por | 9 Mar, 2021 | Opinião

“Ninguém nos alertou para isto…”

Opinião de Renata Moura – militante da JS Lousada

Temos sido postos à prova constantemente. A incerteza do amanhã, a angústia, a desinformação, o medo… são o acumular para dias cinzentos e requerem uma gestão emocional que poderá não ser tão acessível quanto esperado!

Comecemos pelo isolamento que, se por um lado é um aspeto fulcral para minimizar a propagação do vírus e proteger a saúde física, é, em contrapartida, um fator que pode ter repercussões nas pessoas a nível psicológico e emocional. Sendo o ser humano um ser sociável, necessita de manter as suas relações interpessoais e, impelidos de o fazer na sua plenitude, como a inevitabilidade de reestruturar tudo o que até agora era um dado adquirido, poderá começar a comprometer a sua saúde mental.

Com a obrigatoriedade de ficar em casa, alinham-se outros indicadores de difícil gestão. O teletrabalho, por exemplo, implica uma reorganização do dia a dia (que outrora foi tomado como garantido), como também requer condições que podem não corresponder à realidade de todos. Com o ensino à distância advém a gestão das tarefas em casa, as crianças que até aos 12 anos necessitam de alguém adulto para sua supervisão, os trabalhos de casa, a falta de recursos, a falta de retaguarda familiar, a privação de brincarem com os colegas livremente e as horas passadas à frente de u computador.

Todos estes fatores comprometem o desenvolvimento cognitivo, social e emocional das gerações mais novas. Para não referir que, se num panorama pré pandémico a escola e o trabalho eram locais seguros e refúgios de uma vida familiar instável e violenta, atualmente corremos o risco de confinar agressores com as vítimas.

Contudo, existem respostas eficazes e eficientes por parte da autarquia às quais podemos e devemos recorrer em situações de violência doméstica. A solidão sentida principalmente pela população idosa, é outra consequência da pandemia e do confinamento que compromete a saúde mental dos mesmos.

O facto de serem um grupo de risco, de estarem impossibilitados de frequentar centros de dia e de conviver com a família perspetiva-lhes dias sem sentido.

Todas as possibilidades referidas são vividas, neste momento, por centenas de pessoas podendo conduzir ao stress pós traumático, depressão e ansiedade. Olhar para o futuro e ver uma imagem turba sem sinal de esperança é recorrente em situações como esta.

Procurar ajuda psicológica é um passo importantíssimo no caminho da mudança. Interessa, pois, começar a falar sobre a saúde mental e sobre as doenças psiquiátricas como assuntos normais e dizimar o estigma a elas associadas!

De momento existem respostas que podem ajudar quem se encontra em momentos mais desorientados e com necessidade de aconselhamento e acompanhamento psicológico. A linha “Conversa Amiga” e o apoio psicológico prestado pela autarquia aos munícipes são recursos que devemos usar, sem medo, sem (pre)conceitos e que poderão fazer a diferença!

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