Ao sentir que a sua carreira profissional, em Portugal, estava a estagnar, Hugo Santos decidiu dar um novo rumo à sua vida. Malas feitas, o lousadense partiu em busca de melhores condições de trabalho e de vida. Em Leicester, Inglaterra, desde janeiro de 2013, trabalha como programador e técnico de máquinas, mas, admite, nem sempre foi fácil.
Entre 1998 e 2000, Hugo Santos, lousadense, tirou uma formação, no Porto, de técnico de máquinas de malhas. Após concluir, trabalhou num representante de uma marca têxtil, em Portugal, durante quatro anos. Ao sentir que a sua carreira estava a estagnar, decidiu tomar outro rumo na vida, que o levou até à Inglaterra.
Apesar dos primeiros tempos no novo país serem difíceis, Hugo garante que encontrou apoio em dois amigos, que o ajudaram na sua integração. Num país com uma cultura totalmente diferente, tanto a nível alimentar, como a nível de estilo de vida, o emigrante afirma que como sabe “cozinhar e gosta, foi só uma questão de encontrar os alimentos certos”.
Com um ritmo de vida acelerado, o programador conta que é algo que não lhe custou e conseguiu adaptar-se: “o ritmo foi algo que me habituei e que gosto, por exemplo, aqui o tempo para almoçar é reduzido, enquanto aí não. As pausas, normalmente, são de uma hora, uma hora e meia, algo que agora me faz confusão.
Em relação aos horários de trabalho, prefere e diz que são mais reduzidos. “O meu horário normal seria das 08 às 13 horas e da 13:30 às 16:30 horas, no entanto, estou a fazer até às 17 horas, porque às sextas costumo sair às 14:30 horas.”, acrescenta.
“Tive sorte em trabalhar sempre em empresas em que maior parte dos empregados são ingleses, porque me facilitou na aprendizagem.”
Contudo, apesar da adaptação ao estilo de vida ter sido fácil, o mesmo já não se pode dizer da língua. “Tive sorte em trabalhar sempre em empresas em que a maior parte dos empregados são ingleses, porque me facilitou na aprendizagem. Apesar das formações que tenho, é sempre aquele inglês de televisão”, conta. Os sotaques, ainda hoje, é um ponto que lhe traz muitas dificuldades, “se falarem mais rápido um bocado, peço sempre para repetir”, admite.
Regresso temporário a Portugal
Em 2017, regressou a Portugal devido a questões profissionais e familiares. “No que toca à questão profissional, a empresa onde estava teve algumas dificuldades e, na altura, tive duas opções: ou ir trabalhar para mais longe, ou regressar a Portugal”, explica, referindo que a ideia de regressar o agradou a si e à sua esposa.
Assim, decidiram voltar. Neste regresso, o casal não teve dificuldades em arranjar emprego: “quando fui daqui para Portugal, já tinha marcado entrevistas e como, infelizmente, na minha área há muita falta de pessoal, arranjar emprego não foi, de todo, uma dificuldade”, conta. Assim como o programador, a sua esposa também tivera experiência na área têxtil e acabaram por ficar na mesma empresa, em Fafe.
Hugo não só encontrou a sua vocação profissional em Inglaterra, encontrou também o amor da sua vida, uma Vale de Sousense. “Foi no início em que vim para cá, tive uns tempos sozinho e nem fazia ideia da quantidade de portugueses que se cruzariam no meu caminho”, comenta.
“Foi no início em que vim para cá, tive uns tempos sozinho e nem fazia ideia da quantidade de portugueses que se cruzariam no meu caminho.”
Conheceu a sua esposa cerca de quatro meses depois de ter chegado à cidade, através de um amigo seu, que o levou a um restaurante português, onde a sua esposa trabalhava, começando a ser cliente e a aproximação com a sua companheira começou a dar frutos: “começamos a namorar na altura em que fomos de férias para Portugal, começando o namoro aí”, relembra.
No ano passado, o casal decidiu regressar a Inglaterra, decisão tomada uns tempos antes por Hugo, que gostaria de sair do país novamente para uma outra cidade que não fosse Inglaterra. Como a sua esposa já tinha estado cerca de 20 anos em Inglaterra, a mudança não foi do seu agrado e, por isso, saíram de Portugal e regressaram a Leicester.
Com a ajuda da sua esposa, a adaptação tornou-se mais fácil, uma vez que ela já tinha muitos conhecimentos, “ela é que é o ponto de referência”, admite. Nesta fase, Hugo já se sente integrado tanto no país, como na comunidade portuguesa que lá existe.
“Frequentamos sempre os mesmos restaurantes portugueses aqui na cidade que, normalmente, são frequentados sempre por gente conhecida”, acrescenta. Conta, ainda, que as tradições portuguesas, como ir tomar um café de manhã e ler o jornal, ou até mesmo o almoço ao domingo, são hábitos que não deixou para trás.
Visitas a Lousada
Em Inglaterra, Hugo Santos viveu dois momentos diferentes: o antes e o depois do Brexit. “No fundo, estamos todos à espera para ver o que realmente vai acontecer, porque, para já, poucas foram as diferenças”, refere.
O programador acredita que até os britânicos já perceberam que “as coisas não vão mudar muito”, acrescenta, referindo que “se as votações fossem feitas nos dias de hoje, teriam sido diferentes, porque até mesmo a nível de economia muda muita coisa. Se, antes de dezembro, eu quisesse mandar vir uma encomenda, bastava pagar o transporte normal e não havia mais complicações. Ao mandar vir depois de janeiro, apesar das complicações não terem sido acrescidas, tive de preencher um formulário”, explica.
Devido à pandemia, as visitas ao seu país e à sua família ficaram, naturalmente, dificultadas. “Numa situação normal, a minha mãe fazia-me visitas regulares. Para mim era mais difícil, porque a minha esposa não anda de avião”, expõe.
“Se eu pudesse levar o meu emprego para aí, levava.”
Para além da saudade que sente da família, admite que as saudades pela sua terra são muitas: “se eu pudesse levar o meu emprego para aí, levava”, afirma. No entanto, também há pontos positivos nesta mudança de vida, como “o emprego, o clima não incomoda e tenho a minha esposa comigo. No fundo, acabo por gostar um pouco de tudo, embora, se pudesse, regressaria a Lousada”, explana.
Para finalizar, Hugo Santos espera que esta pandemia esteja prestes a terminar para conseguir visitar Lousada com uma maior regularidade e poder matar saudades da sua vila, que lhe é muito querida.












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