e colocava por cima uma folha de couve. Juntava os pés do doente um ao outro e dizia a seguinte ladainha: “Quando o Padre se veste e reveste, sobe à Missa e ao seu Altar, assim o ventre desta criatura, torne ao seu lugar”. Repetia três vezes esta ladainha, no fim da cada uma dá-se uma sapatada nos pés do doente e reza-se um Pai-Nosso e uma Avé-Maria. Isto era feito durante três dias seguidos.

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