Paulo Sérgio – O saudoso chefe do back office do Clube Automóvel

Por José Carlos Carvalheiras

Uma vida curta pode ser muito intensa. Disso é exemplo este cidadão ceifado à vida por doença atroz mas que não impediu de deixar na Terra um rasto de saudade e de orgulho. É sobretudo em épocas de grandes eventos dos desportos motorizados em Lousada que mais vem à memória a imagem e o nome de Paulo Sérgio Ribeiro Coelho, “O Quilómetro”, como os amigos o tratavam.

Paulo Sérgio era dinâmico e empreendedor, facetas que se notaram muito cedo e que na Escola Secundária de Penafiel ficaram bem patentes ao presidir à exigente e desafiante associação de estudantes, no ano letivo de 1986/1987.

Guardava amizade eterna aos amigos do peito. E um dos seus rituais mais preservados e estimados era o jantar regular com quatro amigos de longa data, por sinal um de cada partido (CDS, PSD, PS e PCP). Jantavam uma vez por mês, aos domingos, e nos aniversários de cada um, no restaurante Sapo, em Irivo, concelho de Penafiel.

A sua esposa, Manuela Ludovina Costa, destaca esses rituais onde a sinceridade e a amizade estavam presentes em todo o seu esplendor. Outro exemplo disso era o jogo das cartas com os amigos, no Café do Manel (Café Central,) em Meinedo, e também no Salão de Jogos, na Costilha (junto à Pista), em Cristelos.

Paulo Sérgio popularizou-se quase sem querer e quase sempre pelo seu fazer. Na retaguarda do Clube Automóvel de Lousada ele foi um incansável profissional, de tal forma que, em muitas situações, ele era referência principal para jornalistas, diretores, pilotos e outros elementos das competições.

Naquela entidade que promoveu como nenhuma outra o nome de Lousada além-fronteiras, o Paulo Sérgio deu de si mais do que era esperado ou pedido. Nunca ficou pela metade e desempenhava as suas funções de back office e relações públicas com um brio que era enaltecido pelos locais e pelos visitantes.

Viajar era uma das suas predileções e correu a Europa ao serviço do Clube Automóvel de Lousada, fazendo amizades um pouco em cada país graças sobretudo à sua jovialidade e simpatia, assim como ao seu caráter cosmopolita. Paulo Sérgio parecia um cidadão transnacional. 

Era um apaixonado pelo seu trabalho e era com uma extraordinária satisfação que dizia que a sua profissão era o desporto automóvel.

Contente era o seu estado de espírito normal. Mesmo em dias stressantes das grandes corridas ele transpirava jovialidade e boa disposição. Tinha um sentido de humor apurado e acutilante.

Era bairrista e envaidecia-se sobremaneira pelo engrandecimento que o desporto automóvel proporcionava à sua terra e sentia-se orgulhoso por contribuir para isso.

A propósito da humildade, essa caraterística tão vincada em Paulo Sérgio, eis uma passagem de um artigo de opinião de José Carlos Bessa Machado (in Jornal TVS de 19 de outubro de 2012): “Conheci-o já adolescente, trazido pelo Jaime Moura, para trabalhar connosco no Clube Automóvel. Versátil em línguas, excelente em relações públicas, com a sua humildade e simplicidade rapidamente se tornou uma das figuras mais populares e queridas do meio automobilístico (…) do Minho ao Algarve, de Portugal à Lituânia. Foi companheiro de inúmeras viagens (…) sempre disponível para partir, pronto para ser útil e servir. Tornou-se, nas palavras do norueguês Richard Stoen, «o rosto do Clube Automóvel de Lousada». De família humilde, foi sempre parco em recursos, mas viveu com uma intensidade rara, aproveitando as oportunidades que a vida lhe foi oferecendo(…)”.

Quanto à sua alcunha, era conhecido por alguns amigos como “o quilómetro”. Tal epíteto nasceu no café onde ele, por ser longilíneo, chegava à televisão (para aumentar o som ou mudar de canal) desde o lado de fora do balcão.

Paulo Sérgio Coelho Ribeiro nasceu em 11 de Outubro de 1965 e faleceu, aos 36 anos de idade, em 22 de janeiro de 2002. Era natural de Meinedo, filho de Alberto Duarte Ribeiro, já falecido, e de Nair Coelho, e irmão da Prof.ª Maria Isabel Coelho Ribeiro Sequeira.

Casou em 1996, com Ludovina Manuela Moreira da Costa Ribeiro, e foram pais de João Pedro da Costa Ribeiro.

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