Em Lousada, terra de uma agricultura fértil devido à boa qualidade dos solos e à grande quantidade de água que corria nos regos, oriunda das nascentes, dos ribeiros e do rio Sousa e do rio Mezio, era necessário cultivar os campos com mestria e arte e construírem-se os instrumentos para os trabalhos do linho, do milho, do vinho e do centeio, já que a indústria era rudimentar e por sua vez, os utensílios, eram também exageradamente caros para serem comprados.
Alguns desses artefactos eram construídos pelas mãos dos artesãos habilidosos e que faziam para os trabalhos do linho: -“espadadoiros”, rocas, fusos, cedeiros, teares, dobadoiras, ripos, cortiços para as barrelas (lavagem do linho) e “burros de pau” (cavaletes de madeira) para guardarem as meadas do linho durante a noite e ainda, os malhos que serviam também para malhar o centeio.
As grades e os arados vinham de fora pois não havia ferreiros que fizessem esses utensílios.
Para medir o milho e o centeio era necessário fazerem-se recipientes próprios a que davam o nome de alqueires. Era uma caixa de madeira aberta numa face e que depois de cheia de grão de milho ou centeio, o cereal pesava mais ou menos 16 kg. No entanto, com um “razão” (pau redondo ou retangular – normalmente cilíndrico – também feito pela mão do carpinteiro ou marceneiro) passava-se horizontalmente e tirava-se o que estava a mais, acima das bordas da medida e ficava uma “raza” (cerca de 15 Kg).
Para o exercício dos trabalhos do vinho eram também precisas as escadas de madeira, para se subir aos altos bardos e ramadas dos vinhedos para colher as uvas ou quando fosse necessário subir a sítios bastante altos. Construíam escadas de “passais”, com cerca de meio metro entre cada um e que chegavam a ter 12 a 14 e mais “passais”.
Por sua vez, as pipas que eram fabricadas fora de Lousada, necessitavam de ser consertadas e então entravam os tanoeiros em ação, moldando e encurvando tábuas ou fasquias de madeira, através do lume, preparando aduelas que iriam substituir as que estavam rachadas e já gastas pelo tempo.
Havia também alguns “sarreiros” que andavam de porta em porta a retirar o sarro das pipas (sedimento que o vinho deixa pegado ao casco do vasilhame) que depois era fornecido à indústria farmacêutica e também servia para “envelhecimento e tratamento dos vinhos”.
Outros artesãos muito importantes na “indústria agrícola” das terras de Lousada eram os latoeiros (funileiros) que fabricavam almudes (vasilha em zinco com a medida de 25 litros) cântaros de zinco (20 litros) regadores e funis de metal para vazar o vinho nas pipas.
Latoeiros havia que faziam almotolias a partir da moldagem de metal e ferro, de forma cónica e que eram usadas para armazenar azeite e outros líquidos oleaginosos.
Por fim, recolhemos informação de que há longo tempo os homens de Lousada, praticavam a cantaria com grande experiencia e sabedoria. Esculpiam e trabalhavam a pedra, principalmente destinada à construção de edifícios, e, a um ou outro fim ornamental e ou estrutural de formas geométricas e figurativas. Um ou outro artesão também trabalhava a madeira fazendo caixilhos e quadros significativos da região somente com o uso de um formão e martelo.
Ainda chegaram ao nosso conhecimento outras formas de artesanato em Lousada como o embalsamento de animais que se caçavam nos montes, nomeadamente raposas e aves de rapina. A taxidermia usada destinava-se somente à preservação dos animais para fins decorativos, usando principalmente palha para moldar o corpo e o formol para preparação antisséptica do animal.












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