Opinião de Pedro Perdigão – militante da JS Lousada
Não podemos esquecer o que aconteceu, e o que não aconteceu, até este momento! Não começa a contar só a partir de agora. Não. Temos de combater a miopia eleitoral.
Estamos a entrar numa altura crítica da vida autárquica em Portugal. O aproximar das eleições fazem sempre um forte burburinho na comunicação social e isso não se alterou com a pandemia, e ainda bem que assim é.
Não me quero alongar muito na questão nacional, por aí tem sido vergonhoso como, em alguns casos, certas pessoas ainda não sabem em abril a qual câmara vão concorrer quando as eleições são em setembro/outubro, Acho que é um enorme desrespeito para com o eleitorado. E ainda quanto ao panorama nacional, dizer apenas que é muito difícil o PS continuar na senda de crescimento do poder autárquico como o que atualmente tem registado. Acho mesmo muito difícil que mantenha o mesmo número de câmaras do que as que conquistou em 2017, mas veremos os próximos episódios.
O que eu quero mesmo é focar no cenário local, aquele que está bem mais próximo de nós. Gostava mesmo que cada um de nós não passasse uma esponja na cabeça e apagasse o que está para trás, ao longo de três anos e meio de mandato e, na hora do voto, não foquem apenas nos meses que se aproximam. Isso é o que se chama miopia eleitoral. E temos de a combater com o nosso voto.
É importante compararmos o que foram estes 3 anos e meio com os próximos 6 meses e vermos se existirá grandes alterações no comportamento, nas atitudes, nas ações… É que de nada adianta para o desenvolvimento de uma freguesia um presidente estar “parado” 3 anos e meio e depois, em meio ano, “compensar” o que não foi feito. É importante comparar aquilo que foram as promessas em 2017 e aquilo que foi realmente feito entretanto. Mas não só as promessas de 2017, também as que se foram fazendo ao longo dos anos de governação.
No entanto, sei bem da dificuldade que é governar ao invés de fazer oposição. Não há dúvidas, pelo menos para mim, que é muito mais fácil fazer oposição do que governar. E fazer oposição de forma responsável é ainda mais difícil. Tenho a certeza. Mas é isso que se espera no escrutínio e no exercício da democracia. Os eleitos para o papel de oposição não são, nem se podem reduzir a tal, meros não eleitos para governar. Cada voto que receberam deverá pesar nas suas ações e no seu escrutínio do exercício de poder.
Mas nem todos percebem isso. Aquilo que temos visto é que muitas vezes, os candidatos para as assembleias de freguesia, quando são oposição, apenas se excluem do exercício de fazer oposição, num descrédito brutal da democracia e daquilo que é o voto que lhes foi confiado. Outros, com a expectativa de ainda virem a ser candidatos, vão aqui e ali dizendo umas coisas para marcar presença, mas têm sido raros os momentos de forte e convicta oposição. E só se pode falar em alternativas quando existem, de facto, visões diferentes para o mesmo assunto.
Este escrutínio não está, nem pode estar, apenas e só à mercê dos eleitos, os eleitores também têm direito a interrogar e a criticar, construtivamente, o poder e até a oposição, mas para tal têm de ter forma de lá chegar. Vejamos um exemplo muito prático do quão difícil pode ser para um comum cidadão tirar justificações a qualquer membro do poder local: se visitarmos o site da Câmara Municipal, vemos que todas as juntas de freguesia têm um contacto de e-mail “neutro” ou “geral”, isto é, sem ser associado a nenhuma pessoa em concreto. Minto, todas menos uma. A união de freguesias de Lustosa e Barrosas (Santo Estêvão) não, esta é uma freguesia tão à frente do seu tempo que o contacto da junta (e senão o único caso, dos únicos a nível nacional) tem o nome do seu presidente. Acho que isto diz muito, sem dizer nada.
Uma coisa é certa, quer queiram quer não, o eleitor não é parvo. Não nos tomem por parvos, porque já não é com papas e bolos que se enganam o tolos. chegamos a um momento em que as pessoas querem participar e querem saber o que é feito, por que é feito e essencialmente, o porquê de muitas coisas não serem feitas ou só o serem em épocas eleitorais. E cá estaremos.












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