A vontade de viajar com Lousada sempre no coração
Bruna Silva está há quatro anos em Genebra, (em francês Genève), na Suíça, por influência do namorado. Depois de terminar o curso de Turismo, em Portugal, a vontade de viajar e conhecer outras culturas falaram mais alto e levaram a jovem a aceitar a proposta do namorado que a levou a outros voos. À vontade de viajar, juntou a oportunidade de praticar melhor a língua francesa. 

Natural de Lousada, Bruna Silva licenciou-se em Turismo, não fosse a jovem uma apaixonada por viajar e conhecer outras culturas e outras línguas. Apesar de a adaptação não ter sido difícil, “foi difícil sim a distância e deixar a minha família, de quem sou tão ligada, e amigas. No entanto, a primeira coisa que fiz quando vim para cá foi fazer um curso intensivo de francês”, explica. 

“Já tinha bases de francês por causa da universidade, mas quando chegamos aqui precisamos de saber falar correntemente e fiz dois cursos intensivos da língua francesa. Aí comecei à procura de trabalho. A minha facilidade com o inglês ajudou-me muito, inicialmente”, conta. 

Começou por trabalhar em alguns hotéis, organização de eventos e como hostess (anfitriã). “O problema é que eram trabalhos temporários. Nos primeiros seis meses que cá estive nunca tive um trabalho fixo. Continuei à procura e surgiu-me a oportunidade de trabalhar para a empresa na qual estou atualmente, na AMAG, maior grupo automobilístico da Suíça e que tem uma ligação à Europcar. Trabalho no serviço ao cliente e administração”, refere. 

“Está também a abrir-me portas noutros âmbitos, nomeadamente nas áreas de Administração e Gestão, e é por aí que estou a pensar o meu futuro.”

Genève é uma cidade muito intercultural. Posso dizer que, por dia, falo as quatro línguas que sei – português, francês, espanhol e inglês – e só não falo italiano e alemão, porque não consigo. Só por aí já estou a desenvolver a área que estudei. Está também a abrir-me portas noutros âmbitos, nomeadamente nas áreas de Administração e Gestão, e é por aí que estou a pensar o meu futuro”, confessa. 

Desta forma, a jovem começará, em breve, o mestrado na área da Gestão para “conjugar as duas paixões num só trabalho”, testemunha, referindo que está “muito feliz”. 

A adaptação ao novo país 

Apesar da boa adaptação, Bruna sente falta da família, dos amigos e da vida social que mantinha em Portugal. “É fácil gostarmos do país, porque é um país extremamente organizado, sinto-me à vontade onde estou, no entanto, a única parte que me falta e que eu tinha em Lousada é a parte social, aqui não há aquele hábito de ir ao café ter com as pessoas, mas faz-se de outra maneira, através de caminhadas”, revela. 

O que mais gosta no país é a “organização das pessoas” e, pelo contrário, “falta-me a parte social, o calor humano”, expõe, acrescentando que “falta-me muito as comidas típicas daí: o bacalhau com natas, o assado no forno da minha avó e aqui não há muitos pratos tradicionais”. 

Antes da pandemia, a jovem explica que as visitas a Portugal eram frequentes: “de dois em dois meses íamos a Portugal. Agora, é um bocadinho mais complicado, mas continuamos a ir. Apesar de termos de fazer testes, é-nos possível ir. Fica-nos um bocadinho mais dispendioso, mas se não o fizermos não podemos sair de casa”. 

“Aqui em casa tivemos a covid logo no início, porque o Anthony, como trabalha no meio médico, infelizmente, apanhou logo e infetou-me a mim. A primeira vaga foi muito complicada, fechou quase tudo. No meu trabalho, nunca fechamos completamente, porque tem de haver sempre um serviço disponível, trabalhamos em lay-off. Neste momento, a Suíça está praticamente igual a Portugal”, menciona. 

“O meu coração continua em Portugal” 

Embora se sinta feliz na Suíça, “o meu coração continua em Portugal com os meus”, manifesta, garantindo que “é muito bom agarrar esta oportunidade, mas quero voltar a Portugal. Não daqui a um ano ou dois, mas daqui a cinco ou seis anos, porque mesmo formar família, não está nos nossos planos para já”. 

“Falo muitas vezes de Lousada, no meu trabalho estou sempre a falar de Portugal, a mostrar fotografias de Lousada e as pessoas mostram muita curiosidade por ir conhecer a nossa vila, porque é uma vila histórica, que se tem desenvolvido muito ao longo dos últimos anos e é uma vila onde vivemos tranquilamente, não temos nenhum problema de segurança e com poucos casos de problemas sociais”, expressa. 

“É uma vila onde encontramos tudo: natureza, cafés, restaurantes, lojas e pessoas bem-dispostas, acho que vivemos num sítio ideal.” 

Bruna acrescenta ainda que é “uma vila onde encontramos tudo: natureza, cafés, restaurantes, lojas e pessoas bem-dispostas, acho que vivemos num sítio ideal” e que, futuramente, “será quase certo que serei residente em Lousada também”, 

Mesmo longe, não esquece as festas e romarias do concelho. “Nós, jovens, e mesmo não jovens, vejo pelos meus pais, dão muita importância às festas da vila, foi um bocadinho complicado, porque até tentamos tirar férias na altura das festas, porque é uma altura alegre, mas este ano não foi possível, mas uma pessoa tenta fazer a festa de outra maneira, em casa, não com muita gente, mas não é a mesma coisa, dá vontade de chorar”, manifesta. 

A jovem deixa ainda uma mensagem a todos os lousadenses: “enquanto portugueses com falta de oportunidades em Portugal, não temos que ter medo de arriscar, de voar, porque sabemos que o nosso ninho está sempre aí. Se não arriscarmos, nunca vamos saber como poderia ter sido a nossa vida sem o termos feito. Arrisquem, sejam felizes e voltem a Lousada, sempre”, termina. 

Aproveitou, ainda, para deixar uma mensagem a todos os leitores d’ O Louzadense: “continuem a ler, a ver as nossas entrevistas, todas as publicações, porque são publicações que nos enriquecem a todos os níveis. Podemos ver experiências de pessoas e transformá-las nas nossas. Acho que é um projeto excelente”. 

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