Embora uma criança tímida e reservada, Luís Peixoto começou a sua caminhada na vida social muito cedo. Do grupo de jovens à música, passando pela presidência do Cais Cultural, do Teatro da Linha 5 e da Confraria do Sarrabulho Doce, foram várias as associações pelas quais o jovem passou e, de alguma forma, deixou e continua a deixar a sua marca.
Nascido em 1991, em Caíde de Rei, é nessa freguesia que mantém uma atividade social ligada a diversas associações. O gosto e vontade de ajudar nasceram consigo. “O que pode ter ajudado a ter este gosto e esta vontade de estar com as pessoas, de lidar com as pessoas, foi o facto de ter uma mercearia ligada à família e desde muito cedo lidava com os clientes. Há muita gente que me viu crescer e esse contacto ajudou-me no futuro”, testemunha Luís Peixoto.
Frequentou o Externato Senhora do Carmo e o Infantário de Caíde no pré-escolar, a Escola Básica Pereiras nº.1, em Caíde de Rei, no 1.º ciclo, e o Colégio de São Gonçalo, em Amarante, até ao 11.ºano. Para concluir o 12.º ano, regressou ao concelho e completou-o na Escola Secundária da Lousada.
Licenciou-se em Criminologia pelo ISMAI e é pós-graduado em Ciências Médico-legais pelo ICBAS-UP, por não ter concluído a tese de mestrado. “Ficamos sempre com a ideia de que um dia mais tarde vamos fazê-lo e já se passaram alguns anos e nunca mais terminei a tese. Apesar disso, o percurso escolar foi todo feito com sucesso, sem nenhuma reprovação”, confirma. Ainda concretizou o curso de formador (certificado de competências pedagógicas) e recentemente um curso de gestão cultural.
A passagem pelo rancho, paróquia e festas da terra
A primeira intervenção social foi no Rancho Folclórico S. Pedro de Caíde de Rei em 2003, com a função de tocar cavaquinho durante alguns anos. “Aí começou-se a perder alguma timidez. O facto de termos um grupo, de subirmos ao palco, de conversarmos com outras pessoas, que não aquelas do dia-a-dia, ajudou-me também a perder essa timidez e vergonha e a explorar o gosto pela música e tradições”, conta o jovem.
“O facto de termos um grupo, de subirmos ao palco, de conversarmos com outras pessoas, que não aquelas do dia-a-dia, ajudou-me também a perder essa timidez e vergonha e a explorar o gosto pela música e tradições.”
“Foi uma experiência muito enriquecedora, conheci várias pessoas, aprendi muitas coisas com muita gente e foi realmente uma passagem que me deixa boas recordações. Depois de ter saído do rancho, ingressei no grupo de teatro, que foi, sem dúvida, a melhor escola para perder o facto de ser muito envergonhado e ter receio de falar em público”, garante.
No final de 2008, associado à inauguração do Cais Cultural de Caíde de Rei, foi criado um grupo de teatro. “Na altura, a fundadora do grupo foi a Patrícia Queirós, que desde cedo foi e é uma referência para mim, e achei que seria uma mais-valia entrar no grupo. Sou dos poucos elementos que ainda se mantém no grupo desde o início. Mal eu sabia que um dia mais tarde viria a ser o diretor do próprio grupo”, reflete.

Pelo meio, juntou-se a questão mais ligada à paróquia: “frequentei toda a catequese e, durante aqueles anos em que estudei em Amarante, era também uma oportunidade para voltar a rever as amizades. Assumi, ainda, a coordenação do Grupo de Jovens ‘Sementinhas’ e colaborei como catequista alguns anos”.
Abraçou ainda projetos de âmbito musical, tendo sido vocalista de alguns grupos, destacando-se o grupo Yellois, criado por si e amigos, que ainda está no ativo. Pertenceu também a algumas Comissões de Festas na organização da Festa de S. Pedro.
O Cais Cultural é “o projeto chave” da vida social
Desde 2010 que está ligado ao Cais Cultural de Caíde de Rei, altura em que assumiu a presidência do conselho fiscal. Em 2012, tornou-se presidente da direção a convite de António Meireles, cargo que ocupa atualmente.
“O projeto chave e a âncora da minha vida social acabou por ser em 2012, quando me é lançado o convite para assumir a direção do Cais Cultural, criando os órgãos sociais, juntando alguns amigos. Criamos uma equipa jovem que daí em diante iria assumir a gestão do Cais”, refere.
“Chegar a uma instituição com um espaço para gerir, com despesas para pagar, com receitas para angariar foi sem dúvida o ponto de partida para tudo o que foi sendo desenvolvido ao longo dos anos.”
Este foi um dos grandes desafios da vida do jovem. “Tinha 21 anos quando assumi a associação. Claro que liderar um grupo de jovens era completamente diferente que gerir uma associação com uma sede. Chegar a uma instituição com um espaço para gerir, com despesas para pagar, com receitas para angariar foi sem dúvida o ponto de partida para tudo o que foi sendo desenvolvido ao longo dos anos”, orgulha-se.
Com o lema “10 anos a criar cultura”, o Cais completou já o seu 10.º aniversário. Também Luís Peixoto comemora, no próximo ano, 10 anos na liderança da associação. “Tem sido uma experiência muito enriquecedora onde pomos à prova muitas situações. Serei novamente candidato à direção nas eleições que se realizam em breve, agradecendo a todos aqueles que estiveram e estão ligados ao sucesso do Cais”, expõe.
“O Cais acaba por ser o menino dos meus olhos, porque a entrega e o trabalho são completamente diferentes. Há uma sede para gerir, um plano de atividades para elaborar e concretizar, e um conjunto de voluntários para organizar. O Cais faz com que eu tenha de fazer toda aquela gestão que uma pessoa numa casa própria tem de fazer, seja a questão das obras, seja a questão das despesas. O Cais tem ajudado imenso a tornar-me mais maduro e um gestor muito mais rigoroso”, revela.
O gosto pelas artes, cultura e tradições
Optar pelas artes como percurso profissional nunca esteve nos seus planos, no entanto, o gosto pela cultura está-lhe no sangue, que é marcado pela grande presença em grupos dedicados às artes de palco. Ainda na altura do secundário, teve uma passagem pela Nova Oficina de Teatro e Coral de Lousada, onde aprendeu muito com a professora Capitolina.
“Desde cedo fui mostrando interesse pelas artes, pela cultura e vida social e fui passando por diferentes grupos e associações que, obviamente, me dão algum gosto de, nos tempos livres, ter essa escapatória para mostrarmos aquilo que sabemos fazer. Quando estamos a fazer alguma coisa e há um retorno por parte do público, no fundo estamos a mostrar aquilo que é o nosso trabalho. Esse é um bichinho que tenho cá dentro”, manifesta.
Nunca gostou de ser o centro das atenções e “de menino envergonhado a pisar os palcos, obviamente houve um trabalho de excelência promovido pela Patrícia Queirós, enquanto responsável artística do grupo de teatro, mas também como grande amiga”, recorda.

“O grupo de teatro está associado ao Cais Cultural e é um dos projetos prediletos”, conta, mas ao longo dos anos foram-se desenvolvendo outros, como é exemplo a Confraria Gastronómica do Sarrabulho Doce de Caíde de Rei. “Foi um orgulho enorme em Maio de 2017, juntamente com o António Meireles, assinar o ato de constituição da confraria na conservatória e assumir a sua direção”, recordou. A confraria surgiu no seguimento da Festa do Sarrabulho Doce realizada no Cais Cultural desde 2013 e à forte ligação da freguesia ao sarrabulho doce, tradição essa que estava a cair no esquecimento.
Só em janeiro de 2019 é que se realizou a 1ª Cerimónia de Entronização, com a entronização de 21 confrades. “Foi um processo de um ano e meio na criação dos símbolos da confraria, como o logótipo e os trajes”, relembrou. Em 2020 entronizaram mais 20 confrades efetivos e de honra e, em janeiro deste ano, foram realizadas novas eleições que deram a Luís Peixoto o cargo de Chanceler Mor por mais dois anos.
Por fim, e não menos importante, lembrou ainda a sua passagem pela Associação de Voluntários de Caíde de Rei, onde desempenhou funções de secretariado e de tripulante de ambulância de transporte de doentes. “Foi também uma experiência muito enriquecedora, onde lidava com várias realidades e onde se criaram boas relações com diretores, colegas, doentes e acompanhantes. Guardo conversas partilhadas em muitas viagens de ambulância”.
A ligação à política local
Para além do trabalho nas associações e instituições da freguesia, tem, ainda, uma responsabilidade na política local. Em 2013, foi convidado a integrar uma lista como nº2 à Junta de Freguesia, liderada por Antero Teixeira. “Infelizmente não vencemos, mas desde aí que me mantive como membro da Assembleia de Freguesia”, lamenta.
“Foi um dos desafios da minha vida, não só por ver que as pessoas que me convidaram reconheciam o que eu estava a desenvolver na freguesia, mas também por ser uma grande oportunidade de me envolver na freguesia de outra forma.”
Em 2017, foi convidado a ser cabeça de lista numa candidatura à Junta de Freguesia, que apesar de não ter vencido, “foi um dos grandes desafios da minha vida, não só por ver que as pessoas que me convidaram reconheciam o que eu estava a desenvolver na freguesia, mas também por ser uma grande oportunidade de me envolver na freguesia de outra forma”, relata.
No futuro, garante estar sempre disponível. “Quando temos gosto pela freguesia, pelas pessoas e pela vida social, existe sempre esta aptidão praticamente natural de poder servir a nossa terra e o meu objetivo é continuar a levar a bom porto todos os projetos onde estou envolvido. Nunca sabemos o dia de amanhã e a vida pode dar muitas voltas, não se pode estar nas coisas para sempre e nem é esse o meu objetivo. É importante que as pessoas se envolvam no dinamismo e futuro da freguesia”, conclui.












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