Opinião de Daniela Santos – militante da JS Lousada
É de facto o tema em ordem, infelizmente cada vez mais somos negativamente afetados pela covid 19 a vários níveis, nomeadamente económico, social, mas será que estamos a tentar esquecer um a meu ver mais importante, ou digamos aquele que deveríamos dar uma maior atenção? A saúde mental.
A pandemia veio privar-nos de tudo aquilo que antes era o nosso habitual, as saídas, os almoços, as viagens, mas principalmente os momentos que hoje, certamente damos, na minha perspetiva o valor que sempre deveríamos ter dado. O simples facto de poder conviver com os nossos de forma espontânea, passou a medo e a distância leva-nos a uma cada vez maior crise existencial.
Segundo Dynacore, um estudo europeu sobre o impacto da pandemia numa escala individual, existem dois fatores que se destacam na gestão das angústias: ter uma rede de apoio, entre amigos e família e adotar o chamado pensamento positivo.
Raffael Kalisch coordena o projeto e afirma que “as pessoas reagem mal à sugestão de pensamento positivo, rejeitam completamente essa noção. Mas não adianta nada entrar em ciclos negativos. É necessário tentar tirar algum partido da situação e ajudar os outros se houver positividade e energia para isso.”
De acordo com a teoria de um sociólogo polaco Bauman,a sociedade pós-moderna é uma “sociedade líquida”, onde o ser humano age em rede, uma amizade ou uma relação seja ela familiar ou não, necessita de laços, o conectar e desconectar é tão banal nos dias correntes que chega a ser ridículo. No fundo, as redes ligam-nos, mas nós não estamos ligados, um problema que a pandemia veio intensificar, a falta de apoio verdadeiro e incondicional, provocado por esta banalidade de falsas ligações com os outros deixa-nos completamente condicionados a este egocentrismo, acabando por cair na solidão.
O ciclo de desespero começa quando decidimos nada fazer para contrariar sentimentos negativos, e principalmente a culpa. Os ciclos negativos traduzem-se na inação e em sentimento de desespero.
Viver um dia de cada vez, poderá ser o melhor caminho segundo Steffen kraf designer Alemão.












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