
Faleceu no passado dia 2, do corrente mês de setembro, o “Sr. Pinto Endireita”. Ninguém sabe dizer onde ou como adquiriu o dom de curar problemas ósseos e afins. Não foi nos livros, pois mal sabia ler ou escrever.
Com o seu passamento desapareceu Lousada perdeu esse dom e uma pessoa notavelmente discreta e humilde, um verdadeiro Louzadense com Alma.
João Pinto nasceu em 25 de abil de 1930, na quinta do Beco, em Caíde de Rei. Era filho de Agostinho Pinto e de Ana de Sousa, senhora que viveu até aos 99 anos e era natural de São Lourenço de Pias.
Cresceu com mais oito irmãos, primeiro em Caíde e depois em Aveleda. Mal tinha chegado à idade adulta e já trabalhava nas estradas de Portugal, através da empresa de António Magalhães, de Roupar. Viria a adquirir o epíteto de “Pinto da Adega”, pois a sua principal ocupação profissional na vida foi desempenhada na Adega Cooperativa de Lousada. Era dali que provinha o seu principal sustento laboral. Do seu verdadeiro dom para tratar as enfermidades ósseas e colaterais das pessoas, não fazia grande questão de recolher dividendos, a menos que fosse coisa de grande monta.
Como que por acaso, dedicou-se por si próprio a aprender as manhas e as complexidades ortopédicas e traumáticas do corpo humano. Dessa sapiência fez uso como massagista na Associação Desportiva de Lousada, na década de 1970. Tratou milhares de pessoas, entre atletas e pessoas em geral, que padeciam de lesões musculares, entorses, distensões e outras mazelas do foro físico. A sua proficiência ganhou fama além Vale do Sousa e Baixo Tâmega. Por diversas vezes atendeu em sua casa pessoas que vinham do Alto Minho ou da Beira Baixa.
Em Lousada abundam os casos que ainda hoje são relatados à boca cheia, tal a façanha conseguida por João Pinto, que socorria pessoas desesperadas por não conseguirem cura na medicina convencional ou oficial. No café Paládio conta-se pela voz do seu dono e genro de João Pinto, que “certo dia, o Chico Doceiro caiu de uma obra e partiu os pulsos. No hospital envolveram-lhe mãos e pulsos em ligaduras e mandaram-no para casa. Como não havia meio de melhorar, foi ao Pinto. Este desfez tudo e passado um dia ou dois estava como novo”. Firmino Mendonça revela que “o meu sogro era procurado por médicos, advogados, professores, gente de todos os níveis sociais e de vários pontos do país. Há pessoas na vila, que vejo quase todos os dias a caminhar normalmente, mas se não fosse o Sr. Pinto, não andariam tão bem”.
Sobre a caça, que era a grande paixão de João Pinto, o seu genro Firmino revela que “ele não gostava propriamente da caça em si, era de tudo o que a caça implicava, desde a preparação das coisas para a ida para o monte ou a serra, o convívio e a sua relação com a Natureza. Sinal disso era o facto de ter duas ou três armas mas preferia andar no monte com um pau”.
Associado à caça, tinha muito gosto por cães. “Chegou a ter cinquenta cães no canil de sua casa. Não eram todos seus, pois muitos eram da comandita de amigos, que o acompanhavam nas idas à caça”, acrescenta Firmino Mendonça.
Embora com 80 anos e alguns problemas de saúde que se sucediam nos últimos meses de vida, o falecimento de João Pinto, O Endireita, não foi de todo esperado e, como tal, não permitiu a despedida de muitos familiares e amigos. Em plena pandemia, uma crise renal remeteu-o para uma cama de uma instituição de saúde. Ao cabo de dois meses e alguns dias finou-se, longe dos seus, mas fica na memória de todos como uma pessoa extraordinária.
Foi casado com Ana de Sousa Peixoto, com quem teve sete filhos: Joaquim Sousa Pinto, Ana Maria Sousa Pinto, Ana Lúcia Sousa Pinto, António João Sousa Pinto, Maria do céu de Sousa Pinto, Maria Cândida Sousa Pinto e Maria Albertina Sousa Pinto.
Teve 13 netos: Estela Pinto, Miguel Leal, Flávia leal, Ana João Pinto, Ana Marta Mota, Raimundo Mendonça, Catarina Pinto, André Mendonça, Alexandre Moreira, Mónica Mota, João Pedro Pinto, Margarida Moreira e Vasco Moreira.














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