Cristelos foi a freguesia que o viu nascer e crescer em 1990. Filho da terra, Renato Gomes, que não abandona a freguesia, vive uma vida associativa e social ativa em busca de ajudar o outro. Enfermeiro a tempo inteiro e solidário nos tempos livres, o jovem carrega na bagagem dias de entrega pelo bem-estar do seu próximo, tanto na profissão, como no associativismo.
Por ser uma criança com muita energia e com necessidade de estar sempre muito ativo, desde muito jovem que Renato Gomes participa nas mais diversas atividades ligadas ao associativismo. Desde os escuteiros à música, passando pelo desporto e pela integração no grupo de acólitos da paróquia.
“Era uma criança feliz, bastante ativa e energética, por vezes rebelde e, aí, tive que ter o pulso dos meus pais para não enveredar por situações mais problemáticas. Sempre respeitei muito os meus pais, eles sempre me acompanharam muito. Cresci com muita energia, o que fazia com que os meus pais tivessem que me ocupar com muitas atividades para além da escola, porque tinha essa necessidade. Mas tive um crescimento bom, em família, era uma criança feliz”, recorda o jovem.
“Cresci com muita energia, o que fazia com que os meus pais tivessem que me ocupar com muitas atividades para além da escola.”
Apesar de os pais e a irmã serem naturais da freguesia da Ordem, por força da necessidade de o pai abrir o seu próprio negócio mais próximo do centro da vila, Renato acaba por nascer na freguesia vizinha de Cristelos. E é dos pais que herda a vocação da entrega ao próximo.
“O meu pai tem uma relação muito grande também com as associações, com a comunidade, principalmente com a paróquia. A minha mãe, numa certa fase, remeteu-se mais a acompanhar-me a mim e à minha irmã, mas agora também já se dedica mais aos seus passatempos ligados ao voluntariado. O meu pai era uma pessoa que se envolvia bastante, por isso também fiz parte do grupo de acólitos desde pequeno. Depois como estava perto da vila tive oportunidades diferentes, como participar nos escuteiros e o conservatório”, afirma.
Renato Gomes participou no Rancho Infantil de Santo André de Cristelos e do Grupo de Cantares Reviver – Cristelos, foi Escuteiro no Agrupamento 1253 Silvares e 519 Paredes, foi acólito e cantor da Paróquia de Cristelos e foi festeiro na Festa em Honra da Nossa Senhora do Loreto, da Paróquia de Cristelos no ano de 2015.
No desporto, foi atleta do Lousada Académico Clube (LAC) de 2004 a 2011, na Modalidade de Basquetebol e, recentemente, nas épocas de 2019/2020 e 2020/2021. Foi, ainda, árbitro na Categoria Regional de Basquetebol, na Associação de Basquetebol do Porto, durante quatro épocas, e treinador de Minibasquete no LAC, durante uma época.
Exerceu a função de enfermeiro e massagista no Cristelos Sport Clube e fez parte integrante dos Órgãos Sociais do mesmo clube durante dois mandatos.
O percurso até chegar à enfermagem
O primeiro ciclo concluiu na Escola Primária de Cristelos, o segundo na Escola EB 2/3 Lousada e o terceiro ciclo e secundário terminou na Escola Secundária de Lousada. Estudou na Academia Musical e Cultural de Lousada, atual Conservatório do Vale do Sousa, tendo concluído o 3º Grau em Viola Dedilhada, Classe de Coro e Formação Musical.
Licenciou-se em Enfermagem pelo Instituto de Ciências da Saúde (ICS) da Universidade Católica Portuguesa (UCP), onde teve a possibilidade de realizar um semestre ao abrigo do programa Erasmus na Universitá degli Studi di Sassari, em Itália.
Especializou-se em Gestão de Unidades de Saúde pela Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho. Tem, ainda, um Certificado de Competências Pedagógicas de formador e líder de Yoga do Riso.
Durante o percurso escolar, foi fundador e Presidente da Associação de Estudantes do ICS – UCP, entre 2009 e 2011 e membro do Conselho Pedagógico do ICS – UCP, de 2008 a 2012. Foi, ainda, suplente da Direção, Presidente do Conselho Fiscal e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Federação Nacional de Associações de Estudantes de Enfermagem, entre 2010 e 2013.
A escolha da enfermagem é justificada por diversas razões: “uma delas vem da educação que recebi dos meus pais, uma atitude sempre muito humanista, próxima dos outros, de cuidado aos outros. Cresci a ouvir as histórias do voluntariado. Quando andei nos escuteiros também gostava muito daquelas coisas do socorrismo, então fui quase sempre socorrista nas minhas equipas e patrulhas”, explica.

“Quando fui para enfermagem tinha uma ideia do que era a enfermagem, do cuidado ao outro, de estar muito próximo, de acompanhar todo um processo de saúde e de doença, mas não tinha a certeza do que ia encontrar. Posso dizer que no final do primeiro ano estava a gostar muito, mas, no segundo ano, fui fazer um estágio num lar e quando cheguei a casa disse aos meus pais ‘se não tivesse a certeza daquilo que queria, naquele momento tinha tirado todas as dúvidas’. Escolhi por ter a possibilidade de me colocar ao serviço do outro, acompanhá-lo nas suas fragilidades”, manifesta.
“Se hoje tivesse de escolher, voltava a escolher ser enfermeiro uma, duas, três vezes.”
Atualmente, é Diretor Técnico e Enfermeiro Responsável da Unidade de Cuidados Continuados Integrados do Hospital da Misericórdia de Lousada e Técnico Especializado em Saúde na Escola Secundária de Lousada e Agrupamento de Escolas de Lousada.
“Pela educação que tive nos escuteiros e na igreja católica, o olhar o outro e estar atento às necessidades do outro, acabou por influenciar na escolha da profissão. Se hoje tivesse de escolher, voltava a escolher ser enfermeiro uma, duas, três vezes, porque tenho muito orgulho e gosto naquilo que faço”, expõe.
Gosto pela política local
A política entra na sua vida, “porque o associativismo estudantil/universitário leva-nos a isso. Ganhamos um gosto por defender as causas, que a seguir tentamos encontrar oportunidades de seguir esse tipo de intervenção. Enquanto estive no associativismo, apesar dos convites para conhecer as juventudes partidárias, nunca me envolvi, deixei ser eu a definir-me sobre aquilo que eu queria e qual era a minha postura”, expressa.
Nessa altura, acabou por encontrar no Partido Social Democrata (PSD) os valores com que mais se identificava. “Tinha um gosto mais pela política na sua génese, daquilo que são os sistemas políticos, aquela política ‘major’. Depois, acabei por ganhar o gosto pela política mais local”, revela.
Mais tarde, acabou por ser o coordenador do núcleo da Juventude Social Democrata (JSD) de Cristelos, Vice-Presidente da JSD de Lousada, Membro do Conselho Municipal da Juventude em Representação da JSD, de 2018 a 2020 e membro da Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Cristelos, Boim e Ordem, desde 2017.
“O melhor que eu levo da política até agora é a defesa das causas. Das melhores coisas que tive na política no que diz respeito à JSD na freguesia foi levantar algumas bandeiras daquilo que achávamos nós, enquanto jovens, a visão para a nossa terra e defendê-las”, conta.
A sua participação na política, acredita, “tem que ver com a defesa da causa pública e da causa comum. É pensar que se temos algum tipo de capacidade a devemos usar em prol de melhorar o dia a dia do outro, que é o nosso próprio dia a dia”.
A nível social, “sinto que tenho muito para dar ainda à minha terra e quero envolver-me nos projetos locais, tal como me envolvi agora na INOV Lousada e no Jornal O Louzadense, mas também noutros tipos de situações, no ponto de vista social, desportivo e cultural. Acho que tenho muito para fazer e contribuir”, reflete.
No que diz respeito à vida profissional, “gosto muito do que faço, tanto a nível da educação, como no ponto de vista profissional em si como enfermeiro. O meu objetivo é dar à Unidade de Cuidados Continuados outra tónica naquilo que é a reabilitação que se faz, naquilo que é o acompanhamento ao doente e à família”, testemunha.












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