por | 11 Ago, 2020 | Opinião

Reagir, avaliar, adaptar

Suponho que já todos percebemos que esta pandemia vai deixar marcas profundas na nossa vida coletiva, a curto, a médio e a longo prazo. Algumas dessas marcas são já claramente percetíveis: os eventos culturais ou desportivos a envolver multidões ainda vão demorar anos a reaparecer; todo o setor do turismo vai sofrer longo tempo até voltar a contar com o número de turistas estrangeiros que tínhamos antes desta crise sanitária; etc.

No entanto, mais importante que enumerar factos, é perceber que atitude devemos ter perante os mesmos. Os mais pessimistas estarão tentados a baixar os braços e a resignar-se às nefastas consequências económicas e sociais que a Covid – 19 já nos trouxe e irá continuar a trazer. Por outro lado, os mais otimistas estarão inclinados para o raciocínio do tipo “isto vai passar rapidamente e a vida vai voltar ao normal”. Como acontece em quase todas as situações, julgo que nem os primeiros nem os segundos estão com a perspetiva correta, pois, como diz o povo “no meio é que está a virtude”. Quero com isto dizer que a perspetiva que considero mais acertada, por ser a mais moderada é a de não desanimarmos perante as enormes dificuldades que esta crise representa para um país como o nosso e reagirmos energicamente a essas dificuldades, adaptando-nos às novas circunstâncias impostas pela pandemia. O que se espera de um país como o nosso é que se vá avaliando as medidas que o Governo tem implementado e que, com base nessa avaliação, se tomem decisões acertadas para o nosso futuro coletivo.

Por exemplo, essa avaliação irá, provavelmente, concluir que, no que diz respeito a eventos culturais e desportivos, a aposta terá de passar por eventos de pequena e média escala, numa espécie de desmultiplicação de proximidade. Isto é, para bem dos agentes culturais, desportivos e até turísticos, será necessário, nos próximos anos, dinamizar um conjunto cada vez mais alargado de pequenos eventos, que ao mesmo tempo se desloquem para fora das grandes cidades e cheguem a todos os concelhos do país. Espero que, essa mesma avaliação, quando aplicada à realização dos exames nacionais de 2020, demonstre que a estrutura das provas e o número de exames obrigatórios para cada aluno foram medidas positivas para todos os envolvidos. Na minha opinião, é um modelo mais interessante do que aquele que usamos nos últimos anos. A única alteração que defenderia, neste momento, em relação ao modelo deste ano, seria o natural regresso da primeira e da segunda fase aos seus calendários tradicionais (junho e julho, respetivamente).

Sendo a situação atual absolutamente inaudita, é imperioso que os nossos responsáveis políticos procedam a uma avaliação consciente e rigorosa de todas as medidas implementadas, ainda que seja para chegar a conclusões diferentes daquelas que tive a ousadia de apresentar nos parágrafos anteriores. Os cidadãos devem manter-se atentos e ativos, quer para exigirem essa avaliação, quer para cumprir com as suas obrigações.
Entretanto, para os que puderem, umas boas férias, com as devidas precauções, naturalmente.

Comentários

Submeter Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos recentes

Lousada ultrapassou os 50 mil habitantes, devido ao aumento da população estrangeira

Análise do jornal O Louzadense aos mais recentes dados provisórios e preliminares do Instituto...

Equipa de Shinkyokushin conquistou seis pódios

O WIBK Dojo Verdadeiro Espírito, do lousadense Paulo Rente Silva marcou presença no Torneio...

Atleta de Lousada convocada para Jogos do Eixo Atlântico

A jovem Daniela Pereira, natural da freguesia de Pias, em Lousada, foi convocada para integrar a...

"Talvez seja por isso que gosto tanto das nascentes. Porque, ao contrário dos rios, que toda a...

Campeões Nacionais de Natação Adaptada

Os atletas lousadenses do clube Lousada Século XXI estiveram em grande evidência no Campeonato...

A bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, Paula Franco, foi uma das convidadas do...

Forte internacionalização do Inferno das Febras

O Inferno das Febras regressa ao Parque de Lazer e Merendas de Casais, em Lousada, nos dias 28 e...

O treinador penafidelense João Paulo Guedes Silvestre, de 36 anos, é referido por várias fontes...

Protocolo para projeto de turismo cultural assinado entre a CCDR-N e Vidas em Cena

A Associação Vidas em Cena, de Lousada, está entre as dez entidades culturais da Região Norte...

A celebração dos 100 anos dos Bombeiros Voluntários de Lousada constitui um momento de...

Siga-nos nas redes sociais