A opinião Pedro Perdigão – militante da JS
Não há como fugir ao tema, as vacinas estão na ordem do dia e quero aqui trazer dois aspetos essenciais: quem é ou não prioritário e quem a toma e não o deveria fazer.
Parecem dois temas bem próximos, mas não o são. Ainda andamos a falar de prioritários, quando já se toma a vacina há um mês e já foram administradas a mais de 200 mil pessoas. Quase 100 mil já tomaram a segunda dose.
Ao que parece, vamos falar de prioritários até ao fim do plano de vacinação, da mesma forma que ainda muitos falam do novo coronavírus, quando já vivemos este pesadelo há quase um ano e já existe vacina para o mesmo.
No início, todos queriam a vacina, agora que existe vacina muitos preferiam ver outros tomar primeiro por alguns receios que tenham. Mais recentemente, somos inundados com notícias de pessoas a tomar a vacina sem pertencerem ao grupo de pessoas que deveriam estar a tomar.
Enfim, tudo isto é tão provinciano que esquecemos o enorme, enorme esforço de vários profissionais de saúde nomeadamente nesta missão heróica de vacinar todos os portugueses.
Da Assembleia da República, também já nos chegaram as demagogias do costume, aqueles que não querem tomar para dar prioridade a outros quando muitos deles deveriam tomar. Não todos, não, não justificaria. Mas aqueles que têm maior contacto com pessoas pelo papel e funções que desempenham.
Esta constante novela de este político toma, aquele não, não nos faz bem a nós nem à nossa democracia. Eu não tenho problema nenhum que os nossos representantes a tomem, visto que nos representam em várias instâncias, têm contacto com várias pessoas e ficaríamos mal representados se muitos deles não puderem desenvolver as suas atividades.
Naturalmente que há muitos outros que deveriam também tomar, e falo de políticos. Presidentes de Câmara e vereadores do setor da saúde e/ou setor social, que têm estado em permanente contacto, seja em reuniões ou ouvir as preocupações daqueles que mais são vulneráveis.
Lembro-me por exemplo de vários voluntários que no início, no desconhecido, e muitos de forma anónima, arriscaram a vida para ajudarem os outros. Estes voluntários, que estão registados em várias bases de dados, não merecem também eles serem dos “primeiros” a tomar? É que esta questão de se ser primeiro ou não tem muito que se lhe diga. Era essencial vacinar os profissionais de saúde e quem com eles contacta, e os idosos (começam agora) que são os mais afetados e isso está a ser uma realidade neste momento.
É altamente repugnante que haja quem se aproveite para tomar a vacina sem qualquer critério. Temos de combater estas pessoas, e as penas e consequências têm de ser exemplares. Não podem passar em branco. Não podem cair no esquecimento. Temos centenas de pessoas a morrer por dia desta doença, temos de nos elevar, temos de ser aquilo que exigimos aos outros.












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