Na viagem de conhecer alguns Lousadenses espalhados pelo mundo, “O Louzadense” partiu até Genebra, na Suíça, para conhecer a jovem Gynna Costa, natural de Macieira. Tornou-se emigrante “pela personalidade de gostar de aprender coisas diferentes e perceber como funciona o mundo desconhecido”.
O percurso escolar foi realizado na Escola Secundária de Lousada e, na altura, em Área de Projeto, “realizei um projeto relacionado com a saúde”, explica, “e escolhemos um projeto sobre uma área que gostávamos. Na altura, fiz sobre as urgências e os cuidados paliativos”.
No final do 12.º ano, em Ciências e Tecnologias, escolheu apenas um curso, baseando-se no gosto pela fisiologia e anatomia humana. “Sempre gostei muito de Biologia, porque a nível profissional achava que podia exercer imensas profissões. Acho que todas as profissões são importantes, todas as profissões são interessantes, mas numa altura temos de escolher e esse bichinho pela fisiologia, por perceber como funciona o corpo humano, fez-me escolher Análises Clínicas”, alega.
Quando termina o curso, Gynna realizou alguns estágios em Portugal, que lhe permitiu “ver a realidade da profissão. Por isso, exerci durante um ano num hospital público, no Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, em Penafiel. Adorei o estágio, integrei-me muito bem na equipa e, no fim, tinha de ver, pensar o que queria para o meu futuro”.
“É sempre muito mais interessante, quando somos uns passarinhos livres, porque temos tudo, podemos ir à descoberta, nada nos prende e foi assim que eu fiz.”
Embora o curso fosse Análises Clínicas, a jovem sempre gostou da vertente humana. “Tinha algumas possibilidades, ou continuava naquilo que já conhecia, ou partia para o que queria, que ainda hoje quero, que é continuar a fazer o que mais gosto, mesmo que nos obrigue a algumas pausas”, conta.
“Todos anos faço imensas formações, mas queria fazer o mestrado e doutoramento. Na altura, tinha a possibilidade de fazer diretamente o mestrado sem ir para o mundo do trabalho, ou então uma outra hipótese que era partir para uma aventura”, revela a jovem, acrescentando que é “sempre muito mais interessante, quando somos uns passarinhos livres, porque temos tudo, podemos ir à descoberta, nada nos prende e foi assim que eu fiz”.
Ligações familiares ou condições de trabalho
Sendo uma pessoa muito ligada à família, é o fator mais negativo que encontra em estar fora do país. “Os 1 700 quilómetros que me separam da família são um limite superior e nada mais. A França era um país que eu já conhecia, que para mim já era muito conhecido por vários fatores, mas escolhi a Suíça”, afirma, explicando que não descartou a ida para outros países, porque a sua aventura “poderia ser concretizada num outro sítio, como voltar para Lousada”.
O facto de falar a língua francesa foi uma das considerações na escolha do país e “ajudou imenso, porque a comunicação é muito importante”. Como não tinha vaga no hospital onde tinha estagiado, foi para a Suíça, onde encontrou uma vaga. Nesse mesmo dia, recebe uma chamada do diretor do hospital “a dizer que uma das colaboradoras está grávida e se eu estaria interessada em ficar no hospital e substituir, durante esse período da licença de maternidade”, conta.
“Acho que quando as coisas são feitas com naturalidade, o bom ambiente, o positivismo, que eu sou muito apologista, a comunicação, a confiança, e acho que isto para um grupo e para uma equipa funciona muito bem.”
“Disse que sim e quando comecei a trabalhar fiquei muito contente, gostei muito da equipa. Quando começamos e conseguimos um lugar, é aí que as nossas oportunidades surgem, por todo o lado, todas ao mesmo tempo”, brinca, revelando que teve propostas para trabalhar nas Nações Unidas, em Genebra, mas teve de realizar escolhas, tendo já concluído oito anos de trabalho.
Nos primeiros anos de profissão, foi designada responsável de um Departamento de Imunoterapia, “tive muitos desafios”. Atualmente, trabalha “para um laboratório que é variado, tem química, hematologia, imunoterapia, não é um laboratório de uma só vertente. Os anos passaram muito rápido e a um determinado momento tive várias propostas, dentro desta empresa, até porque atualmente desempenho a função de responsável de toda a equipa, que é a equipa que me acolheu e isso é muito engraçado”, recorda.
“Acho que quando as coisas são feitas com naturalidade, o bom ambiente, o positivismo, que eu sou muito apologista, a comunicação, a confiança, e acho que isto para um grupo e para uma equipa funciona muito bem”, revela.
Trabalhar em contacto direto com Covid-19
Este tem sido um período difícil e “foi muito delicado”, confirma, acrescentando que “não estávamos à espera desta pandemia mundial, que veio mudar as nossas vidas, mudar a vida de muita gente. Como trabalho num laboratório, sou suspeita, trabalho com isto todos os dias, temos conhecimento de imensos vírus, imensas bactérias, mas nunca nenhum proporcionou o que vivemos este ano, foi inédito e complicado a nível de organização”.
Gynna Costa nota que “em todo o lado as equipas estão muito cansadas e é de valorizar todas as horas que o pessoal está a fazer para combater esta crise sanitária, que é complicada, porque, isto é, como tudo na vida, é um problema a mais”, lamenta.
A jovem prefere viver o dia a dia sem pensar muito nas possibilidades futuras, mas garante ter “montes de projetos, alguns que já executou, outros que não. Hoje, estou num projeto e quero também acabar o meu mestrado. Estou a pensar até fazer noutra área para que possa completar a minha formação, para ter outros conhecimentos em áreas que são desconhecidas”
Apreciadora de Lousada, transmite, em mensagem final, que “é muito importante partirmos do nosso objetivo, da nossa discussão, de partilhar experiências fora das profissionais. Com dedicação consegue-se tudo, todas as pessoas têm imensas qualidades e defeitos, todas as pessoas são capazes, têm é de querer, dedicar-se ao que acreditam e não colocarem aquela barreira de dizer eu não consigo porque eu sou assim”, termina.












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